Audiência Pública debate a importância da língua espanhola no Ensino Médio


Educadores (as) e estudantes lotaram o plenarinho da Assembleia Legislativa na manhã desta terça-feira (28), para acompanhar a Audiência Pública sobre a pluralidade linguística nas escolas. O objetivo do encontro foi o de debater a importância da Proposta de Emenda à Constituição 270/18, a qual garante que a língua espanhola permaneça no Ensino Fundamental e Médio nas escolas do RS, tendo em vista que a Reforma do Ensino Médio retira a matéria do currículo como obrigatória. A PEC é proposta pela deputada estadual Juliana Brizola e segue em tramitação na Assembleia Legislativa.

A iniciativa foi organizada pela Frente Parlamentar em defesa da oferta da língua espanhola na rede pública estadual, presidida pela deputada.

A coordenadora do Departamento de Educação do CPERS, Rosane Zan, compôs a mesa de debate e lembrou que foi em 2002 que o espanhol tornou-se obrigatório no Ensino Médio. “Apoiamos o plurilinguismo nas escolas públicas. O Rio Grande do Sul tem muita proximidade com a fronteira da Argentina e do Uruguai, esse é mais um motivo para que o espanhol faça parte da nossa identidade. Somos a favor que fiquem todas as disciplinas que a Reforma do Ensino Médio quer colocar como flexível. O CPERS, além de lutar pela valorização dos nossos educadores e educadoras, está sempre presente nas lutas pela educação pública de qualidade, contem conosco”, concluiu Rosane.

A importância do espanhol nas escolas
Durante a audiência, professores (as), estudantes e pais expuseram as consequências para a educação pública, caso a língua espanhola seja retirada da grade curricular do Ensino Médio. Além da retirada do direito do aluno de ter a pluralidade das línguas na escola pública, os educadores com formação em espanhol perderão seus empregos.

“Estamos preocupados com os rumos da educação pública em nosso país. Nossos alunos têm o direito à uma educação plurilinguística. É mais um direito que estão retirando da população, não podemos permitir”, afirmou a estudante de letras da UFRGS, Rafaela Talles.

“Estou aqui para defender a língua espanhola nas escolas públicas. O espanhol é a segunda língua mais falada no mundo. Quem perderá serão os estudantes das escolas públicas, porque nas escolas privadas continuarão a oferecer o espanhol, nos cursinhos. E quem não tem dinheiro para pagar como fica? Então temos que lutar”, concluiu a estudante do Ensino Médio, Milena Falcão.

“A retirada do espanhol da grade curricular do ensino médio retira também o sonho de uma profissão, de um futuro. Me farei presente onde estiver a luta pelo espanhol, não admitiremos mais esse retrocesso na educação pública”, reforçou a estudante de Letras da Universidade de Santa Maria, Micaela Verônica.

“Defendo o espanhol pelos meus alunos, pelos meus filhos e por uma educação pública de qualidade. Esse é mais um ataque a nossa educação pública”, declarou a professora da Escola Guilherme de Almeida, Carla Vargas.

No final do debate a deputada Juliana pediu para que os educadores e estudantes visitem os gabinetes dos parlamentares e pressionem para que a PEC 270 vá a votação na próxima terça-feira (4).

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