CPERS participa do lançamento da Frente Parlamentar de Apoio à Previdência Pública


A Frente Parlamentar de Apoio à Previdência Pública foi lançada na tarde desta quinta-feira (11) na Assembleia Legislativa. Representantes do CPERS e de outras entidades sindicais, além de parlamentares, estiveram presentes no evento.

A Frente, proposta pelo deputado Pepe Vargas (PT), tem o objetivo de combater a Reforma da Previdência por meio da luta em defesa de uma aposentadoria digna para todos(as) os(as) trabalhadores(as). A ideia é realizar agendas de mobilizações na capital e no interior do estado.

“Nós criamos a Frente Parlamentar para que ela seja um instrumento do povo gaúcho e do povo brasileiro na defesa da previdência pública, sendo um modelo que garante que as pessoas possam trabalhar e, quando se aposentam, tenham uma vida com dignidade”, afirma o deputado.

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, ressaltou a importância da união de todos(as) os(as) trabalhadores(as) na luta contra a Reforma, buscando espaços para a discussão com a sociedade sobre o desmonte da aposentadoria.

“O CPERS está desde o dia 27 de fevereiro na estrada alertando a categoria sobre a Reforma da Previdência. Estaremos juntos em todos os espaços para ampliar esta discussão. Não permitiremos esse retrocesso” destaca Helenir.

Helenir também fez um alerta sobre as consequências sociais da Proposta de Emenda Constitucional que altera as regras previdenciárias, encaminhada pelo governo federal ao Congresso Nacional.

“Só os banqueiros ganham. Para os trabalhadores, resta 60% da média de todos os anos de contribuição, justamente, no momento em que mais precisam de cuidados com a saúde. No Chile, que implantou o mesmo modelo, só no ano passado, mil aposentados se suicidaram. E no Japão, idosos cometem pequenos delitos para irem presos e terem moradia e alimentação”, relatou.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 30 países que migraram para o regime de capitalização nos anos 90, 18 deles recuaram, retomando o sistema de repartição público e solidário.

No Chile, modelo que inspira a reforma no Brasil, mais de 90% dos(as) aposentados(as) recebem pensões inferiores a R$ 694, o equivalente a quase metade do salário mínimo do país (R$ 1.200).  No sistema de capitalização chileno, fundos privados de grandes bancos assumem a administração dos recursos da previdência e não há contribuição por parte de empregadores(as) ou do Estado.

Crueldade

O secretário de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Ademir Wiederkehr, classificou a proposta apresenta pelo presidente Jair Bolsonaro de cruel. “A PEC 06/2019 significa o fim da aposentadoria para milhões de brasileiros. As opções que oferece são cruéis: trabalhar até morrer ou se aposentar na miséria. Ao mesmo tempo, mantém privilégios, especialmente, dos militares”, acusou.

O presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Guiomar Vidor, considera que se concretiza no Brasil “o maior ciclo de regressão civilizatória de sua História”, com o desmantelamento de direitos sociais e trabalhistas numa “escala nunca vista”. Para ele, só há uma verdade nas alegações do governo: “vai ser uma nova previdência, pois o sistema deixa de ser público para ficar atrelado aos bancos. Sem dúvida, uma mudança radical”, apontou. Vidor lembrou ainda que a CPI da Previdência Social, instaurada no Senado Federal, demonstrou que o alegado deficit não existe. “Nem as justificativas e nem a proposta são sérias. O governo quer economizar R$ 1 trilhão em dez anos cortando os direitos dos trabalhadores, mas gasta R$ 1 trilhão por ano com a dívida pública”, comparou.

Os sindicalistas lembraram que o próximo 1º de Maio será o Dia Nacional de Lutas em Defesa da Previdência Pública, organizado por todas as centrais sindicais brasileiras.

Além de Pepe Vargas, a cerimônia de instalação da Frente Parlamentar contou com a presença dos deputados Zé Nunes (PT) e Sofia Cavedon (PT).

 

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