Nesta terça-feira (25), o CPERS Sindicato viveu um dos momentos mais simbólicos de sua trajetória: a entidade foi condecorada com a Medalha do Mérito Farroupilha, a mais alta honraria concedida pelo Estado do Rio Grande do Sul. A homenagem, proposta pela deputada estadual Stela Farias (PT), foi entregue no Salão Júlio de Castilhos, na Assembleia Legislativa, em reconhecimento aos 80 anos de luta incansável na defesa da educação pública.

A cerimônia reuniu figuras históricas da entidade, como ex-presidentes, representantes da atual direção estadual e dirigentes dos 42 núcleos, que testemunharam um marco que transcende a vida institucional do Sindicato. Hoje, com quase 80 mil sócios, o CPERS reafirma-se como uma das entidades representativas mais importantes do Brasil. Além de sua reconhecida atuação política, a entidade presta assistência jurídica e médica, e promove atividades de formação, cultura e lazer, consolidando seu papel como referência nacional na organização da classe trabalhadora.
“O que o CPERS significa para o Rio Grande do Sul”
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Zé Nunes (PT), abriu o evento destacando a dimensão histórica do Sindicato e sua resistência durante uma das décadas mais difíceis para a educação pública gaúcha.

“O que significa o CPERS para o Rio Grande do Sul? Nesta última década, presenciei retrocessos profundos sendo votados nesta Casa. Chorei com vocês. Criaram um Frankenstein com a folha de pagamento dos educadores. Mesmo muito atacada pelas forças de direita, a firmeza da educação pública no RS só existe por causa de vocês. O CPERS esteve presente em todos os momentos, na defesa da democracia, da escola pública e dos direitos. As coisas só não são piores por causa dessa categoria, majoritariamente formada por mulheres guerreiras que seguraram a educação do estado.”
“Jamais deixaremos de lutar”
Visivelmente emocionada, a presidente do CPERS, Rosane Zan, recebeu a medalha em nome de toda a categoria e lembrou que a conquista pertence a cada educador e educadora que, desde 1945, fez do Sindicato uma trincheira permanente de enfrentamento.

“É uma emoção representar essa categoria tão grandiosa. São 80 anos de história, de luta e de resistência. Nunca nos rendemos para nenhum governo. Nossos aposentados, professores e funcionários, sempre estiveram no movimento. Esta Casa sempre nos ouviu, porque nós nunca deixamos de bater nossas sinetas e levantar nossas bandeiras. Atualmente, vivemos uma ditadura velada. O governo Leite diz que dialoga, diz que a educação é prioridade, mas não é isso que se vê no chão da escola. Mas a partir desse reconhecimento, reforçamos que jamais deixaremos de lutar por uma educação pública, gratuita, laica e de referencial social.”
Uma homenagem carregada de memória, história e compromisso com o futuro
A deputada Stela Farias, proponente da homenagem, professora da rede estadual e sócia do CPERS desde jovem, emocionou o plenário ao recordar sua relação pessoal com o Sindicato.

“Aprendi política na rua, com o CPERS e com o som das sinetas. Minha mãe foi a primeira da família a se associar ao Sindicato, lá na greve de 1979. Ali se consolidou minha consciência de classe. Não começamos hoje: essa história remonta a 21 de abril de 1945. E é preciso lembrar disso, especialmente quando o projeto de destruição da educação pública segue em curso. Vivemos tempos muito difíceis. O governo Leite quer vender escolas. Não é por acaso: é um projeto que prioriza o mercado e adia direitos constitucionais. Esta medalha não é só para o CPERS, é para cada professor, cada funcionário que carrega a escola pública nas costas. Que esta honraria seja uma renovação da luta.”
Stela também relembrou greves históricas, ex-presidentes da entidade e o impacto devastador dos ataques à educação nos últimos dez anos, que, segundo afirmou, “comprometem o futuro da escola pública gaúcha”.
Um marco para o presente, um chamado para o futuro
A Medalha do Mérito Farroupilha reconhece oficialmente aquilo que a comunidade escolar e a sociedade já reconhecem há oito décadas: a educação pública no Rio Grande do Sul só permanece de pé, porque milhares de educadoras e educadores escolheram resistir diariamente, nas ruas, nas escolas, nas assembleias e nas trincheiras de cada conquista.

Ao final do evento desta terça (25), com as(os) presentes entoando o histórico hino do Sindicato, ficou claro que a homenagem não encerra um ciclo: abre um novo capítulo. Um capítulo que reafirma a história, honra o presente e projeta o futuro de uma luta que ainda está longe de terminar.
Viva o CPERS! Viva a educação pública! Viva a resistência do ensino público, que faz do Rio Grande do Sul um território de memória, justiça e dignidade!
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