O governo de Eduardo Leite (PSD) decidiu, mais uma vez, virar as costas para a classe trabalhadora e encaminhou um reajuste de apenas 5,35% para o piso regional do Rio Grande do Sul.
A proposta é muito inferior aos 15,98% defendidos pelas centrais sindicais com base em estudo técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). O percentual reivindicado é uma tentativa mínima de recuperar perdas históricas acumuladas ao longo de anos de desvalorização salarial e corrosão do poder de compra.
Os dados do DIEESE revelam que o Rio Grande do Sul vem ficando para trás em comparação com Santa Catarina e Paraná, estados que concederam reajustes acumulados significativamente maiores entre 2019 e 2025. Enquanto outros estados avançaram, o governo gaúcho escolheu transformar o arrocho salarial em política permanente.
Na prática, o governo escolheu conceder apenas cerca de um terço das perdas apontadas pelas entidades sindicais.
Durante anos, Leite (PSD) deixou de conceder reajustes adequados ao piso regional e, quando concedeu, fez isso com atraso e sem retroatividade. Resultado: perdas acumuladas, salários corroídos e milhares de servidoras(es) empurradas(os) para a sobrevivência. Trabalhadoras(es) perdem renda mês após mês, enquanto inflação, aluguel, gás e alimentação continuam subindo.
E, embora a inflação hoje esteja mais controlada, os preços não retornaram aos níveis anteriores. Uma inflação menor significa apenas que os preços seguem aumentando em ritmo mais lento — não que os produtos e serviços tenham voltado a ficar baratos.
Nesse contexto, a ausência de reposição integral da inflação na data-base, somada aos atrasos e à falta de retroatividade, impõe justamente às(aos) que menos ganham — com vencimentos vinculados ao piso regional — um custo cada vez mais difícil de suportar.
No funcionalismo público estadual, a situação é grave. Servidoras(es) acumulam 12 anos de perdas, especialmente funcionárias(os) de escola, da ativa e aposentadas(os).
Após décadas recebendo salários básicos extremamente baixos — em muitos casos em torno de R$ 640 — e dependendo de completivos salariais para alcançar o mínimo legal, funcionárias(os) de escola voltam a enfrentar um cenário de desvalorização. Sem reposição anual da inflação e sem aumento real nos vencimentos, parte da categoria já poderá retornar à condição de receber completivos no contracheque menos de dois anos após a implementação da nova carreira e tabela salarial.
A situação expõe o esgotamento da política salarial do governo de Eduardo Leite (PSD) e evidencia a ausência de uma política permanente de valorização das(os) trabalhadoras(es) da educação pública.
Somente após mais de uma década de mobilização sindical, pressão política e resistência coletiva foi conquistado o reenquadramento funcional e uma nova tabela salarial iniciando em R$ 2 mil. Insuficiente diante das perdas acumuladas e que exclui uma parcela das(os) servidoras(es).
Ainda assim, essa conquista, que representou um reconhecimento mínimo da importância dessas(es) profissionais para o funcionamento cotidiano das escolas públicas e dos serviços essenciais, agora, está em xeque. Menos de um ano depois dessa vitória histórica, muitas(os) servidoras(es) já poderão voltar a depender de completivos salariais para alcançar o piso regional.
Ou seja: sem revisão geral, o governo Leite (PSD) corrói, em poucos meses, uma conquista arrancada após anos de luta.
Mesmo diante de melhores condições fiscais e orçamentárias, Eduardo Leite (PSD) segue sem apresentar qualquer política séria de reposição inflacionária para salários e aposentadorias. O discurso de responsabilidade fiscal não pode continuar servindo como desculpa para sacrificar quem trabalha, educa, limpa escolas, prepara merenda, atende estudantes e mantém os serviços públicos funcionando diariamente.
Aumentar o piso regional não é gasto. É justiça social, distribuição de renda e fortalecimento da economia local. Trabalhadora(or) com salário digno consome, movimenta o comércio e combate desigualdades.
O CPERS denuncia mais esse ataque à classe trabalhadora gaúcha e reforça: não aceitaremos que o arrocho salarial siga sendo tratado como modelo de gestão. O Rio Grande do Sul não pode continuar sendo governado às custas da fome, da precarização e do sacrifício das(os) trabalhadoras(es).




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