Entre os diplomados, trabalhadores da educação recebem os piores salários do Brasil


Após a Reforma Trabalhista – implantada por Michel Temer (MDB) em 2017 – que flexibilizou e simplificou as relações de trabalho, profissionais de diferentes áreas convivem com o enfraquecimento de seus direitos, cumprindo cargas horárias excessivas e convivendo com uma profunda desvalorização salarial. Trabalhadores(as) sem a oportunidade de graduar-se ocupam empregos mais precarizados ainda, e os educadores(as), entre os diplomados, dominam o top 10 dos piores salários no país.

Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), analisada em matéria do UOL, professores(as) da Educação Infantil recebem um salário médio de R$ 2.285, o mais baixo entre todos os profissionais com ensino superior no Brasil. Além desses trabalhadores(as), estão no ranking outros profissionais de ensino, da Educação Especial e do Ensino Fundamental.

O cenário apresentado pelo estudo da FGV evidencia que o trabalho fundamental exercido por professores(as) e funcionários(as) de escola tem sido desprezado pelas instituições privadas. Para aqueles que estão no serviço público, o contexto não é diferente, já que políticas de austeridade fiscal têm sucateado o funcionalismo e desrespeitado os servidores(as).

A pesquisa também revela que, desde 2012, desenvolvedores de páginas de internet tiveram a maior valorização salarial dos últimos dez anos, o que elucida o esforço do mercado em fortalecer campos de atuação que trabalham a serviço dos interesses capitalistas.

Para o CPERS, a educação está comprometida com a formação de pessoas críticas, problematizadoras e engajadas na transformação social. Trata-se, portanto, de uma profissão que pouco vale para o capitalismo, a não ser que represente o acúmulo de riquezas, como é o caso do processo de municipalização das escolas estaduais que, posteriormente, costumam ser privatizadas.

No Rio Grande do Sul, onde impera uma política neoliberal de fim ao papel do Estado, o Sindicato protocolou uma emenda ao orçamento estadual de 2024 pelo reajuste salarial de 20,05% para TODOS(AS) os profissionais da educação. A valorização de educadores(as) da ativa e aposentados é fundamental para que a categoria tenha dignidade e acesso a direitos básicos, como saúde, segurança alimentar, cultura e formação intelectual.

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