Do TJRS ao Piratini, CPERS ocupa as ruas para “enterrar” ciclo de ataques à educação e ao funcionalismo


Centenas de educadoras(es), da ativa e aposentadas(os), vindas(os) de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, tomaram as ruas do centro de Porto Alegre, nesta sexta-feira (21), para dar um recado contundente: depois de mais de uma década de arrocho, retrocessos e retirada de direitos, a categoria quer enterrar um projeto político que transformou o desmonte dos serviços públicos em política de governo.

O Ato Público Estadual “Enterro do governo Leite (PSD) e sua base aliada”, convocado pelo CPERS e aprovado pelo Conselho Geral do Sindicato, denunciou as medidas que atingiram o funcionalismo e a educação pública ao longo dos últimos anos, transformando a indignação acumulada em resistência, luta e esperança de mudança.

Das portas do TJRS ao Palácio Piratini: a indignação ocupou as ruas

A atividade teve início em frente ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), onde trabalhadoras(es) da educação protestaram contra a recente decisão que rejeitou o fim da absorção da parcela de irredutibilidade e manteve mais um prejuízo à categoria.

Após a concentração, educadoras e educadores seguiram em caminhada pelo Centro Histórico até o Palácio Piratini. Faixas, cartazes e palavras de ordem deram voz a quem conhece, na própria vida, as consequências das políticas adotadas pelos governos dos últimos anos.

A manifestação denunciou o arrocho salarial, os ataques às carreiras, o confisco previdenciário, o sucateamento do IPE Saúde e o enfraquecimento dos serviços públicos. Também reafirmou a resistência do CPERS às tentativas de privatização e mercantilização da educação, entre elas a proposta do governo Leite (PSD) de entregar escolas estaduais à iniciativa privada por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Essas medidas não estão isoladas. Para o Sindicato, fazem parte de uma agenda que, governo após governo, colocou a austeridade acima da valorização de quem mantém os serviços públicos funcionando e transferiu para as(os) servidoras(es) e para a população o custo das escolhas políticas feitas no Estado.

Em frente ao Piratini, a presidenta do CPERS, Rosane Zan, chamou atenção para a necessidade de compreender o que está por trás dessas medidas: “Por trás de cada partido há um projeto. E o projeto que esteve por 12 anos aqui, com o governo Sartori, o governo Leite e sua base aliada, nos arrochou com austeridade e reformas administrativas que atingiram diretamente aqueles que fizeram e fazem a educação pública do Estado do Rio Grande do Sul”.

Um enterro simbólico para encerrar um ciclo de perdas

O momento mais simbólico ocorreu ao final da atividade. Diante do Palácio Piratini, educadoras(es) realizaram o “enterro” do governo Leite (PSD) e de sua base aliada, representando o desejo de colocar um ponto final em um período de mais de 12 anos marcado por perdas salariais, retirada de direitos e desvalorização dos serviços públicos.

Mais do que simbolizar aquilo que as(os) trabalhadoras(es) querem deixar para trás, a ação também apontou para o futuro que desejam construir.

O enterro simbólico expressou a expectativa de que as eleições deste ano possam abrir um novo período para o Rio Grande do Sul, com uma gestão que escute as(os) trabalhadoras(es), valorize o serviço público e trate a educação como prioridade, com investimentos, concursos públicos, salários dignos, respeito às carreiras e condições adequadas de trabalho.

Como lembrou Rosane Zan durante a manifestação, é preciso continuar acreditando e “esperançando”, no sentido defendido por Paulo Freire: fazer da esperança uma ação coletiva capaz de transformar a realidade.

Nas ruas e nas urnas, a categoria dará seu recado

Às vésperas de uma eleição decisiva, a mobilização desta sexta-feira (21) também reafirmou que a defesa da educação pública passa pela disputa sobre qual projeto será escolhido para governar o Estado e o país nos próximos anos.

O recado que ecoou das portas do TJRS até o Palácio Piratini foi claro: quem atacou a educação pública e retirou direitos das(os) trabalhadoras(es) não pode continuar decidindo o nosso futuro. O projeto de desmonte enterrado simbolicamente nesta sexta-feira (21) precisa ser derrotado também nas urnas.

O CPERS seguirá nas escolas, nas ruas e em todos os espaços de luta, fortalecendo a organização das(os) educadoras(es) e a defesa de seus direitos. Porque enterrar um ciclo de ataques é também abrir caminho para um novo tempo: de valorização, respeito e compromisso verdadeiro com quem faz a educação pública todos os dias!

>> Assista ao recado da presidente Rosane após o ato: 

>> Confira no álbum mais fotos do ato desta sexta (21): 

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