CPERS participa do Encontro das Crianças Sem Terrinha, na capital


O 19º Encontro Estadual das Crianças Sem Terrinha, que iniciou na última quinta-feira (10), em Nova Santa Rita, chegou na sexta-feira (11) em Porto Alegre. Apresentações culturais e artísticas, circuito de brincadeiras, sessão de cinema e estudos, além de ato público na capital para debater o direito à infância, a educação pública de qualidade e a realidade das escolas do campo nas áreas de Reforma Agrária, integraram a programação.

As dirigentes da direção central do CPERS, Candida Rossetto e Vera Lessês acompanharam as atividades desenvolvidas. As crianças participaram de um debate sobre a educação pública e de qualidade no campo, no Memorial do Legislativo, no centro histórico de Porto Alegre, além de atividades culturais.

“Foi uma verdadeira aula de cidadania que presenciamos. Ali, eles manifestaram os principais problemas que atacam a educação do campo e reforçaram, a uma só voz, o direito a educação, a infância e a brincar. O Movimento dos Sem terrinha atua no sentido de lutar por estes direitos, assim como o CPERS tem buscado defender a educação pública de qualidade e a defesa da educação”, destacou Candida.

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A organização do Encontro entregou a Carta das Crianças Sem Terrinha à Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, ao Conselho Estadual de Educação e a Promotoria da Infância e Juventude.

No dia das crianças ocorreram mais apresentações artísticas e um circuito de brincadeiras para que comemorassem a data.

Carta das Crianças Sem Terrinha

“Nessa história, nós somos os sujeitos, lutamos pela vida e o que é de direito!”

Nós, crianças Sem Terrinha do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra/RS, juntamente com toda a família do MST, neste 19º Encontro Estadual, debatemos o Direito à Infância, a educação pública de qualidade e a realidade das escolas do campo nas áreas de reforma agrária.

Somos filhos e filhas de uma história de luta. Nossos pais nos ensinaram que a terra onde produzimos nossos alimentos, a casa onde moramos, a escola onde estudamos foram conquistados com muita luta coletiva. Completamos 25 anos de Encontro das crianças Sem Terrinha.

Ainda não temos as condições necessárias nos nossos assentamentos; nosso direito a escola de qualidade é negado! Nossa vida escolar é prejudicada pelas más condições das estradas que, quando chove, o transporte escolar não circula. Por vezes, ficamos três dias da semana sem aulas, em vista das situações das estradas. Também falta infraestrutura nas escolas e não temos biblioteca, laboratórios e até sala de aula; não temos rede de internet, chove dentro da escola.

Os nossos assentamentos não recebem manutenção nas estradas, o que acarreta a perda de produção; faltam incentivos a espaços culturais, esportivos, postos de saúde, bem como incentivo para a produção orgânica e agroecológica.

Queremos viver no campo e para isso a escola precisa ter condições de estudo e ensino com qualidade e que o trabalho e a produção da campo sejam valorizados.

Nossas escolas necessitam de melhores condições:

-Reformar os prédios existentes e construir quadras de esportes (cobertas) para termos espaço para diversas atividades, refeitórios; aumentar as salas de ula, pois não dão conta da demanda;

-Garantir um currículo que dialogue com a realidade do campo, que valorize o trabalho camponês e que desenvolva as diversas linguagens artístico-culturais;

-Ter formação para os educadores e educadoras das escolas do campo;

-Garantir a contratação de professores para suprir a demanda de trabalho nas escolas , bem como o quadro de funcionários: secretária(o) e bibliotecário(a);

-Rever o valor de contrato de transporte escolar com as prefeituras municipais. Fiscalizar as condições do transporte escolar e aumentar as linhas de transporte;

-Subsidiar projetos de experiência agroecológica e de cuidado com o meio ambiente.

SEM TERRINHA EM MOVIMENTO: POR TERRA, ESCOLA E DIGNIDADE!

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