Se o dia for de chuva, boa parte dos alunos da EEEM Boa Ventura Ramos Pacheco, em Gramado, já sabem que provavelmente terão que usar a lanterna do celular para enxergar o que escrevem. Isso ocorre porque a instituição enfrenta, desde o início do ano letivo, problemas na rede elétrica. Um curto-circuito na fiação deixou cinco salas de aula sem luz.

Até pouco tempo, os estudantes tinham aulas na penumbra. Mesmo sabendo da situação, o governo Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) ainda não providenciou a solução. Cansada de esperar, a direção da instituição pediu ajuda à prefeitura.

“Fizeram algo provisório. Então, em alguns dias temos luz, mas somente nas lâmpadas. Não podemos usar data show, tomadas, nada. Em outros dias não há qualquer luz, as aulas são na penumbra”, relata a professora de Biologia, Patrícia Luzia Frois, que leciona na escola há 20 anos.

Tatiane Della Molle, diretora da escola, relata que foi realizada recentemente a licitação para a reforma da instituição, que inclui telhado, rede elétrica, piso de uma área do laboratório de ciências e a estruturação de área coberta entre algumas salas de aula, refeitório e biblioteca.

Os custos para a realização dos reparos, segundo ela, ficam em torno de R$ 10 mil. “Mas ainda não sabemos quando começam as obras, talvez entre julho e agosto. Essa espera é angustiante, pois temos vários problemas para resolver e sempre existe o risco de curto-circuito. Aguardamos o início da obra com ansiedade”, afirma a diretora.

Foto: Tiago Manique/JIH

A instituição, que completa 62 anos em setembro e atende atualmente a 600 alunos, também enfrenta problemas de vazamento e goteiras nos telhados, falta de professores e funcionários. “Atualmente nos falta um professor de Matemática, um de Física e um funcionário para a limpeza”, explica a diretora.

Readequações prejudicam alunos e educadores

Para driblar os problemas os educadores(as) se ajudam, trocam de salas para apresentação de trabalhos, por exemplo. Porém, os espaços readequados ficam com suas atribuições originais comprometidas. “Utilizamos o laboratório de ciências e a biblioteca como salas de aula. Mas é muito cansativo, tanto para nós quanto para os alunos. A sensação que fica é a de impotência”, desabafa o professor de História e Supervisor do Ensino Médio, Lucius Fabiano Martins da Silva, há 25 anos lecionando na Ramos Pacheco.

“Mesmo assim as adversidades continuam, pois o tempo perdido na resolução causa atraso nas aulas, desconforto e tensão. Não se consegue dar aulas satisfatoriamente, sempre surgem mais elementos que dificultam, em muito, o andamento das aulas”, completa Silva.

A professora de Português e Literatura, Vânia de Paula dos Reis, ressalta que os problemas estruturais da instituição afetam diariamente a rotina na escola, o trabalho dos professores e a aprendizagem dos estudantes. “Os alunos convivem com problemas diários. Além da instabilidade da energia elétrica, eles não têm acesso a nenhuma tecnologia, exceto o celular, e ainda precisam encarar as goteiras nas salas.”

A educadora também destaca o número alto de alunos(as) por turma em salas pequenas e enormes rachaduras no telhado, que causam vazamento. “As turmas numerosas atrapalham a convivência e os estímulos oferecidos pelos professores. Isso, muitas vezes, causa atos de incivilidade dentro e fora das salas”, expõe.

“Nós, professores, não conseguimos sequer argumentar com eles a esse respeito, pois não há argumentação possível sobre uma situação prevista há muito tempo e que ainda aguarda solução”, observa.

Diante das adversidades, os educadores fazem o possível para amenizar os transtornos como, por exemplo, disponibilizar a cópia impressa dos conteúdos para evitar que os alunos(as) tenham que copiar dos quadros, caso falte luz. Mas, o sentimento que fica é o de abandono e de impotência.

“Nós damos nosso sangue e em troca recebemos o total descaso por parte da 4ª CRE e da Seduc, cientes dos problemas. O sentimento é de total abandono, descaso e de muita falta de respeito com o coletivo, com o bem público, com a educação, com o ser humano”, desabafa Silva.

O CPERS segue acompanhando o desenrolar da questão junto à escola. É urgente que o governo providencie as reformas necessárias para garantir um ambiente de aprendizagem seguro e adequado à educadores e estudantes.

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Lançado no dia 4 de maio e encerrado na última sexta-feira (27), o Radar do CPERS para identificar a real situação das escolas na rede estadual recebeu 316 respostas.

No total, 204 instituições responderam ao questionário, o que representa aproximadamente 13% das escolas estaduais.

Os dados permitem vislumbrar um quadro caótico, acusando falta de recursos humanos, problemas estruturais graves e ameaças de fechamento.

O levantamento contabiliza, por exemplo, a falta de 509 educadores(as). A carência mais expressiva de recursos humanos refere-se a funcionários(as): faltam 187 profissionais para atuar em áreas como merenda, manutenção, administrativo e limpeza.

Já a falta de professores(as) em sala de aula chega, nas instituições participantes, a 176.

Os especialistas também representam outra grande lacuna. São professores(as) que atuam em áreas como supervisão, orientação escolar, administração e biblioteca. Faltam 146 nas escolas que preencheram o formulário.

Dentre as respostas, 109 indicaram problemas estruturais como eletricidade, acessibilidade, cobertura da quadra de esportes, obras inacabadas, atraso na liberação de verbas para terminar reparos, muro caindo, entre outros.

Para o CPERS, o sucateamento das escolas estaduais – comprovado pelas Caravanas do Sindicato – aliado a política de enxugamento de matrículas e escolas, evidencia a intenção do governo: precarizar para abrir mercado ao ensino privado, priorizando interesses do empresariado, e não da comunidade.

Levantamento total das respostas:

▶️ 316 respostas
▶️ 206 escolas
▶️ 106 municípios
▶️ Falta de 176 professores(as)
▶️ Falta de 146 especialistas
▶️ Falta de 187 funcionários(as) de escola
▶️ 109 escolas apontam problemas estruturais
▶️ Principais problemas relatados: elétricos, acessibilidade, cobertura da quadra de esportes, sobrecarga de trabalho, obras inacabadas, atraso na liberação de verbas para terminar reparos, ameaça de fechamento, muro caindo, entre outros.

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O Conselho Geral do CPERS voltou a se reunir, nesta sexta-feira (27), para debater, refletir, mobilizar e organizar a luta da categoria. 

Riscos da adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, valorização dos educadores(as), homeschooling, desconto Previdenciário, desmonte do IPE Saúde e os ataques do governo Leite/Ranolfo (PSDB) contra a educação foram alguns dos pontos debatidos.

Helenir Aguiar Schürer, presidente do CPERS, abriu o encontro relatando sobre a reunião com o governo, realizada na última terça-feira (24), em que o Sindicato cobrou o pagamento dos dias recuperados da greve. 

“Este desconto reflete até hoje na nossa categoria, temos colegas que se afundaram em dívidas no Banrisul. Durante a reunião, o secretário-chefe da Casa Civil se comprometeu em levar a documentação que apresentamos para a análise da PGE; seguiremos pressionando para que o nosso justo direito seja finalmente reconhecido”, asseverou Helenir.

Com o objetivo de debater acerca das políticas de financiamento da educação no Brasil, o professor, mestre em Educação e ex-deputado federal, Carlos Abicalil, conversou com os conselheiros(as) durante a abertura do encontro. 

Ele destacou que é preciso atenção quanto aos avanços da iniciativa privada na educação pública. 

“Precisamos estar atentos às alterações da regulamentação de fundos como o Fundeb e estar vigilantes quanto aos critérios de repartição. Existem empresas privadas de olho em 30% dos itinerários formativos no novo currículo do Ensino Médio, não podemos permitir. Precisamos fazer memória da luta pelo Fundo e fiscalizar para que o texto aprovado seja cumprido”, destacou Abicalil.  

Após a apresentação, foi dado início ao Conselho com os informes, a discussão da conjuntura política atual e das futuras mobilizações.

Durante os informes, a diretora do departamento de Aposentados(as) do CPERS, Glaci Weber, falou sobre a luta contra o reenquadramento dos professores(as) que tiveram suas aposentadorias de 40h transformadas em subsídios de 20h.

O problema afeta em sua maioria educadores(as) com mais de 70 anos, que após dedicarem uma vida à educação, não conseguem sequer comprar os remédios que necessitam.  

“Durante a reunião com o governo, nós exigimos a criação de uma força tarefa para analisar caso a caso. Nós vamos provar que tínhamos as duas matriculas, não é nossa culpa que na época não tinha um sistema informatizado. Essa é uma grande injustiça, que pegou os mais velhos que já sofrem com o desconto da Previdência” 

A diretora do Departamento de Saúde do Trabalhador e representante do Sindicato no Conselho de Administração do IPE Saúde, Vera Lessês, relatou sobre a reunião extraordinária do Conselho de Administração realizada na última quarta-feira (25), que tratou da repactuação com os prestadores de serviço ao Instituto.

“Sabemos que o IPE Saúde precisa buscar o equilíbrio financeiro e que precisa tomar as medidas necessárias que visem o fortalecimento financeiro da autarquia, garantindo o atendimento à saúde de todos os segurados e dependentes, reestruturando, portanto, as despesas”, destacou Vera.

A diretora atentou que durante a reunião precisaram deliberar sobre o tema para redefinir a repactuação, mas, para Vera, como não houve transparência de como se dará o acerto de débitos e as consequências para os segurados(as), os representantes do Sindicato no Conselho se abstiveram de votar. “Nos abstivemos de votar por se tratar de uma importante deliberação que não foi discutida previamente com o próprio Conselho Geral e a direção do CPERS”.

Dentre as deliberações aprovadas no Conselho, está a continuidade da luta intransigente por um IPE Saúde público, solidário e de qualidade e continuar a exigir que o Instituto faça a cobrança de todos os seus devedores e a realização de auditoria externa das suas contas.

Confira abaixo o conjunto das mobilizações aprovadas:

  1. Formar comitês em Defesa da Educação Pública, do Serviço Público, da Democracia com Lula, em todos os 42 Núcleos;
  2. Continuar a luta para derrotar e fazer a denúncia do RRF – Regime de Recuperação Fiscal -, pois congela os salários, impossibilita a realização de concursos e afeta os serviços públicos. Denunciar todos os deputados(as) que votaram a favor do PLC 48;
  3. Continuar a luta, em todos os espaços, pelos 33,24% para todos(as): professores(as), funcionários(as) e aposentados(as) com e sem paridade;
  4. Realizar reuniões regionais com as direções de escolas, fazendo levantamento e avaliação de todas as situações vividas nas escolas, visto que a Seduc sobrecarrega as direções e professores(as) e funcionários(as) com trabalho burocrático e formações on-line, não deixando espaço para as questões educacionais;
  5. Reivindicar, junto à Seduc, que todas as escolas possuam equipes diretivas e pedagógicas completas, com vice-direção, supervisão e orientação com formação, bem como bibliotecários(as) e professores(as) nos laboratórios de informática;
  6. Intensificar a luta contra a implementação das Escolas Cívico Militares e contra a municipalização das escolas e a privatização da educação;
  7. Realizar levantamento junto às direções das escolas, de quantos funcionários(as) possuem e, dentre eles, quantos são concursados(as), contratados(as) e terceirizados(as). Reafirmar a posição radical do Sindicato contra a terceirização;
  8. Exigir a publicação do edital do concurso já aprovado pela Assembleia Legislativa;
  9. Continuar a luta pela realização de concurso para agentes educacionais (monitoria, merenda, limpeza, secretaria) e especialistas e dar posse aos aprovados;
  10. Pressionar os senadores(as) para derrubar a lei do homeschooling junto à campanha da CNTE pelas redes sociais;
  11. Exigir e mobilizar a comunidade escolar, pela dose de reforço da vacina para todos(as) os professores(as), funcionários(as), alunos(as) e comunidade escolar, bem como a continuidade da obrigação do uso da máscara e dos protocolos sanitários;
  12. Exigir e lutar pelo fim do desconto previdenciário dos aposentados(as) e a devolução dos valores já descontados;
  13. Seguir na luta intransigente por um IPE Saúde público, solidário e de qualidade e continuar a exigir que o IPE faça a cobrança de todos os seus devedores e realização de auditoria externa nas contas do IPE;
  14. Realizar reunião com os aposentados(as) que fizeram opção pelo regime de aposentadoria de 40h;
  15. Moção de Repúdio ao Congresso pela aprovação da Lei do Homeschooling;
  16. Moção de Repúdio à PEC n.º 206/2019, de autoria do dep. General Peternelli (União Brasil/SP), que institui a cobrança de mensalidades nas universidades públicas;
  17. Moção de Repúdio aos Institutos ligados aos militares que apresentaram o documento “Projeto de Nação”;
  18. Moção de Repúdio à atitude da Secretaria de Educação do RS que viaja com dinheiro público para um evento que em nada tem a ver com a educação pública do Rio Grande do Sul;
  19. Moção de Repúdio ao nepotismo evidenciado no processo de formação de docentes fornecido pela Seduc e elaboração de cartazes denunciando a corrupção no governo Leite;
  20. Moção de Repúdio à PRF – Polícia Rodoviária Federal – pela tortura e assassinato de Genivaldo Jesus Santos em Sergipe;
  21. Participar com uma representação de duas pessoas por núcleo, do ato com Lula no dia 01/06, principal candidatura presidencial da esquerda, fazendo a entrega de um documento com as principais reivindicações em prol da educação pública do Rio Grande do Sul.

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Imposta aos atropelos na rede pública estadual, a reforma do Ensino Médio traz mudanças ainda desconhecidas pelo grande público; mas – para educadores(as) e alunos(as) – apresenta uma série de preocupações.

Formação inadequada aos professores(as), esvaziamento do conteúdo, diminuição da carga horária de disciplinas fundamentais para a realização de processos seletivos e falta de investimento na infraestrutura das escolas são alguns dos problemas relatados.

A verdade por trás do alarde da Secretaria de Educação (Seduc) é que se trata de uma reforma inadequada, apartada do contexto social e da realidade das instituições de ensino estaduais. 

Em 2019, o novo Ensino Médio foi implantado em 300 escolas-piloto do Rio Grande do Sul – como laboratório de experimentação. Mas, neste ano, foi aplicado em todas as escolas de Ensino Médio.

Uma das angústias é referente à redução da carga horária do currículo obrigatório, que prejudicou o desempenho de estudantes em processos seletivos como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Na minha turma, alunos que estudavam desde o Ensino Fundamental pediram transferência para outra escola que ainda não implantou esse novo Ensino Médio. O principal motivo foi pela retirada de algumas disciplinas que  são consideradas importantes para quem visa fazer um vestibular como o Enem”, explica a aluna do 3° ano do Ensino Médio do CE São Patrício, escola-piloto de Itaqui, Larissa Serres Espinosa.

Outro problema apontado são os itinerários formativos. As escolas têm autonomia para estabelecer quais serão ofertados e como eles serão estruturados. Artes, Educação Física, Língua Inglesa e Língua Portuguesa, por exemplo, estão englobadas nos itinerários de Linguagens e suas Tecnologias, assim como Biologia, Física e Química formam as Ciências da Natureza e suas Tecnologias, entre outros.

Paola Costa, professora da escola-piloto de Porto Alegre, EEEB Presidente Roosevelt, relata que uma das dificuldades é que muitas instituições não poderão atender ao itinerário escolhido, já que não possuem estrutura exigida para tal, muito menos professores(as) suficientes.

“Não temos laboratório de informática, acesso à internet suficiente de alta velocidade em todas as salas de aula, quadra coberta para fazer um trabalho com os alunos, teatro na escola para fazer um trabalho bom de expressão cultural, muito menos laboratório de ciências completo para trabalhar questões relacionadas às Ciências da Natureza ”, afirmou a professora Paola.

“O ensino-aprendizagem fica deficitário, independente do itinerário que o aluno escolher de aprofundamento, o curso que ele escolher, não vão ser as habilidades e competências que vão ser trabalhadas ao longo dos três anos; vão ter objetos de conhecimento que vão ser trabalhados e habilidades que não vão ser desenvolvidas”, completou.

Em outra escola-piloto, a diretora Eliane Brum, do IE Rui Barbosa, de São Luiz Gonzaga, aponta ainda a formação inadequada aos professores(as) feita de maneira superficial pela Seduc.

“A redução da carga horária das nossas disciplinas que compõem a BNCC e o aumento progressivo das que integram os itinerários formativos, que são disciplinas novas, diferentes, têm gerado dificuldades. Os nossos professores não têm uma formação adequada para trabalhá-las. Eles se esforçam, mas a formação proposta pela Seduc é concomitante com as aulas em sala de aula, o que vem trazendo angústia ao educador”, explica.

O CPERS defende o respeito ao currículo debatido no chão da escola, a gestão democrática e a autonomia das escolas para desenvolverem seus projetos político-pedagógicos. É urgente envolver toda a comunidade escolar, incluindo pais e alunos- (as), na defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade, com gestão democrática e comprometida com a formação integral do cidadão. 

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A crescente escalada de crimes fascistas precisa receber veemente, imediato e massivo repúdio político, social e judicial, sem qualquer tipo de transigência ou relativização.

É óbvia a relação entre a crise política e a falência eleitoral do candidato à reeleição e os acontecimentos de fatos que são verdadeiros crimes, típicos de situações de Estado de Exceção e Terrorismo de Estado.

Desfraldar as bandeiras da democracia, dos direitos humanos e da Justiça, reunindo desde o simples cidadão até expoentes da vida nacional, numa forte demonstração de civismo e civilidade, acompanhada de medidas de investigação rigorosa e punição aos culpados, é urgente.

Não bastasse a crise econômica, o desemprego, a fome, a inflação, a pandemia e a corrupção – fenômenos alheios aos extremistas políticos e ao seleto clube dos milionários e bilionários brasileiros – os sucessivos crimes pairam como ameaça concreta à frágil tessitura social e estatal que sobrevive graças as consciências e resistências daqueles que não se curvam aos golpes e projetos assassinos e autoritários de poder.

É hora de pôr em movimento nossas forças, vontades e dignidades, sob pena de que o caldeirão de violência, ódio e mentiras possa tornar-se insuportável à vida do povo. Unir os diferentes num compromisso maior, o da salvação nacional, é passo fundamental para a reconstrução política, ética e moral da brasilidade, aviltada pelos falsos patriotas, pelos vendilhões do templo, pelos tributários da barbárie, pelos oportunistas de plantão.

 Democracia, direitos e liberdade genuínas como fórmula e método para dar cabo às agressões que reeditam o que de pior a História e as classes dominantes já produziram e que, desgraçadamente, querem perpetuar como modelo de injustiça, desigualdade e opressão. Fascistas, não passarão!

(*) Professor e 1° vice-presidente do CPERS

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Ansiedade, depressão e desesperança estão entre os distúrbios que acometem professores(as) e funcionários(as) da educação. A constatação faz parte do estudo “Novas formas de trabalhar, novos modos de adoecer”, realizado com 714 trabalhadores da educação, divulgado no fim de 2021, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Com base na pesquisa, o Coletivo de Saúde da CNTE lançou uma campanha nas redes sociais como forma de alerta e combate aos causadores dos danos físicos, psicológicos e sociais que acometem os/as trabalhadores(as).

A psicóloga Luciane Kozicz, que trabalha na área de saúde do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), apresentou este e outros resultados do estudo que teve como objetivo central conhecer os impactos do trabalho remoto na saúde emocional nos(as) trabalhadores(as) da educação.

>> Confira o relatório completo do resultado da pesquisa AQUI.

Problemas nas cordas vocais, distúrbios osteomusculares, lesão por esforço repetitivo e doenças do aparelho respiratório foram os danos físicos mais notificados. Nos danos psicológicos, destacam-se o estresse crônico, ansiedade, depressão e síndrome de Burnout. Os danos sociais que se sobressaíram relacionam-se a sobrecarga, hiperatividade, solidão por ausência do coletivo e assédio moral.

Para Luciene, medicar é um fracasso para educar, pois reforça o pensamento mágico. “Receitas visam corrigir problemas, adequando os sujeitos”, alerta. “Ao invés de diagnóstico e medicações para melhorar o desempenho e anestesiar a alma, precisamos repensar o ambiente”, completa.

>> Confira os cards temáticos para professores(as)

>> Confira os cards temáticos para funcionários(as) da Educação

O relatório do estudo constatou que as instituições transferiram ao trabalhador novas responsabilidades: cada profissional deve exercer o seu talento particular, com esforço singular, dentro da sua casa, em tempo estendido. “Mais uma forma perversa que ataca o trabalho, inovando as formas de exploração e impondo ideologias dessubjetivantes.”

Os questionários aplicados levaram em consideração preocupações com a Covid-19, conhecimento e segurança em relação à pandemia, condições ambientais, tecnológicas e suporte para realização do trabalho em tempos pandêmicos.

O estudo revelou que as novas formas de trabalhar, impostas pela necessidade de distanciamento social, geraram isolamento e solidão. Essa realidade ganhou um novo elemento com o retorno ao trabalho presencial. Os conflitos se intensificaram por múltiplos fatores. “Esse contexto reforça a tese de que as relações laborais precisam ser pauta prioritária nas escolas”, avalia o relatório.

Segundo a Secretária de Saúde dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação, Francisca Seixas, é preciso destacar a situação dos aposentados. De acordo com ela, o que mais tem adoecido a categoria é a questão do confisco. “Nossos aposentados ganham R$ 3 mil e passaram a contribuir com 14% com a previdência: um verdadeiro confisco! Isso tem adoecido e piorado as condições de vida dos nossos aposentados”, avaliou.

Ela também destacou a situação dos readaptados, que estão nessas condições porque existe uma questão de saúde a ser tratada, que pode ser mental ou física. “Precisamos valorizar esses profissionais; é necessário trabalhar com o tratamento, mas, principalmente, com a prevenção”, concluiu.

De acordo com os resultados apresentados pelo estudo, um conjunto de situações tornou o trabalhador passivo e desorientado, com destaque para: ambiguidade de papéis; informações inadequadas ou confusas sobre como o trabalho deve ser realizado; trabalho excessivo em que o indivíduo tem que estar disponível em múltiplas plataformas/canais (sala de aula virtual, Whatsapp, e-mail, telefone, Zoom/Meet, presencial etc.); falta de capacitação ou suporte para o indivíduo adquirir as habilidades necessárias para executar a tarefa; subutilização de habilidades ou tarefas monótonas repetitivas; estruturas administrativas autoritárias que não incluem trabalhadores na solução de problemas e tomada de decisão; falta de reconhecimento sobre o desempenho do trabalhador; cultura organizacional que não abre espaços para o diálogo e são caracterizadas pela performance, promovendo competição e hostilidade; e eterna insatisfação da gestão em relação ao que é criado, executado ou proposto.

Para além dos processos de escuta, a recomendação final do documento elenca a ocupação dos espaços de fala para além das fronteiras conhecidas, principalmente, com os que estão em desacordo com ideias já apresentadas; rever processos possíveis de execução entre o planejado e o que será executado, acompanhando a implantação; elencar as carências nas organizações do trabalho; estabelecer estruturas mínimas de tecnologia e definir cursos necessários. “O espaço de discussão é necessário para a humanização da categoria e diminuição das patologias. O fato de poder compartilhar suas inseguranças e medos faz com que ansiedades diminuam”, conclui o relatório.

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Já está disponível em PDF e, em breve, na casa dos sócios(as) do CPERS, a edição de maio da Sineta.

A publicação traz como chamada principal o vergonhoso reajuste de 6% aprovado pelos deputados(as) da base do governo na Assembleia Legislativa. 

A luta unificada dos servidores(as) estaduais pelo IPE Saúde público, solidário e de qualidade também ilustra as páginas da publicação. 

Já a contracapa apresenta os impactos do novo currículo do Ensino Médio gaúcho e alerta quanto ao avanço da militarização nas escolas do Rio Grande do Sul. 

Você pode conferir uma versão estendida das matérias da contracapa nos links abaixo:

>> Novo currículo do Ensino Médio gaúcho é retrocesso civilizatório
>> Escola é para quem tem formação para educar, não para reprimir

Junto à Sineta, também foi disponibilizado um encarte apresentando como votaram os deputados(as) – estaduais e federais – em projetos que retiraram direitos dos educadores(as), como as reformas da Previdência e Trabalhista, o desconto dos aposentados(as) e o desrespeitoso reajuste de 6%. Baixe o encarte clicando aqui! 

Leia abaixo ou baixe o arquivo da sineta aqui.

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Na manhã desta quinta-feira (26), o CPERS, representado pelo 2º vice-presidente Edson Garcia, prestigiou a solenidade de entrega da medalha do Mérito Farroupilha para o professor doutor José Clóvis de Azevedo, na Assembleia Legislativa do RS.

O evento aconteceu no Salão Júlio de Castilhos, tendo como proponente a deputada Sofia Cavedon (PT).

Secretário-geral do CPERS de 1987 a 1990 atuando ainda na Secretaria de Formação da CNTE, Azevedo é doutor em Educação pela Universidade de São Paulo e bacharel em História Econômica do Brasil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Em 2001, coordenou o Grupo de Trabalho que criou e estruturou a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), tendo sido o primeiro reitor da instituição. Em 2011, assumiu como Secretário Estadual de Educação durante o governo de Tarso Genro (PT).

Na cerimônia, José Clóvis fez um discurso emocionado, destacando que, de seus 67 anos, 51 foram dedicados ao magistério e à luta pela educação pública.

“Nessa trajetória passei por todas as esferas da educação pública – pelo chão da escola, pelo sindicalismo e pela gestão da educação. Reparto essa medalha com todos os professores, funcionários de escola, meus alunos, minha esposa Maria de Fátima e todos aqueles que lutam pelo ensino público”, concluiu Azevedo.

O 2º vice-presidente Edson Garcia, que também é ex-aluno de Azevedo, reflete sobre a importância do momento como reconhecimento à luta do professor. 

“Nos dá a oportunidade de refletir sobre a nossa luta diária. Porque a luta pela educação pública não se dá em vão. Antes de nós, já vieram alguns educadores como o professor Azevedo, que plantaram a semente e nós continuamos esta luta praticamente insana com governos que são automaticamente desmerecedores do nosso respeito.”

Edson ainda reforça: “Que tenhamos muitas oportunidades de momentos como esse, para homenagearmos professores e funcionários de escola que dedicam a sua vida a essa luta e por uma mudança social, para que todos tenham não só as mesmas oportunidades, mas também a mesma possibilidade de ponto de partida”.  

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O Rio Grande do Sul está a uma assinatura de Bolsonaro (PL) para concluir a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Com a aprovação, quem sofre são os gaúchos e gaúchas, que ficarão nove anos sem investimentos em educação, segurança, saúde, assistência e todas as demais áreas de atuação do poder público, condenando o RS ao subdesenvolvimento até 2031.

O RRF também inviabiliza a realização de concurso público e de contratação de pessoal, o que implicará, a longo prazo, na impossibilidade de atender a demanda da população de maneira correta, além da sobrecarga de trabalho dos servidores(as).

Esses mesmos servidores(as) sobrecarregados não terão reajuste salarial e nem melhoria nas suas respectivas carreiras, o que pode levar ao aumento da saída de trabalhadores(as) e um colapso dos sistemas de serviço público.

No último dia 17 de maio, deputados(as) da base do governo aprovaram o PLC 48/22, abrindo caminho para a adesão ao RRF e colocando em risco o futuro do estado.

Guarde os nomes dos deputados(as) que votaram a favor do projeto e contra o povo gaúcho.

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Na última quarta-feira (18), a Câmara dos Deputados aprovou o texto base do Projeto de Lei (PL) que regulamenta o ensino domiciliar no Brasil, também conhecido como “homeschooling”.

A tramitação do projeto dispensou todas as formalidades regimentais e não passou por debate em nenhuma comissão, já que foi votado em regime de urgência.

Agora, a luta se volta para barrar o PL.1338/2022 no Senado.

Pesquisa do Datafolha já demonstrou que oito em cada dez brasileiros rejeitam essa modalidade de ensino.

O homeschooling compromete o direito das crianças e adolescentes à convivência social e ao acesso a conhecimentos científicos, humanísticos e visões de mundo. O ensino domiciliar pode ainda colaborar com o aumento da violência doméstica e a exploração sexual, já que as escolas são grandes polos de identificação desses problemas, que normalmente ocorrem nas próprias famílias.

Escolas, para além de espaços de aprendizagem, são também locais de acolhimento, de garantia da segurança alimentar e nutricional para milhares de crianças em situação de miséria. Aprovar o homeschooling significa aprofundar as desigualdades educacionais, em um país já desigual.

Vamos impedir que o ensino domiciliar seja aprovado, acesse as redes dos senadores gaúchos e envie a mensagem abaixo:

Sr. Senador, 

O Brasil não quer o ensino domiciliar! Oito em cada dez brasileiros demonstram rejeição a essa modalidade de ensino, diz Datafolha. O país precisa de escolas equipadas, professores bem preparados e remunerados nas escolas públicas. Priorize investimento em educação de qualidade. Senador(a) que defende a educação, diz #NãoaoHomeschooling!

➡️ Lasier Martins (PODEMOS) 

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➡️ Luis Carlos Heinze (PP) 

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➡️ Paulo Paim (PT) 

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