Bagé dá início aos Encontros Regionais dos Funcionários(as) de Escola


No Dia Mundial do Funcionário(a) da Educação, o 17º Núcleo do CPERS – Bagé sediou, nesta quinta-feira (16), o primeiro de uma série de Encontros Regionais dos(as) Funcionários(as) de Escola que irão abranger os 42 núcleos do Sindicato.

A iniciativa, organizada pelo Departamento dos Funcionários do CPERS, sob a coordenação da diretora Sonia Solange Viana, apresentou informações sobre assuntos como a importância da formação, através do ProFuncionário, direitos dos(as) funcionários(as) de escola, saúde do trabalhador(a) e assédio moral. O Encontro também contou com a apresentação artística do grupo Grijos Candonbeiros e a declamação da poesia Mulher pela educadora e poetisa Gladis Weber.

Ao dar início as atividades, a diretora do 17º Núcleo, Delcimar Delabary Vieira, frisou a importância da atuação dos funcionários. “A educação não se faz só com professores e equipe diretiva, os funcionários são indispensáveis para o bom funcionamento das escolas. É em momentos como este que compreendemos os nossos direitos, que nos apropriamos de coisas que são da nossa vida funcional e que são importantíssimas”, frisou.

Delcimar também apontou a preocupante falta de funcionários nas escolas, o que acarreta sobrecarga de trabalho para os que estão atuando. “Temos falta de merendeiras, serventes, porteiros e serviços gerais, por exemplo. É muito grave, pois o excesso de trabalho está gerando problemas de saúde”, explicou.

Sobrecarga, desvalorização e intimidações

Desvio de função, sobrecarga de trabalho, intimidações, desrespeito por parte de algumas direções de escola e equipes docentes foram situações do cotidiano dos(as) funcionários(as) relatadas durante o Encontro.

“Trabalho em uma escola que têm mais de 500 alunos e somos em apenas oito funcionários. Acabamos fazendo de tudo um pouco para não entrar em conflito com a direção. Fazemos de boa vontade, mas não está certo”, relatou a funcionária Maria da Graça da Silva Duarte, de Dom Pedrito.

“Hoje, para estamos aqui, não foi nada democrático. Quando queremos participar de alguma atividade, nos ameaçam com o registro de falta. Porém, o mesmo não ocorre com os professores”, relatou a merendeira Mônica Clipes, de Livramento.

“Desvalorização é o que sentimos todos os dias nas escolas. Isso é muito triste, muito difícil. Parece que nós não temos valor. Nós conhecemos nossos alunos muito mais do que os professores e a direção. Eles desabafam, pedem apoio e carinho”, afirmou a monitora da escola General Hipólito Ribeiro, do município de Pinheiro Machado, Marli de Oliveira Barcellos.

Consequências da Reforma da Previdência e análise da conjuntura política atual

A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, expôs as consequências da Reforma da Previdência, fez uma análise sobre a conjuntura política atual e destacou a necessária resistência diante das ameaças de retirada de direitos.

Ela observou que a Reforma da Previdência, apresentada por Jair Bolsonaro (PSL), representa um ataque brutal contra a classe trabalhadora. Se aprovada, a maioria dos(as) trabalhadores(as) não vai conseguir se aposentar. “Lutar contra a reforma da previdência é uma questão de futuro, de proteção dos nossos empregos e de pensar nas gerações que ainda ingressarão no mercado de trabalho, nossos filhos e netos”, afirmou.

O advogado Marcelo Fagundes, da assessoria jurídica do CPERS, representada pelo escritório Buchabqui e Pinheiro Machado, detalhou as regras que constam na proposta e esclareceu as dúvidas do público.

Helenir observou que o governo já sinalizou que pretende alterar o Plano de Carreira da categoria e a lei 10.098, artigo 64, que diz que os funcionários de escola terão efetividade para participar de atividades sindicais. “Temos que fazer a necessária resistência e impedir que retirem direitos historicamente conquistados”, alertou.

O acúmulo de trabalho e os desvios de função foram pontos de destaque na fala da presidente do Sindicato, que orientou os(as) funcionários(as) a não assumirem funções que não são as suas. “Vocês não devem abraçar funções que não são as suas. Se falta profissionais, é obrigação do governo suprir essa demanda através da realização de concurso público”, destacou.

Antonio Guntzel, da Executiva da CUT/RS falou sobre os direitos dos(as) trabalhadores(as), conquistados através da luta dos sindicatos, movimentos sociais e centrais sindicais como a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Ao recordar a força da Greve Nacional da Educação, que ocorreu ontem e levou milhares às ruas de todo país para reivindicar contra o corte de verbas para a educação, ressaltou que esta mesma força deve vigorar no dia 14 de junho, quando ocorre a Greve Geral. “Vamos mostrar que estamos preparados para revogar a PEC 95, que corta investimentos na educação, que não concordamos com as reformas trabalhista e da previdência e que não vamos permitir o desmonte do nosso país”, concluiu.

 

A diretora lembrou das lutas pelos direitos dos funcionários, a entrada na base do CPERS, a luta pelo reconhecimento como profissionais da educação e a importância da profissionalização através dos cursos oferecidos pelo Profuncionário.

Ao finalizar o Encontro, a diretora salientou a importância do trabalho diário dos(as) funcionários(as) no cotidiano das escolas e o importante papel que desempenham como educadores. “Não somos apoio, somos educadores. Nosso trabalho é pedagógico, pois todos os espaços são educativos. Quem atende o telefone é a secretária, no refeitório é a merendeira que serve as refeições, quem limpa a escola é a servente. E nessas funções fazem intervenções com os alunos como quando orientam a não desperdiçar a comida ou a não colocar lixo no chão. Ou seja, estamos educando”, explicou.

Amanhã o Encontro ocorre em Rio Grande, reunindo educadores de abrangência do município e também de Pelotas.

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