Caravana do CPERS segue na estrada mostrando o desamparo dos educadores e o abandono das escolas


Uma categoria que precisa ser ouvida e urgentemente valorizada. Esta tem sido a confirmação dos dirigentes do CPERS a cada escola em que passam com a Caravana por Reposição Já, que iniciou no último dia 11.

Nesta quinta-feira (18), representantes da direção central e dos núcleos do sindicato estiveram em escolas das regiões de Alegrete, Três de Maio, Santa Maria, Gravataí, Lagoa Vermelha, Bento Gonçalves, São Leopoldo e Passo Fundo.

Frente aos sete anos sem reajuste salarial, o esgotamento toma conta de professores(as) e funcionários(as) de escola que vêem o salário, já ínfimo, minguar diante do constante aumento de preços. Há ainda a retirada de direitos como o adicional do local de exercício (antigo difícil acesso), que fez minguar ainda mais os recursos dos educadores(as).

“Não tivemos a oportunidade de dialogar, mesmo estando há 32 anos nesta escola. Educadores(as) estão tendo que organizar caronas solidárias para conseguir vir trabalhar”, relata a diretora da EEEF Arthur Hormain, Angelina Kulmann.

Para a coordenadora pedagógica da escola, Regina Adriana Broglio, o Executivo não conhece as especificidades de cada região. “Não temos via de transporte público aqui. A estrada é difícil, sem falar no preço da gasolina”.

“O governo retirou todo o adicional, mesmo com a nossa região tendo problemas de segurança”, observou o diretor Ademir Lopes da Silva, da EE Eduardo Vargas.

Para a funcionária Elisa Barros Custódio , da EE Ecilda Alves Paim, a retirada representa uma perda de mais de R$ 200. “Perder dinheiro com tudo cada vez mais caro tem um impacto muito grande na nossa vida”.

Autoritarismo: sem diálogo, governo ataca direitos históricos

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, ressalta o fato de ser a primeira vez que um governo altera estes critérios sem dialogar com a categoria.

“O governo Leite se mostra autoritário e cruel. O sindicato sempre foi chamado para este diálogo, mas o governador retirou direitos no auge da pandemia, sem ter conversado com ninguém” alerta, ressaltando que o sindicato está reunindo estas informações para apresentar ao Executivo e rediscutir os critérios.

Junto com a diretora Carla Cassais e a diretora do núcleo 19º Rosa Maria Agostini Dotta, a presidente do CPERS esteve nas escolas: EE Marquês Alegrete, EE Arthur Hormain, EE Eduardo Vargas, EE Gaspar Martins, EE Dr. Lauro Dornelles, EE Ecilda Alves Paim, CIEP, Instituto Estadual de Educação Osvaldo Aranha. 

Escolas esquecidas: precariedade das instituições segue sem solução

Exemplos do descaso com as estruturas precárias das escolas se multiplicam a cada região visitada e nem de longe podem ser comparados com os dados ilusórios e as inverdades ditas pela secretária de educação, Raquel Teixeira.

Se o governo Eduardo Leite (PSDB) se recusa a conhecer e reconhecer o sucateamento das escolas gaúchas, o sindicato tem a responsabilidade e o compromisso de mostrar o cenário real vivido diariamente por educadores, estudantes e comunidade escolar.

Região de Santa Maria

O CE Coronel Pilar enfrenta problemas no sistema de distribuição de energia elétrica. É necessário aumentar a capacidade de carga. Por conta disso, não há como ligar ventilador e ar condicionado. Alunos têm aulas no calor.

Após um temporal que destruiu, em 2019, o telhado da escola, goteiras causam infiltração e umidade, que geram mofo pelas paredes. Quando chove, os alunos têm aulas na biblioteca e em outros espaços.

O prédio do IE Olavo Bilac é o mais antigo de Santa Maria, possui 120 anos. A instituição enfrenta sérios problemas, principalmente na parte elétrica. No ano passado, o local sofreu cinco arrombamentos.

A falta de funcionários sempre foi crítica. Hoje, o local precisaria de mais dois funcionários para a merenda e cinco para a limpeza, já que o espaço da escola é extenso.

A diretora Sandra Régio, acompanhada da diretora do 2° Núcleo, Dgenne Ribeiro além destas instituições, visitou o Colégio Manoel Ribas (Maneco) e a EEEB Profª Margarida Lopes.

“Queremos que cada professor e cada agente educacional seja devidamente valorizado. A Caravana tem denunciado todos ataques do governo. É importante a colaboração de cada um e cada uma em nosso sindicato”, ressalta Dgenne.

 Região de Gravataí

A EEEF Carlos Chagas, em Viamão, sofre ameaça de municipalização. A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) já fechou as matrículas e as rematrículas na escola. Atualmente, a instituição atende 200 estudantes, do 1° ao 5° ano, entre eles crianças especiais.

“Ficamos chateados, pois nossa escola tem toda estrutura. Temos tudo para atender bem os alunos e o governo quer entregar para o município”, lamenta a vice-diretora, Lúcia Galant.

Os diretores Cássio Ritter e Leonardo Echevarria, acompanhados da diretora do 22º núcleo, Leticia Coelho Gomes e do tesoureiro, Jussemar da Silva, estiveram também no IEE Isabel de Espanha, na EEEM Ponche Verde, na Escola Brigadeiro Antônio Sampaio, na EEEB Gentil Viegas Cardoso e na EEEM Professora Sônia Maria Rangel Paim.

“A situação é tão triste, as escolas estão abandonadas. Nossa situação também não está fácil, são 7 anos sem reajuste salarial. Estamos deixando claro que o reajuste é para todos”, destaca o diretor Leonardo Echevarria.

A diretora do 22° Núcleo, Leticia Coelho Gomes, distribui a Cartilha do CPERS sobre a Gestão Democrática nas escolas visitadas: “A participação de todas e todos nas decisões, na luta por condições melhores de trabalho e garantir a autonomia e a transparência nas decisões, é muito importante”.

Diante de tantos ataques, a Caravana do CPERS tem trazido esperança para a categoria. “O CPERS é um sindicato que eu bato no peito para dizer que faço parte. É muito boa essa visita de vocês. Temos que mostrar que nós somos o futuro do país e que a escola pública, mesmo precária, faz a diferença”, expôs professor Gilson Rodrigues, da escola Brigadeiro Antônio Sampaio, em Alvorada.

Região São Leopoldo

Há anos, a EEEM Olindo Flores da Silva, em São Leopoldo, enfrenta o alagamento das salas e do pátio instituição. Portas, armários e demais estruturas estão danificados por conta da água que entra em toda a escola.

“Tudo aqui tem que ser erguido para evitar transtornos ainda maiores”, explica o diretor, Silvio Nei da Silva Machado.

A escola foi contemplada, ainda em 2001, através do orçamento participativo, com a construção da quadra coberta. Porém, ainda aguarda a estrutura.

Desde 2019, a biblioteca está fechada devido à falta de bibliotecário. E não há previsão de envio deste profissional.

A instituição possui um extenso terreno que anteriormente abrigava as quadras de esporte. Atualmente o local está coberto de mato e com a pouca estrutura que possuía deteriorada. A limpeza do terreno custa em torno de R$ 5 mil, valor que a rubrica de manutenção, de aproximadamente R$ 3 mil, não cobre.

No ano passado, a escola passou por dois assaltos. Neste, um novo arrombamento deixou a instituição sem televisores e computadores.

“Não conseguimos investir o que gostaríamos porque estamos sempre tendo que repor o que estraga ou o que levaram”, desabafa o diretor.

O teto da cozinha, do refeitório e do laboratório de informática da EEEF Pedro Schuler está completamente comprometido, ameaçando desabar. O setor de obras da Seduc, esteve na instituição para verificar o problema, mas sem apresentar previsão para o conserto. “Apenas nos disseram que a escola está na fila das obras a serem feitas, que há situações mais urgentes e que o governo não tem dinheiro”, relata a diretora Jurandara Coletti.

“Todas as escolas que temos visitado precisam de manutenção. O governo não fez os reparos no período em que podia, durante as aulas remotas na pandemia e agora exigiu o retorno obrigatório ignorando a precariedade existente”, enfatiza o diretor do 14º núcleo, Luiz Henrique Becker.

Junto com o diretor Amauri Pereira da Rosa e a da professora Alessandra Haag, ele esteve nestas instituições citadas acima e também nos Colégios 8 de Setembro, em Estância Velha e 25 de Julho, em Novo Hamburgo.

Três de Maio, Lagoa Vermelha, Bento Gonçalves e Passo Fundo

No decorrer dessa quinta-feira (18), as diretoras Suzana Lauermann e Vera Lessês estiveram em escolas da região de Três de Maio. Em Lagoa Vermelha, as instituições receberam as diretoras Glaci Weber e Alda Bastos Souza.

 

Em Bento Gonçalves, a diretora Juçara Borges conferiu a situação das instituições e conversou com os educadores. O roteiro da Caravana também incluiu a região de Passo Fundo, onde estiveram os diretores Alex Saratt e Rosane Zan.

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