Cotado para ministro já chamou professores de semianalfabetos e extinguiu cargos de funcionários de escola


Cotado para novo ministro da Educação, Renato Feder já defendeu o fim do próprio Ministério da Educação.

Embora sem oficialização até as 17h desta sexta, o empresário é dado como ministro pela imprensa.

Em livro publicado no ano de 2007, intitulado Carregando o Elefante – Como Transformar o Brasil no País Mais Rico do Mundo, Feder defende a privatização total de escolas e universidades.

Seria a devastação do setor público e o fim da educação gratuita e universal.

Feder e o coautor do livro, Alexandre Ostrowiecki, também fazem afirmações como  “Alunos das escolas públicas estudam com professores semianalfabetos, tirando as piores notas de Matemática do mundo” e que os profissionais do Magistério são “habitualmente oriundos dos 30% com as piores notas.”

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As ideias estão de todo alinhadas com o pensamento ultraliberal do ministro Paulo Guedes, que defende abertamente a adoção de sistemas de “vouchers” na educação básica, além de ser

À frente da Secretaria Estadual de Educação do Paraná desde 2019, Feder fez uma gestão marcada pela falta de diálogo, retirada de direitos, sucateamento da educação e ataque à gestão democrática – tentando alterar a legislação para a eleição de diretores de escola.

No dia 29 de abril, em votação de dar calafrios, a Assembleia Legislativa do Paraná extinguiu o cargo dos funcionários(as) de escola e autorizou a terceirização dos quadros. Projeto de Feder.

Em dezembro passado, o governo paranaense demitiu arbitrária e ilegalmente mais de 500 educadores(as) PSS, semelhantes aos contratos emergenciais no Rio Grande do Sul. Em junho, a APP-Sindicato, que representa as redes estadual e municipais, reverteu a decisão na Justiça.

“Ele não sabe lidar com a divergência, nega a natureza política do cargo. No primeiro conflito, ele simplesmente rompeu a mesa de negociação. Ele lida com a Secretaria como se fosse uma empresa, é o dono e pronto”, afirmou Walkiria Mazeto, secretária de Finanças da APP, à Folha.

Sua gestão também contratou sem licitação uma empresa obscura, responsável pela criação da TV Bolsonaro, para o desenvolvimento do aplicativo Aula Paraná, utilizado durante a pandemia.

Novamente com dispensa de licitação, Feder contratou uma rede afiliada da TV Record para transmitir vídeo-aulas, mas o alcance do sinal deixou de fora alunos de 165 município do estado.

Na visão de Andressa Pellanda, coordenadora geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o novo ministro segue a mesma linha do anterior.

“Feder defende privatizações e uma perspectiva de educação reducionista. Merece a mesma desconfiança. O estrago do ‘técnico’ é o mesmo do ‘ideológico’: ambos seguem a mesma ideologia antidireitos e anticiência do Bolsonarismo.”

Para a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, também não há surpresas.

“Para o atual presidente, o Brasil gasta demais com educação. Estava no plano de governo de Bolsonaro para quem quisesse ver. Não podemos esperar nada diferente do que desmonte, precarização e mercantilização.”

No currículo, Feder também responde a duas denúncias do Ministério Público, tanto do MP do Rio de Janeiro quanto do MP de São Paulo por fraude fiscal totalizando R$ 22 milhões. 

O CPERS mantém a posição do seu Conselho Geral: não adianta mudar o ministro. É preciso cassar a chapa Bolsonaro e Mourão e mudar todo o governo.

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