Milhares de professoras(es), funcionárias(os) de escola, estudantes, movimentos sociais e representantes da comunidade escolar ocuparam a Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre, nesta sexta-feira (26).
O Dia de Greve e Ato Estadual do CPERS paralisou dezenas de escolas em todo o Rio Grande do Sul e levou às ruas a indignação da categoria contra as Parcerias Público-Privadas (PPPs) na educação.
O leilão das 98 escolas da rede estadual, promovido pelo governo Eduardo Leite (PSD) e Gabriel Souza (MDB), estava marcado para esta sexta-feira, 26 de junho, data em que as instituições seriam entregues à iniciativa privada por meio de um contrato de R$ 4,5 bilhões.
No entanto, a intensa mobilização construída nas últimas semanas, com audiências públicas, atos e atividades em diversos municípios gaúchos, surtiu efeito. Diante da pressão, o governo adiou o leilão por um mês. Agora, a nova data prevista é 23 de julho.

Esta é uma conquista fruto da nossa luta e demonstra a capacidade de mobilização e enfrentamento da educação gaúcha. O movimento precisará se fortalecer ainda mais no próximo mês.
Para a presidenta do CPERS, Rosane Zan, este é um momento de ampliar a organização e a resistência: “O governo Leite queria entregar, hoje, 98 escolas para a iniciativa privada, mas a nossa luta mostrou que a categoria, a comunidade escolar e a sociedade gaúcha não aceitam a entrega das nossas escolas. Agora, nosso movimento precisa se fortalecer até o dia 23 de julho. A comunidade escolar precisa estar junto conosco. Vamos nos organizar e voltar novamente às ruas“.

Durante o dia, as falas criticaram a lógica de mercantilização da educação adotada pelo atual governo, mas que também é resultado de um processo de avanço das políticas de privatização em diferentes gestões no Rio Grande do Sul.
Desde 2023, o CPERS denuncia a tentativa de implementação desse projeto, que se configura como uma das maiores investidas de privatização da educação pública no estado.

A proposta apresenta diversas inconsistências técnicas e custos superestimados. Segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o modelo prevê um gasto médio anual por escola quase cinco vezes superior ao atualmente destinado às unidades da rede estadual.

A cultura também ocupou a Praça da Matriz. Intervenções artísticas e apresentações de teatro de rua denunciaram o caráter entreguista do governo Eduardo Leite (PSD) e Gabriel Souza (MDB), retratando um projeto que entrega o patrimônio público à iniciativa privada e se coloca em oposição aos interesses do povo gaúcho.

Entre músicas, performances e encenações, a arte transformou-se em mais uma ferramenta de resistência em defesa da educação pública.

O adiamento do leilão não encerra esta batalha. Pelo contrário, abre um novo período de mobilização e organização em defesa da educação pública gaúcha.
O CPERS seguirá conduzindo essa luta com firmeza e compromisso, ampliando o diálogo com a sociedade e fortalecendo a resistência para impedir que as escolas públicas sejam transformadas em negócio.
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