Comunidade escolar diz não à municipalização da EEEB Dr. Celestino Lopes Cavalheiro, em São Gabriel


Na noite desta quinta-feira (29), representantes do CPERS, educadores(as), estudantes, pais, mães e responsáveis, da EEEB Dr. Celestino Lopes Cavalheiro, em São Gabriel, reuniram-se para cerrar fileiras em defesa da instituição.

Munidos de cartazes e muita determinação, a comunidade escolar realizou um ato no pátio da escola para deixar o recado: não à municipalização!

Na ocasião, a diretora da Celestino, Giane Dorneles Monteiro, destacou a preocupação da comunidade com o futuro da instituição que, atualmente, atende cerca de 420 estudantes, no Ensino Fundamental e na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

“Somos uma família, a família Celestino. Ficamos tristes com o desrespeito do governo ao nos tratar somente como números. Temos uma história de 85 anos na comunidade Gabrielense, de dedicação e formação humana. A comunidade escolar não concorda com a municipalização. A nossa escola é referência de educação, organização, carinho e atenção com os alunos. Temos uma boa infraestrutura, possuímos mobiliário novo para os alunos e professores, acesso às tecnologias, excelentes profissionais, que resultou no melhor IDEB dos anos iniciais do município”, revelou a diretora.

Giane, ainda ressaltou que ficou sabendo da tentativa de municipalização através da assessoria jurídica da 19ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e que, até agora, aguarda o contato da Seduc para debater o tema. “Fui procurar a secretária de Educação do município, que confirmou a informação. Mas ainda não recebemos um comunicado oficial da Seduc”.

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, alertou sobre os principais perigos do processo de municipalização. Caso ocorra, professores(as) e funcionários(as) de escola podem ficar sem seus postos de trabalho e estudantes podem perder a convivência com os educadores(as) e colegas que já estão ligados emocionalmente. “Se a escola for municipalizada, não fica nem um educador aqui! E a gente sabe que a afetividade, principalmente para os menores, é uma questão muito importante”, destacou.

Helenir ainda completou: “Escola não é mercadoria. Todos nós temos sentimentos e com a municipalização esses sentimentos não são respeitados. Para o governo, a escola é somente um número, apenas gasto, mas nós, que acreditamos na escola pública, não podemos permitir esse desrespeito. Não abram mão da escola de vocês, não abram mão dos professores e funcionários desta escola. Defendam a Celestino e contem com o CPERS nessa batalha”.

O diretor do 41º Núcleo do CPERS (São Gabriel), Pedro Moacir Moreira, destacou que a qualidade da escola é o alvo do município. “Vocês serão mais um número para a gestão municipal, que quer aumentar a arrecadação no Fundeb, essa é a verdade”.

Outra preocupação da comunidade escolar, exposta pela diretora do Sindicato, Juçara Borges, é quanto ao enxugamento da oferta de vagas para a EJA, modalidade atendida pela escola Celestino. “A EJA é muito importante, principalmente, para estudantes das escolas públicas. Os governos querem fechar as turmas de EJAs e retirar da gente o direito de voltar a estudar. Temos que defender a escola, sim, contem conosco”.

Não à municipalização!

Na próxima quarta-feira (5), às 19h, será realizada uma audiência pública na Câmara de Vereadores de São Gabriel para tratar sobre o tema. A escola também está organizando um abaixo-assinado.

O CPERS seguirá na luta com professores(as), funcionários(as) e toda a comunidade escolar da Celestino, para barrar a municipalização e em defesa de uma escola pública de qualidade e acessível para todos(as).

Mobilizar a comunidade é fundamental

O Sindicato orienta as comunidades de escolas ameaçadas de municipalização a mobilizarem-se para impedir a continuidade do processo.

Audiências públicas, reuniões com pais e estudantes para organizar o apoio da sociedade, abaixo-assinados e pressão nos deputados, vereadores, secretários de educação e prefeitos são alguns dos movimentos recomendados.

Solicitamos também que casos semelhantes de desmonte sejam comunicados aos núcleos do CPERS.

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