Educadores e lideranças políticas se reúnem para discutir sobre a valorização dos profissionais da rede municipal


Nesta segunda-feira (30), a sede do CPERS recebeu o I Encontro dos Professores(as) Municipais Gaúchos(as), que debateu o não cumprimento da Lei do Piso Salarial do Magistério, o uso inadequado dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e a ameaça ao Plano de Carreira da categoria. 

Articuladas pelas prefeituras, essas manobras tem levado todos(as) trabalhadores(as) da educação a uma desvalorização salarial e a um enfraquecimento de direitos sem precedentes. Na reunião, educadores(as) e lideranças políticas estabeleceram uma série de ações para fortalecer a luta por valorização.

A presidente do Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, abriu o encontro ressaltando o cenário hostil que professores(as) e funcionários(as) têm vivenciado também na rede estadual. Recentemente, o CPERS analisou uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, cuja apuração apontou que, entre os diplomados, trabalhadores(as) da educação recebem os piores salários do Brasil.

“Não é que a gente não queira se misturar com os outros trabalhadores, temos clareza da importância da unidade da classe, mas os profissionais da educação estão especialmente desvalorizados”, argumentou.

O 1º vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, chamou atenção para a relevância do evento na ampliação da unidade dos trabalhadores(as) em educação. “É muito importante que nós tenhamos, entre participantes presenciais e online, mais de 35 municípios, sindicatos e associações presentes”, celebra. 

A reivindicação por uma educação pública de qualidade passa pela valorização de educadores(as) atuantes em todas as instâncias. “A luta dos municípios não é diferente da nossa, muitos professores do estado trabalham nas duas redes. Portanto, esse encontro fortalece tudo aquilo que a gente tem como luta comum”, esclareceu o 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia.

Entre os trabalhadores(as) da educação, funcionários(as) de escola seguem profundamente invisibilizados pelo poder público, sem nenhuma lei específica que os garanta direitos. “Além de todas as lutas no estado e das lutas municipais, a gente luta por um Piso Salarial Nacional para os Funcionários da Educação. Nós não estamos no Piso do Magistério nem nunca estaremos, então precisamos dessa legislação”, mencionou a diretora do Departamento de Funcionários(as) da Educação do CPERS, Sonia Viana. 

O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul (CUT/RS), Amarildo Cenci, destacou a relevância dos servidores(as) no oferecimento de serviços primordiais à sociedade. “Nós só podemos ter uma visão de um estado democrático de direito se a gente tiver serviços públicos de qualidade. E serviços públicos de qualidade feitos por Carreiras, não por amigos dos governantes”, afirmou.

As professoras municipais, Cristiane Aguiar e Vanessa Gobbo, compuseram a mesa de discussões e desabafaram sobre as dificuldades enfrentadas pelos profissionais da educação, já que as prefeituras têm se recusado a pagar o Piso Salarial. “Toda vez que nós íamos conversar com os prefeitos dos nossos municípios, a desculpa era a mesma: não temos dinheiro”, relata Cristiane, que trabalha nas cidades de Caseiros e Lagoa Vermelha. 

“A gente chega lá para negociar e o que temos escutado dos prefeitos? Para poder pagar o Piso, nós vamos ter que mexer no Plano de Carreira, dizem. O apelo que a gente faz, enquanto movimento, é o de que não negociem o Plano”, alerta Vanessa, que é educadora na região do Alto Uruguai. 

“A gente estudou para subir numa sala de aula. A gente tem pós-graduação porque a gente quis se aperfeiçoar para trabalhar com nossos alunos. Então o mínimo que precisamos é de valorização”, reivindica a presidente do Sindicato do Funcionalismo Público de Nova Bassano, Morgana Frigo.  

O I Encontro de Professores(as) Municipais Gaúchos(as) elucidou a importância de unir ainda mais a categoria, que continuamente tem visto seu trabalho ser desprestigiado, mesmo que seja responsável pela construção de importantes avanços sociais.

O 1º vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, e os diretores, Leonardo Preto Echevarria e Carla Cassais, também acompanharam o evento. Além deles, as assessorias jurídicas do Sindicato e do Movimento pela Valorização dos Professores(as) Municipais Gaúchos(as) contribuíram com esclarecimentos sobre processos que correm na justiça, como a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4848 e o Tema 1218, e sobre a importância de fiscalizar as verbas do Fundeb. 

A deputada federal Maria do Rosário (PT) e a deputada estadual Sofia Cavedon (PT) acompanharam a atividade.

Ao final do encontro, cinco proposições foram estabelecidas:

  1. Encaminhar às Câmaras de Vereadores e à Assembleia Legislativa manifesto e abaixo assinado popular em apoio ao pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério e da manutenção das Carreiras do Magistério, inclusive dos seus RPPS;
  2. Realizar reuniões por área geográfica (Associações de Municípios ou COREDES) para organizar, mobilizar e pressionar pelo pagamento no Piso na Carreira;
  3. Realizar Live temática sobre FUNDEB, Piso, Carreira e Previdência como momento de mobilização;
  4. Reivindicar junto às Comissões de Educação e de Serviços Públicos da ALERGS a realização de uma audiência pública sobre FUNDEB e Piso;
  5. Realizar seminários/cursos/plenárias sobre organização, política e comunicação sindical para fortalecer coletivamente o movimento nos municípios.

 

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