Educadores brasileiros repudiam o crescimento do discurso de ódio no Chile propalado por Pedro Pool


Educadores brasileiros repudiam o crescimento do discurso de ódio no Chile propalado por Pedro Pool, empresário e líder do movimento de rechaço ao novo texto constitucional do país

No último dia 28 de julho, o empresário chileno Pedro Pool, líder do movimento Rechazo de Osorno, província do sul do Chile, que luta contra a aprovação do novo texto constitucional apresentado ao Presidente Gabriel Boric e que será objeto de plebiscito popular no próximo dia 4 de setembro, fez mais um de seus discursos de ódio e fomento à violência política. Não foi a primeira vez e, se não contido, não deverá ser a última. Sem qualquer pudor, Pool ameaçou de morte professoras e professores chilenos em uma entrevista que está viralizando nas redes sociais de todo o mundo.

Acusando os profissionais do magistério de seu país de serem doutrinadores de esquerda, ameaçou fuzilar a todos se, assim, tivesse oportunidade para fazê-lo. Trata-se de mais uma manifestação de ódio desse senhor. Ainda no final do mês de julho desse ano, ele ameaçou também fuzilar os constituintes chilenos que defendem o texto aprovado para a nova Constituição do país. Em função de sua declaração, já foi denunciado com uma queixa-crime no Juizado de Garantias de Osorno, que solicitou medidas cautelares contra Pool, como
sua própria prisão.

Não satisfeito, e em uma clara de demonstração de acirramento e ataque aos preceitos basilares de qualquer regime democrático, atacou agora os professores chilenos. Por meio de suas instituições constituídas, é fundamental que o povo chileno barre de forma contundente o crescimento e o fomento da violência política como esses que Pool vem fazendo de forma recorrente.

O Brasil conhece de perto a experiência de ter deixado prosperar o discurso de ódio em um passado muito recente, sem ter conseguido impor uma contenção política necessária à sua disseminação. Quando o atual presidente brasileiro promovia ataques aos direitos humanos e de minorias, de forma quase que caricatural quando exercia o seu mandato parlamentar na Câmara Federal do país, ninguém deu a devida atenção e tampouco existiu qualquer repreensão às suas falas. Hoje, na Presidência da República do Brasil, ele instituiu no país um clima político de violência que, no limite, já causou até vítimas fatais.

É imperioso que o povo e as instituições chilenas contenham este senhor que, como líder de um movimento que luta contra uma nova Constituição do país, defendendo a  permanência de um texto legal ainda dos tempos da ditadura sanguinária de Augusto Pinochet, alimenta um discurso de ódio e de violência que não pode nunca ser naturalizado e aceito como liberdade de expressão.

Os educadores brasileiros se somam ao desejo regional de vários países e povos do mundo em enterrar de forma definitiva o entulho autoritário de uma Constituição que não garante direitos, como essa de Pinochet. Todo apoio à aprovação do texto da nova Constituição chilena!

Brasília, 03 de agosto de 2022
Direção Executiva da CNTE

Fonte: CNTE

Foto: José Pereira

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