Da base e pela base: representantes de escola são a força do CPERS e a voz dos educadores


“Todas as escolas devem ter um representante do CPERS, ou os educadores ficam perdidos, sem saber o que está acontecendo”, conta Marta Regina Garcia, funcionária da EEEF Dr. Franklin Olive Leite, de Pelotas.

Apesar da resistência de alguns colegas, é com orgulho que ela representa o Sindicato dentro da escola, e leva as demandas dos trabalhadores da instituição ao conhecimento do 24º Núcleo, participando dos Conselhos Regionais que ocorrem mensalmente na sede.

A força de um Sindicato está na sua base, e no enraizamento da organização da entidade junto aos trabalhadores. Um dos trunfos do passado de grandes mobilizações do CPERS, o Representante de Escola é a voz da escola junto aos núcleos da entidade, e também a pessoa que representa o CPERS dentro da escola.

A atual direção central está investindo na retomada da figura do representante para fortalecer a unidade e a luta da categoria. Nesta terça (16), os diretores Cássio Ritter e Daniel Damiani participaram do Conselho Regional em Pelotas para acompanhar os trabalhos do núcleo, que tem uma forte tradição de organização da base e valorização dos representantes de escola.

“Elaboramos uma cartilha para orientar os educadores e demonstrar a importância da representação sindical. Nosso objetivo é que cada escola do Rio Grande do Sul tenha alguém para representá-la”, explica Cássio, que dirige o departamento de Organização Estatutária e Formação Sindical. A cartilha “Seja o CPERS no Chão da Escola” está disponível para download aqui.

Referência de organização

De acordo com o diretor geral do 24º Núcleo, Mauro Rogério da Silva, cerca de 50 representantes de escola frequentam ativamente os conselhos regionais. “O CPERS é um Sindicato forte porque tem a discussão na base. E quem faz é o representante de escola. Aqui, temos um cuidado muito grande para que cada escola tenha alguém que faça o elo entre a escola e o núcleo, o que qualifica o nosso trabalho e a força das mobilizações”, afirma.

Mauro explica que os educadores são estimulados a elegerem representantes em todas as visitas da direção às escolas, além do núcleo realizar um trabalho ativo de contato com cada escola que ainda não possui sua representação. O estatuto do CPERS determina que cada instituição pode ter um representante para cada 50 sócios(as). Basta uma eleição simples, registrada em ata, para aclamar o representante.

Jeferson Maino, atualmente funcionário da EEEF Rachel Mello, conhece como poucos a função; tem 30 anos de estado e 26 como representante. “Nosso dia a dia é estar na sala dos professores, conversando, atualizando sobre as informações do Sindicato e mostrando a necessidade de participação. Todas as conquistas que tivemos até hoje foram através da luta, por isso é tão importante que a gente se organize”, conta.

Renovação

Além dos quadros mais experientes, a conjuntura difícil tem atraído representantes mais jovens à luta. É o caso da Jéssica Martins de Paiva, professora da EEEF Dr. Alcides Marques, de Jaguarão. Ela enfrentou mais de duas horas de estrada para participar pela primeira vez do conselho. “Estamos em um pós-golpe, com o fascismo tomando conta do país e as políticas neoliberais atacando nossos direitos. Então é muito importante que a juventude faça parte, se encoraje e tome conta dos espaços em que podem modificar as estruturas”.

Para Daniel Damiani, diretor do departamento de Juventude do CPERS, a renovação é fundamental para fortalecer a luta. “Fazer a estrutura do Sindicato funcionar na base é fundamental, e Pelotas é uma referência nesse sentido. Mas nós também precisamos que os jovens educadores estejam representados”, coloca.

Outra jovem professora, Solange de Oliveira participou do conselho pela segunda vez. Como contratada, ela enxerga a necessidade de superar o assédio exercido sobre a categoria e ter coragem para retomar para participar. “Estão vindo para cima de nós e precisamos reagir. Fazem terrorismo com os contratados, mas eu sempre dou o meu exemplo. Sempre participei das lutas e nunca tive que dar explicação à CRE. Precisamos conversar, fortalecer, agregar e mobilizar”, diz.

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