Conectadas na luta: aposentadas e aposentados do núcleo de Ijuí participam de reunião virtual


Nossas aposentadas e aposentados seguem superando desafios e diminuindo a saudade através dos encontros virtuais promovidos pelo Departamento de Aposentados(as) do CPERS.

Nesta sexta-feira (10), em clima de descontração e muito afeto, mais de 60 representantes da região de Ijuí (31º Núcleo) se encontraram para debater sobre a luta, receber informes jurídicos e saber como a pandemia do Covid-19 está afetando a categoria.

Glaci Weber, coordenadora do Departamento dos Aposentados(as) do CPERS, abriu o encontro saudando os presentes e destacando a importância desses momentos para a categoria.

“Já que presencialmente não é possível, estamos aproveitando esses encontros virtuais para diminuir a distância física e esclarecer dúvidas dos nossos aposentados. Essa é a oportunidade de levar informações até vocês e também ouvi-los”.

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, destacou a brava luta que a categoria realizou contra o desconto da previdência para os aposentados. Mas que, infelizmente, por Eduardo Leite (PSDB) ter a maioria dos votos na Assembleia Legislativa, a vitória não foi possível.

“Fizemos uma greve muito forte que fez com que a Assembleia Legislativa alterasse o projeto inicial do Leite. Nosso movimento estourou a bolha da nossa categoria e atingiu toda a sociedade, não podemos esquecer nunca disso”. 

A diretora do 31° Núcleo (Ijuí), Teresinha Mello, disse estar muito feliz com o encontro da região e relembrou a importância de persistir na luta mesmo nestes tempos tão incertos. 

“A nossa luta não pode parar mesmo a distância. Continuamos na busca por melhores salários, melhores condições e o sindicato é o local de nos unirmos e enfrentarmos tudo isso e também de lembrar de todas as vitórias e conquistas que tivemos”. 

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A realidade da pandemia 

O ponto alto do encontro desta sexta foi a conversa com o Dr. Eduardo Chiela, convidado para passar informações sobre a pandemia e alguns cuidados importantes para esse momento. 

Eduardo é biomédico, mestre e doutor em biologia celular e molecular pela UFRGS. Ele também é professor adjunto do Departamento de Ciências Morfológicas do Instituto de Ciências Básicas da Saúde da UFRGS e pesquisador do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

No primeiro ponto da conversa com as aposentadas ele ressaltou que o problema da pandemia vai além dos efeitos do vírus tão comentados por todos.

“Não é um problema de uma pessoa só, é um problema de todos. O vírus não escolhe quem vai contaminar, mas as consequências dele não são nada democráticas. Nós estamos enfrentando um problema social tremendo e se a gente não tiver um cuidado muito grande a situação pode piorar ainda mais”. 

O professor, que relatou estar desde o início da pandemia em casa e saindo somente quando necessário, enfatiza que esse é um problema de todos e que o egoísmo de alguns poderá ser prejudicial em grande escala. 

“Muitas pessoas me dizem, mas tu és novo, tu não tá exagerando? E eu sempre respondo, esse é um problema de todo mundo. Precisamos cuidar agora para que no futuro não cheguemos ao ponto de ter que escolher quem vai para o respirador ou quem vai para a UTI”.

Dentre as muitas questões levantadas para Eduardo, a presidente Helenir apresentou sua preocupação com a situação aqui no Rio Grande do Sul. 

“Aqui nós temos as tais das bandeiras, mas ainda assim crescem a contaminação e as mortes. O que percebo é que quando está vermelha as pessoas vão para a rua porque ainda não está preta, quando está laranja saem porque ainda não está vermelha e assim por diante. As vezes sinto que as bandeiras estão mais atrapalhando do que ajudando na conscientização da população”. 

Eduardo foi enfático na resposta. “O sistema de bandeiras está invertendo o papel das coisas. Não existe comemoração quando a bandeira está laranja porque o vírus segue existindo. E quando está vermelha não é para esperar chegar na preta para tomar providências. Bandeira não serve para nada se não tiver comprometimento social”. 

Quando questionado sobre o possível retorno as aulas no estado, o professor demonstrou grande preocupação e ressaltou que esse não é o momento.

“Existem dois fatores que são muito  importantes antes de pensar em voltar, o primeiro é que o coronavírus não vai embora e só o isolamento pode evitar que todo mundo pegue ao mesmo tempo. Segundo, ambientes que ficam muito fechados, tipo salas de aula, vão ter que se adaptar para circular o ar e ainda assim as pessoas terão que permanecer de máscara mesmo com a ventilação, como vamos adaptar isso a realidade das escolas públicas?”

O biomédico ainda passou uma visão mais pessoal do cenário. “Minha mãe é diretora de escola e pelo que percebo dos relatos dela sou totalmente contrário”. 

Ele ainda finaliza: “Não existe condição de retorno das aulas agora. Imaginem 30 ou 40 crianças em um ambiente podendo se contaminar e levando para suas casas o vírus. Isso é totalmente inviável. Precisamos nesse momento priorizar a vida, não podemos colocar em risco milhares de pessoas somente pensando na economia, pois saúde e economia não são dissociáveis. Precisamos garantir primeiro as condições adequadas para um retorno seguro”.

Ao fim da conversa, Eduardo recomendou a leitura de uma cartilha de comportamento desenvolvida pelo Prof. de Imunologia e Doenças Infecciosas Erin S. Bromage, Ph.D., da University de Massachusetts Dartmouth, que trata de temas como o que evitar e o que diminui o risco de infecção. Você pode acessar o material aqui.

Em sua página no Facebook, o Dr. Eduardo também publica dicas e dados científicos sobre o vírus e a pandemia. 

Apresentações culturais 

Uma novidade na reunião dessa semana foram as apresentações culturais que agora passam a integrar a programação. Como ressaltado pela diretora Glaci, a cultura sempre fez parte de todos os encontros de Aposentados(as) do CPERS e nos virtuais não poderia ser diferente. 

Teve apresentação do Coral de Aposentadas do 12º Núcleo que mostraram que os ensaios, mesmo a distância, estão dando resultado. Elas apresentaram a primeira música gravada fruto dos seus encontros virtuais semanais. 

A diretora do 12° Núcleo (Bento Gonçalves), Juçara de Fátima Borges falou um pouco sobre a importância desses encontros para matar a saudade e para mostrar que a tecnologia não é obstaculo mesmo isoladas durante a pandemia. 

“É  importante este momento para as participantes do coral, estes ensaios online  são também  uma maneira de se encontrarem. Estes encontros trazem um alívio e o canto faz tão bem para a alma que a gente se sente unido mesmo que virtualmente”. 

Nessa sexta quem também se apresentou foi o casal de educadores aposentados, Jane e Nicola. Eles cantaram uma música para aquecer os corações dos participantes. 

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Alterações na Carreira e na Previdência

Na última parte do encontro, a presidente Helenir e o advogado Marcelo Fagundes, representando a assessoria jurídica do CPERS, fizeram um breve resumo do andamento de importantes questões para toda a categoria. 

Primeiramente foi apresentada uma retrospectiva desde a greve para que todos possam entender a situação atual das mudanças na carreira e na Previdência Estadual. 

“Muitos de vocês viram os seus salários diminuir, e muito, desde o mês de abril. Eu sou aposentada 20h e também senti na pele esse desconto. Nós estamos há seis anos sem reajuste e o governo vai lá e nos tira até 500 reais que fazem muita falta no fim do mês”, relatou Helenir.

A presidente reforçou que o Sindicato segue na luta para reverter o confisco nos salários dos aposentados(as) estaduais e para barrar o congelamento dos salários dos servidores, mais um ataque vindo do governo federal e respaldado pelo governador Eduardo Leite (PSDB). 

Nos informes jurídicos, Marcelo relatou como está a situação do processo dos descontos da Previdência.

O advogado falou sobre a suspensão da liminar do CPERS pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), quando o ministro Dias Toffoli autorizou a cobrança de alíquotas de aposentados que recebem abaixo do teto do INSS (R$ 6,1 mil), conforme projeto aprovado pelo governo Leite.

Logo após a decisão, o CPERS ingressou com uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que aguarda  a análise do mérito pelo STF em julgamento sem data prevista. “Para nós esse desconto é inconstitucional. Temos convicção que apresentamos elementos contundentes para derrubar essa decisão. Estamos trabalhando forte para que isso aconteça quanto antes”, disse Marcelo. 

Outra situação debatida e que requer atenção dos aposentados(as) é quanto aos descontos no contracheque. 

“Verificamos que alguns contracheques vieram com erro, por exemplo, quem já estava aposentado não é para ter alteração no difícil acesso ou nas gratificações, precisamos cuidar para não ter perdas a mais do que as que já estão nos tirando”, enfatizou Helenir. 

Se você percebeu alguma alteração indevida no seu contracheque contate a nossa Assessoria Jurídica pelo telefone 51 3073.7512 das 9h às 12h e das 14h às 17h ou o nosso Serviço de Atendimento ao Sócio (SAS) através do whatsapp 51 9569.0465 ou do e-mail sas@cpers.org.br de segunda a sexta das 8h30 às 17h.

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