Audiência Pública denuncia desmonte do IPE Saúde


A situação do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul – IPE Saúde, foi tema de Audiência Pública da Comissão de Segurança e Serviços Públicos da Assembleia Legislativa, realizada na manhã desta quinta-feira (18).

O CPERS Sindicato foi um dos proponentes do encontro, juntamente ao deputado estadual Edegar Pretto, a deputada estadual Sofia Cavedon, a União Gaúcha e a FESSERGS.

Os educadores(as) estaduais, ativos e aposentados, enfrentam perdas salariais enormes e ainda lutam para assegurar um atendimento de qualidade no IPE Saúde.

O 2° vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, demonstrou preocupação com o futuro do IPE Saúde e sobre possíveis mudanças na forma da contribuição dos servidores(as).

“Muito nos preocupa quando a gente lê um projeto com a possibilidade de uma co-participação dos contribuintes de 40%. Como uma base de trabalhadores que esta há sete anos sem aumento poderá arcar com essa participação? O sistema está muito injusto”. 

Edson ainda destaca: “Nós da educação somos um dos que mais contribuem com a receita do IPE. Mas nós percebemos, no passar dos anos, um desmonte e uma desmoralização do instituto. Não há investimento, os escritórios do interior estão fechando. Nós somos defensores e brigamos por esse instituto porque ele é nosso e ele sai do valor que recebemos, mas nós queremos justiça na hora que buscamos esses serviços”.


A deputada estadual Sofia Cavedon destacou a critica situação financeira dos servidores(as) estaduais. “Nós estamos em um momento muito delicado dos servidores e servidoras do Rio Grande do Sul, por causa do congelamento dos salários. Imagina o rombo se houver aumento de alíquota e de contrapartida do IPE? Os servidores não têm nem a cobertura da anestesia pelo plano. Não é justo que a cada vez que tem crise o servidor pagar mais pelo serviço”.

O deputado estadual, Jeferson Fernandes, ressaltou o sucateamento do IPE Saúde. “Temos ouvido muitas reclamações de pessoas que pagam e não recebem o serviço a contento. Parece que quanto mais se paga o IPE, mais desestruturado ele se apresenta”.

Desmonte intencional

O IPE Saúde vem fechando várias agências pelo interior do estado, o descredenciamento de médicos é constante e faltam profissionais qualificados. Como se isso não fosse o suficiente, o governo Eduardo Leite (PSDB) ensaia aumentar a contribuição do segurado principal de 3,1% para 3,6% ou taxar por dependentes.

Para o presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado do RS – FESSERGS, Sérgio Arnoud, esse desmonte do IPE é intencional e com objetivo muito específico.

“O Estado surrupiou tudo do IPE. O Instituto é responsável por cerca de 40% de tudo que é gasto com saúde no RS, com esse tamanho o IPE é tratado dessa forma. Esse descaso é programado, querem esvaziar o IPE para facilitar o discurso da privatização”.

Para o presidente da União Gaúcha em Defesa da Previdência Social e Pública do RS, Filipe Leiria, o desmonte do IPE é um projeto governamental.

“Nós não estamos falando de números, estamos falando de vidas! É sintomática a não presença de representantes do governo nesta audiência, esse desmonte é pensando por eles”, ressaltou Felipe.


A conselheira do Conselho de Administração do IPE Saúde e Presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Aposentados – SINAPERS, Katia Terraciano Moraes, acredita que está na hora de mudar também a administração do IPE Saúde.

“É angustiante tratar desse tema e termos que sempre voltar a ele. Essa crise do IPE está se refletindo de uma maneira muito cruel nos servidores. O IPE já teve três presidentes de 2018 para cá, percebe-se aí o interesse político com o Instituto. O IPE precisa de um presidente que seja servidor público, que trabalhe pelos servidores”.

Encaminhamentos

Ao fim da audiência os presentes acordaram em levar a denúncia sobre a situação do IPE Saúde para os seguintes órgãos: Casa Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas.

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