#CaravanaDaVerdade mobiliza milhares de educadores em 160 cidades


Durante cinco semanas, a #CaravanaDaVerdade pegou a estrada com o desafio de cruzar o Rio Grande do Sul. Foram 31,8 mil quilômetros rodados, 430 escolas de 160 municípios gaúchos percorridos em todos os 42 núcleos do CPERS.

O encerramento do percurso ocorreu nesta sexta-feira (25), passando pelos núcleos de Camaquã (42º) e Cachoeira do Sul (4º) com o sentimento de dever cumprido.

No chão da escola, o Sindicato mobilizou milhares de professores(as) e funcionários(as) – da ativa e aposentados – para ampliar a unidade na defesa dos direitos duramente conquistados pela categoria.

Em entrevistas para jornais e rádios locais, foram desmascaradas as mentiras de Eduardo Leite (PSDB), governador que se beneficia da dor de quem faz a escola acontecer para milhares de crianças e jovens.

O encontro emocionante com os educadores(as) sintetizou um dos maiores propósitos da iniciativa: é preciso unir forças para esperançar um futuro digno para a educação, que só se faz com a luta de cada um e cada uma.

Mais do que isso, derrotar governos que não valorizam o ensino público gaúcho e seus trabalhadores(as) é um dever de todos(as).

Não à toa, no dia 1º de Abril, Dia da Mentira, ocorre a Assembleia Geral do CPERS, em frente ao CE Júlio de Castilhos, o Julinho, em Porto Alegre, a partir das 13h30. A presidente Helenir Aguiar Schürer convoca a categoria para construir forte mobilização.

“A força dessa Caravana culmina na Assembleia Geral. Precisamos mostrar – sem sombra de dúvida – que esse governo não nos intimidará; enquanto houver coragem, haverá luta”, enunciou a presidente Helenir.

Escolas visitadas nesta sexta (25)

Camaquã (42º)

EEEF Dr. Carvalho Bastos, Camaquã
IEE Cônego Luiz Walter Hanquet, Camaquã
EEEM Vereador José Adão de Assis Barbosa (CIEP), Camaquã
EEEM Ana César, Camaquã
CE Sete de Setembro, Camaquã
EEEF CIEP Darcy Peixoto da Silveira, Cristal
CE Bento Gonçalves da Silva, Cristal
EEEM Dr. Donário Lopes, Arambaré
EEEF Nossa Senhora do Carmo, Tapes
IEE Coronel Patrício Vieira Rodrigues, Tapes

Cachoeira do Sul (4º)

EET Nossa Senhora da Conceição, Distrito de Três Vendas
EEEF Cândida Fortes Brandão, Cachoeira do Sul
EEEM Vital Brasil, Cachoeira do Sul
CE Diva Costa Fachin, Cachoeira do Sul
IEE João Neves da Fontoura, Cachoeira do Sul
EEEF Rio Jacuí, Cachoeira do Sul
EEEM Dr. Liberato Salzano Vieira da Cunha, Cachoeira do Sul
EEEF Dinah Néri Pereira, Cachoeira do Sul
EEEM Virgilino Jayme Zinn (CIEP), Cachoeira do Sul
EEEB Borges de Medeiros, Cachoeira do Sul

Precariedade das escolas

Enquanto o governo anunciou R$ 1,2 bilhão para obras e qualificação de escolas no RS, representantes da Direção Central e dos núcleos escancararam a realidade durante a #CaravanaDaVerdade.

São instituições com aulas em porão paroquial ou contêineres, teto caindo, rachaduras na parede e rede elétrica comprometida – e sem qualquer aceno do Estado de quando os problemas serão resolvidos.

Além disso, o CPERS verificou escolas com falta de educadores(as), problemas no transportes, recursos insuficientes, entre outras carências.

Confira, abaixo, a situação de algumas escolas visitadas durante toda a Caravana!

Uruguaiana

Em novembro de 2021, a caravana do CPERS por #ReposiçãoJá passou pela EEF Hermeto José Pinto Bermudez, de Uruguaiana, quando a comunidade escolar realizou um ato para denunciar 12 meses sem energia elétrica. Três meses após o ocorrido, a comunidade escolar ainda clama para que o problema seja resolvido.

Santo Antônio das Missões

A ETE Achilino de Santis, de Santo Antônio das Missões, que oferece o Curso Técnico em Agropecuária, está sofrendo com a estiagem. Assim como em grande parte do Rio Grande do Sul, há perdas na lavoura de milho e soja, que davam o suporte financeiro para a manutenção da escola; o dinheiro que o Estado dispõe é insuficiente para cobrir os custos da instituição de ensino.

Cerro Largo 

A EEEB Eugênio Frantz, de Cerro Largo, é mais um retrato do autoritarismo do governo Eduardo Leite (PSDB) com a educação. Durante a #CaravanaDaVerdade, ao visitar a instituição, o CPERS recebeu a denúncia do fechamento do turno da tarde – sem qualquer diálogo com a comunidade escolar.

Atendendo somente no turno da manhã, as aulas começam às 7h30 e terminam até 12h30, o que prejudica o transporte escolar, que é feito em parceria com o município. A desorganização do Estado é tanta que os horários entre o transporte conveniado com o município e as aulas não batem, já que este não chega até o local às 7h da manhã. A medida autoritária também prejudica os educadores(as) que lecionam em outras escolas e não têm tempo hábil para chegar até outras instituições pelo horário imposto.

Porto  Alegre

Aulas no escuro e salas de aula interditadas, assim como em diversas outras escolas já denunciadas pelo CPERS, essa é a realidade da EEEF Brasília, de Porto Alegre.

Na Escola Normal 1° de Maio, faltam três funcionários(as) de limpeza. Atualmente a instituição conta com apenas um profissional para cumprir as tarefas do dia a dia. Na instituição, também faltam monitores para atender os dez alunos especiais matriculados.

Já na EEEF Onofre Pires, o Sindicato verificou os mesmos problemas constatados na última Caravana, realizada em novembro do ano passado. O piso da secretaria segue extremamente danificado. Devido a infiltrações, todo o parquê do chão descolou. O problema persiste desde 2019; quatro salas de aula já começam a apresentar o mesmo problema. Além disso, no terreno que fica na parte de trás da escola, o esgoto continua a céu aberto e o mato toma conta do espaço.

A persistência das dificuldades também foi constatada na EEEF Dr. José Carlos Ferreira. Parte do prédio corre o risco de desabar. E ainda há problemas de infiltrações nas paredes e risco de desabamento da fachada. A instituição também aguarda a liberação da verba do governo.

Arroio dos Ratos 

Em Arroio dos Ratos, a EEEF Lygia Gonçalves Motta está com duas salas de aula interditadas.

Com o retorno totalmente presencial das aulas, foi preciso abrir mão do espaço da secretaria, da biblioteca e do laboratório de informática para acomodar os alunos(as).

Já no Instituto de Educação Couto de Magalhães, na mesma cidade, os(as) educadores(as) queixam-se do grande número de alunos(as) em sala de aula. Atualmente, o IE atende a cerca de 800 alunos(as).

Eugênio de Castro

Em Eugênio de Castro, a EEEB Theodorico Alves Teixeira precisa de pintura e outros reparos urgentes, mas até agora aguarda liberação de verba do projeto das escolas padrão, lançado pelo governo Eduardo Leite (PSDB) no ano passado.

A escola, que atende cerca de 170 alunos, ainda sofre com a falta de funcionários(as) e conta atualmente com duas merendeiras. Porém, uma delas está de licença saúde.

Palmeira das Missões

Em novembro do ano passado, a caravana do CPERS já havia passado pela EEEM Venina Palma, de Palmeira das Missões, quando denunciou que a escola, além do muro correr o risco de desabamento, sofria graves problemas elétricos há mais de dez anos.

Quase quatro meses após a visita, nada mudou. Em 2018, a escola iria receber o dinheiro BIRD, mas os recursos foram retirados.

Passo Fundo 

Em visita à EEEM Lucille Fragoso Albuquerque, de Passo Fundo, selecionada para ser escola padrão no programa Avançar na Educação, do governo Leite, educadores(as) e alunos(as) sofrem com sérios problemas elétricos.

Desde maio de 2019, os 370 alunos(as) da instituição tiveram que ser transferidos para um antigo prédio do Senai, que estava desativado. O local adaptado, que fica a 1Km da sede da escola, está muito longe de uma estrutura adequada de ensino.

Pior: é praticamente um depósito. Para complicar ainda mais a situação, a EEEM Lucille Fragoso Albuquerque também foi alvo de vândalos e não há dinheiro para os reparos.

Já na EEEF Maurício Sirotsky Sobrinho, de Passo Fundo, além não ter sede própria e as aulas funcionarem em prédio alugado há 30 anos, também sofre com a falta de funcionários(as): dois professores(as) de matemática e um coordenador pedagógico.

Veranópolis 

Ao retornar ao Colégio Estadual São Luiz Gonzaga, a maior escola pública de Veranópolis, dirigentes do Sindicato constataram que a situação segue exatamente a mesma: três andares continuam bloqueados. Em 2019, uma das vigas do prédio cedeu e os bombeiros interditaram o local.

Já são quatro anos de espera e com espaços importantes fechados. Além de salas de aula, a biblioteca, o laboratório de informática e as salas temáticas seguem sem acesso.

Rio Grande 

A Caravana também retornou ao IE Juvenal Miller, em Rio Grande, e confirmou a persistência do transtorno. A escola segue com graves problemas no telhado, que geraram infiltrações nas paredes e forro, comprometendo a estrutura do prédio. Um corredor inteiro e mais três salas de aula seguem interditadas. Parte do teto praticamente caiu em cima de um estudante.

Pelotas 

O CE Félix da Cunha, de Pelotas, é símbolo do descaso do governo com a educação pública. Com problemas gravíssimos de estrutura, a instituição, que atende alunos do Ensino Fundamental e Médio, aguarda por reformas há mais de dez anos, sem vislumbrar uma solução.

Os dois prédios históricos que abrigam a escola apresentam graves problemas, que se agravam e se alastram por toda a estrutura devido à longa espera pelas reformas.

Os transtornos mais graves concentram-se no prédio onde ficam os setores administrativos. O amadeiramento que sustenta toda a estrutura do hall de entrada cedeu e pode cair a qualquer momento. O acesso à instituição teve que ser transferido para o portão lateral.

No mesmo espaço, ficam o auditório, a biblioteca, a secretaria, a supervisão, a orientação escolar, a sala da direção e da vice-direção, uma sala de aula, as salas de projeto e atendimento educacional especializado e a sala dos funcionários.

Alguns destes locais já apresentam sinais de comprometimento da estrutura e, por isso, estão interditados. Na sala onde ficava o setor de recursos humanos, o teto caiu.

Já a EEEF Parque do Obelisco, do mesmo município, também pede socorro. Com o muro quase caindo, as crianças não conseguem aproveitar o recreio ou a aula de Educação Física, devido à falta de segurança.

Caxias do Sul

Em Caxias do Sul,  a EEEM Santa Catarina, que atende 1.100 alunos, está com falta de funcionários(as) para dar conta da demanda, principalmente pelos protocolos da pandemia.

A escola possui apenas uma merendeira, que já é idosa e está sobrecarregada; no noturno não tem funcionários(as) para a merenda. Além disso, há somente três servidores(as) para a limpeza de toda a escola.

Santiago 

O CE Monsenhor Assis, por exemplo, conta com somente três merendeiras no turno da manhã, duas à noite e dois funcionários durante o dia para atender cerca de 700 alunos em turno integral, do Ensino Fundamental ao Médio, em Santiago.

Ijuí 

Com rachaduras históricas e parte da estrutura interditada há cerca de dois anos, a EEEM Ruy Barbosa, Ruyzão, de Ijuí, é mais um retrato do descaso do governo Leite com a educação.

Por causa dos problemas estruturais, cinco salas de aula e mais o laboratório de Biologia foram comprometidos em um dos prédios da escola; no outro, a cozinha, o refeitório e dois banheiros estão interditados. Ainda não há previsão de quando o problema será resolvido.

Foi aberto um processo licitatório, a primeira empresa desistiu; a segunda teve problemas com o documento. Agora, o Estado passou a verba para a escola, que está localmente fazendo o contato com a empresa para resolver o problema.

Capela de Santana 

Na passagem pelo município de Capela de Santana, o CPERS visitou o IEE Manoel de Almeida Ramos e encontrou alunos(as) estudando em porão alugado de um salão paroquial da cidade. Tudo isso porque a obra do novo prédio da escola nunca saiu do papel. Já são seis anos nessa situação.

Mas o drama de não ter um espaço adequado vem desde 2013. Por isso, a escola precisou peregrinar durante anos por estruturas diferentes para receber seus estudantes.

São Leopoldo 

O IEE Pedro Schneider, Pedrinho, de São Leopoldo, enfrenta problemas estruturais graves. A situação se arrasta desde 2015, mas, em fevereiro, o prédio da escola, que tem quase 70 anos de história, foi interditado pelos bombeiros.

Os estudantes do Ensino Fundamental foram transferidos para a EEEM Dr. Caldre Fião. Já os do Ensino Médio sequer tiveram aulas presenciais e seguem no remoto.

Fios expostos no pátio deixam claro a gravidade do problema: a fiação elétrica precisa ser toda trocada.

No ano passado, a fiação antiga chegou a provocar um pequeno incêndio numa sala de aula. Uma tomada teria entrado em curto-circuito. Desde então, as preocupações aumentaram e a comunidade escolar sentia a necessidade dos reparos na parte elétrica e estrutural.

Cruz Alta 

A EEEB Margarida Pardelhas está desde 2013 fora da sua sede. O antigo local da escola foi interditado e as obras para o prédio novo começaram em 2018, mas, em 2020, pararam por falta de repasses da Seduc para a empresa contratada.

Para atender os 805 estudantes, a instituição alugou um prédio de um antigo hospital da cidade. Foram abertos dois quartos para fazer uma sala de aula.

Novo Hamburgo 

Em Novo Hamburgo, o CE Senador Alberto Pasqualini sofre com a falta de funcionários(as) para a limpeza e merenda, além de estarem com algumas salas sem estrutura.

A instituição conta com quatro funcionários para a limpeza, mas precisaria de pelo menos seis. Há apenas duas  cozinheiras para atender toda a demanda; quem termina a refeição do turno da noite é a equipe diretiva.

Santa Cruz do Sul

O prédio que abrigava as salas de aula da EEEM José Mânica, uma das instituições mais antigas de Santa Cruz do Sul – com mais de 80 anos de história -, precisou ser demolido por risco de desabamento, ainda em 2012.

Como medida emergencial, o governo adquiriu, no ano seguinte, quatro contêineres para que fossem transformados em salas de aula; mas a estrutura é muito frágil e as paredes são de gesso acartonado. O refeitório também é improvisado em outro contêiner, alugado em 2016.

A validade das estruturas era até 2018 e até agora o governo não fez absolutamente nada para resolver o problema; o projeto de novo prédio está parado na Secretaria de Obras.

São desembolsados pelo Estado cerca R$ 8 mil por mês para manter o espaço.

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