Aula de resistência: EEEF Rio Grande do Sul debate educação e cidadania


“Hoje vamos falar sobre cidadania, uma coisa que o Estado não conhece. O governo deve abrir, e não fechar as escolas. Educação deve ser vista como investimento, não gasto. Como filho de educador e acreditando na escola pública, vamos continuar resistindo”, afirmou Pablo Camuã, professor da EJA noturno e vice-diretor da EEEF Estado do Rio Grande do Sul.

Há um mês ocupada e resistindo às arbitrariedades do governo Eduardo Leite (PSDB), a escola realizou na manhã desta quarta-feira (7) aula pública sobre educação e cidadania.

Educadores(as), pais e estudantes trocaram experiências para fortalecer a luta contra o fechamento da instituição de ensino, que foi arrombada pelo Estado, em clara violação da autonomia e da gestão democrática.

O professor de história Fábio Carrion fez um breve apanhado sobre cidadania e política no mundo e no país destacando a importância de ser cidadão.

“Não deixem o Facebook ou Instagram ensinarem vocês o que é política e o que é ser cidadão. Somos cidadãos antes da nossa profissão, se tu negas a cidadania, está negando a política igualitária, está negando a igualdade para todos”, observou.

O diretor do CPERS, Daniel Damiani, criticou a arbitrariedade do governo em tentar fechar a escola e destacou a resistência da comunidade escolar.

“A comunidade resiste por várias vezes. Aproveitando a pandemia, o governo achou que podia vir aqui arrombar a escola e fechar. Graças à comunidade, que avisou a direção, estamos aqui mostrando a nossa força não aceitando o fechamento dessa escola”, destaca.

Daniel falou do fundador da escola, Leonel Brizola, ressaltando a melhor virtude do político: “O grande marco do governo Brizola foi levar escola para quem não tinha, levar a escola para quem precisa. ”

Daniel destacou ainda que fechar escola e as EJAs é um projeto para acabar com a educação pública.

“Hoje completando um mês de luta e resistência a escola já teve avanços, como a recuperação dos documentos. Não defendemos essa escola somente por ser uma escola, mas porque é um símbolo da resistência.  Não podemos deixar que um governo que arromba escolas saia vencedor. Essa luta é pela democracia. Que valha o que a comunidade quer. Essa experiência de resistência é que vale muito mais do que uma aula dentro da escola”, concluiu Daniel.

“Bolsonaro, Leite e Marchezan, esses governos apostam na ignorância da população. Eles têm medo do conhecimento, pois sabem que quando a população ver a verdade vai se apropriar de novas possibilidades”, disse Rodrigo Nickel, professor e coordenador do Emancipa Porto Alegre.

A vice-diretora do Colégio Estadual Coronel Afonso Emílio Massot, Neiva Lazzarotto, destacou que os três governos – nacional, estadual e municipal – querem educação somente para a elite e ressaltou a grande resistência da escola.

“Vocês são a pedra no sapato deles, lutando e resistindo. Assim como estamos fazendo a resistência para não voltar às aulas. Eles querem colocar nossas crianças e adolescentes em risco”, disse.

Vivian Quiroga, mãe do Adam, estudante do 3º ano do ensino fundamental, diz que está sempre na escola e não aceita o fechamento da instituição.

“É um absurdo total, a comunidade não foi avisada sobre o fechamento da escola e querem nos encaminhar para uma escola que não está preparada para nos receber. É arbitrário e antidemocrático. Não vamos aceitar e vamos resistir”, defendeu a mãe.

A professora de Filosofia e escritora, Atena Beauvoir Roveda, relatou que estudou na escola de 2002 a 2005 e diz se pegar por várias vezes pensando o porquê a escola é tão gostosa. “Ela é efetiva, é a nossa casa.”

Mas a professora destaca que ainda falta empenho e entrega à luta de muitos colegas. “Muitos professores e professoras não estão dispostos à luta. Nós não precisamos das pessoas aqui dentro ou de comida. Precisamos da existência das pessoas aqui lutando pela escola e pela educação pública”, concluiu .

Para Alice Gaier, vice-presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE/RS), o que está ocorrendo é o desmonte da educação pública, mas garante que continuará na ocupação da escola até o final.

“A escola vai permanecer no seu endereço. Não é um playboy como Eduardo Leite e Faisal Karam que vão fechar a nossa escola. Vamos continuar resistindo, vamos continuar aqui porque acreditamos na educação”.

Seduc manda CEEE cortar luz da Rio Grande do Sul 

Durante a atividade, em mais um ato autoritário, a Seduc mandou a CEEE cortar a luz da EEEF Rio Grande do Sul. O funcionário, terceirizado, foi impedido pelos presentes. 

A ocupação pede reforço para a vigília no Centro de Porto Alegre (Rua Washington Luiz, 980), em defesa da escola – considerada de excelência por toda a comunidade.


Após a aula pública, educadores, estudantes e pais seguiram em caminhada até o Palácio Piratini, onde protestaram contra o fechamento da escola.

  

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