As consequências do Novo Ensino Médio (NEM) pautaram a audiência pública realizada pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, da Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (27).

O 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, e a tesoureira do Sindicato, Rosane Zan, participaram do encontro destacando os principais impactos do NEM aos educadores(as), estudantes e comunidade escolar.

Durante a audiência, foram apresentados dois estudos desenvolvidos pela UFRGS e que escancaram a realidade da aplicação da reforma nas escolas estaduais do Rio Grande do Sul.

O Núcleo de Estudos de Política e Gestão da Educação, da Faculdade de Educação da Universidade, apresentou dados de uma pesquisa inédita sobre a implementação do Novo Ensino Médio na rede estadual.

O estudo, intitulado “O Novo Ensino Médio na rede estadual do RS: balanço de perdas e danos”, foi apresentado pela doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS, Angela Both Chagas. O foco, conforme ela, foram os itinerários formativos, com o objetivo de analisar a possibilidade dos estudantes escolherem os seus percursos.

Entre os dados apresentados, Ângela expôs que em 72% dos municípios gaúchos existe apenas uma escola estadual de Ensino Médio e 82,2% das matrículas desta etapa estão na rede estadual. “Qual a liberdade de escolha desses estudantes, se sequer têm a opção de ir para outra escola? Além disso, é fundamental que, tudo que for implementado, precisa considerar que o maior percentual de estudantes do Ensino Médio encontra-se na rede pública estadual”, pontuou.

Enxugamento de disciplinas e formação nas mãos de empresas privadas

Outro ponto destacado pela doutoranda foi a significativa restrição de todos os componentes curriculares. “Português e Matemática, componentes centrais da reforma, foram enxugadas. Português passou de 15 para 9 períodos semanais, já a Matemática de 18 para 9. Ao invés de aprofundamento, há uma fragmentação muito significativa”, observou Ângela.

Para ela, o NEM apresenta um catálogo com 24 trilhas, porém, a maioria das instituições não possui condições de oferecê-las. “Das escolas do Rio Grande do Sul, 69% ofertam apenas duas trilhas e cerca 15% oferecem somente uma. Das 1.119 escolas de Ensino Médio, apenas 61 oferecem disciplinas eletivas e de forma muito limitada”, relatou.

>> Clique aqui para conferir o estudo completo

A representante do Grupo de Estudos de Políticas Públicas para o Ensino Médio da Faculdade de Educação da UFRGS – professora Mariângela Silveira Bairros -, apresentou outro estudo, que está em fase preliminar, no qual é revelado um conjunto de empresas e instituições privadas que estão à frente das políticas do NEM. “Temos, por exemplo, o Instituto Iungo, criado em 2020, o Reúna, lançado em 2019, um banco privado, o Centro Lemman, Pacto pela Educação, Instituto Airton Sena e muitos outros. Por que a UFRGS e demais universidades públicas não foram chamadas?”, questionou.

Estudantes e educadores expõem dificuldades

Anderson Farias, presidente da União Gaúcha dos Estudantes (UGES), salientou que a maioria das escolas estaduais não possui estrutura para ofertar o NEM. “Há inúmeros problemas como banheiros interditados, falta de refeitório e quadra de esportes. Além de professores que precisam dar aula em áreas que não têm formação. Por isso, a comunidade escolar deveria ter sido ouvida”.

“Queremos disputar programas importantes da educação em nosso país. Sofremos com falta de estrutura e de professores com as formações específicas para as trilhas. Disciplina Projeto de vida, com a educação sucateada?”, indagou Kaick Silva, vice-presidente sul da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

Estudantes e educadores(as) das escolas CE Coronel Afonso Emílio Massot, ETE Senador Ernesto Dornelles, CE Paula Soares, CE Inácio Montanha e CE Protásio Alves, de Porto Alegre, a EEEM Tuiuti, de Gravataí, a Fundação Liberato Salzano Vieira da Cunha, de Novo Hamburgo, e EEEM Prof. Claudio Antonio Benvengnú, de Água Santa, participaram da audiência e expuseram as dificuldades enfrentadas.

“O estado nem conhece as escolas. Não tem nem merenda e quando tem, é um lanche como bolachas e é com isso que muitos têm que passar o dia inteiro e depois ir trabalhar. Concorremos a vaga nas universidades federais disputando com aqueles que fizeram inúmeros cursos preparatórios”, disse Luana Pinho, do Grêmio Estudantil do CE Inácio Montanha, da capital.

CPERS e CNTE defendem a revogação do NEM

O 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, classificou os dados dos estudos apresentados como extremamente importantes. “Esses dados trazem uma ligação de pontos entre a EC 95, a BNCC e, agora, o NEM, que não foi discutido nas escolas. Há instituições sem telhado, sem banheiro, sem internet e computador. Fizeram uma propaganda bonita, mas bem fora da realidade. É um projeto de destruição da educação pública. Nós, junto com a CNTE, estamos na luta pela revogação deste Novo Ensino Médio”, afirmou.

“Nunca imaginávamos essa desconstrução do conhecimento, onde matérias importantes foram extremamente enxugadas. É preciso que todos respondam à consulta pública colocada pelo MEC para que possamos barrar o Novo Ensino Médio, que não faz a construção do conhecimento, pelo contrário”, observou a tesoureira do CPERS, Rosane Zan.

Como encaminhamento da audiência, foi definido que a ata do encontro será transformada em um documento, que será encaminhado ao governo federal. “Também vamos construir um momento de ida à Brasília e tentaremos entregar os apontamentos colocados aqui ao presidente Lula, que deve estar na capital nesta sexta-feira”, afirmou a deputada e presidente da Comissão, Sofia Cavedon (PT).

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Se você contratou empréstimo com financeiras, pode estar pagando mais do que deveria nas prestações mensais.

Muitos servidores(as) sofrem com taxas de juros de empréstimos que chegam a ser 250% mais elevadas do que a média do mercado.

Com a ação revisional, da assessoria jurídica do CPERS, é possível reduzir as parcelas e o saldo devedor. A ação permite revisar contratos firmados nos últimos dez anos.

Relação de documentos necessários para ajuizar a ação revisional:

  • Cópia do RG
  • Comprovante de residência
  • Contrato com a financeira (se houver)
  • Extrato bancário dos últimos 3 meses
  • (se houver)
  • Cópia do carnê (se houver) ou comprovante de pagamento das parcelas
  • Procuração outorgando poderes para ajuizar a demanda
Dúvidas? Fale conosco a nossa assessoria jurídica, representada pelo escritório Buchabqui e Pinheiro Machado:
(51) 3073.7512
atendimento@buchabqui.adv.br
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Resultados de um recente estudo realizado pelo Dieese revelaram que o Brasil está sofrendo com a maior taxa de juros reais do mundo, com impressionantes 13,75%, desde agosto de 2022.

Essa situação alarmante tem um impacto direto no dia a dia de todos os brasileiros(as) que trabalham arduamente para garantir o sustento de suas famílias. Com uma taxa tão exorbitante, o crescimento econômico é sufocado, a geração de empregos é prejudicada e, para piorar, os trabalhadores(as) sofrem com o aumento do endividamento.

>> Confira a análise completa do Dieese no link.

O documento aponta que apenas o sistema financeiro lucra com a taxa Selic alta, que é a taxa básica de juros da economia. Segundo o Dieese, os cinco maiores bancos do país obtiveram lucro líquido de R$106,7 bilhões, em 2022.

Os endividados são penalizados com a cobrança abusiva de juros, uma vez que a taxa Selic é referência para o sistema financeiro. Quanto mais alta for essa taxa, que é definida pelo Banco Central, comandado por Roberto Campos Neto, mais as instituições financeiras aumentam os juros cobrados em linhas de crédito como financiamentos, empréstimos, cartão de crédito, cheque especial e até mesmo as prestações da casa própria. Dessa forma, dificulta cada vez mais o acesso ao poder de compra de quem mais precisa.

Os educadores(as), que estão sem um reajuste digno há anos, recorrem aos financiamentos para conseguirem sobreviver e dar o mínimo de sustento às suas famílias. Isso faz com que eles acabem se afundando em dívidas com as instituições bancárias.

Assim, a produção diminui, os preços decolam e o consumo despenca afetando a arrecadação da União (estados e municípios). Isso dificulta a entrega de políticas públicas para os que mais necessitam, escancarando ainda mais a desigualdade no país, com a falta de empregos e condições de trabalho precárias.

A justificativa do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), para manter a taxa alta é a de controlar a inflação. No entanto, a inflação está em queda e não é uma inflação de demanda.

Manter essa taxa abusiva beneficia apenas banqueiros e investidores que dependem do aumento da taxa Selic, enquanto milhares de trabalhadores(as) caem na inadimplência para poder sobreviver.

O CPERS seguirá mobilizado e somando-se à luta das centrais sindicais nas ruas e nas redes contra os juros altos até que Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC), pare de boicotar a economia brasileira por meio da Selic elevada.

Foto de capa: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Em mais um ato de solidariedade às famílias vitimadas pelas fortes chuvas que assolaram o estado, representantes da Frente dos Servidores(as) Públicos (FSP) entregaram doações de agasalhos, nesta sexta-feira (23), para a comunidade da EEEF DR Carlos Barbosa Gonçalves, localizada no bairro Navegantes, em Porto Alegre.

“Esta ação é um lembrete poderoso de que podemos nos unir e fazer a diferença na vida daqueles que mais necessitam”, afirmou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

A diretora da escola, Mariana Ferraz, expressou o impacto da realidade que os alunos(as) e suas famílias enfrentam. “Em meio às fortes chuvas, temos estudantes que perderam tudo, que não têm nem mesmo roupas de frio e pares de tênis”, frisou.

Na ocasião, também estavam presentes a secretária-geral do CPERS, Suzana Lauermann, o vice-presidente do Sindsepers, Rogério Viana, a representante do Sindppen, Nivea Carpes, e a professora da EEEF DR Carlos Barbosa Gonçalves, Andreia Schürer. 

 

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Nesta sexta-feira (23), ocorreu o segundo Encontro Regional dos Aposentados(as) do CPERS, que mobilizou educadores(as) de Cachoeira do Sul (4º Núcleo), Santa Maria (2º Núcleo) e São Gabriel (41º Núcleo). O evento ocorreu no salão da Sociedade Rio Branco, em Cachoeira do Sul.

Fortalecer a luta, análise da conjuntura política, informações jurídicas, cuidados com a saúde e muito entretenimento são alguns dos assuntos abordados durante a atividade

A diretora do Departamento dos Aposentados(as), Glaci Weber, contou como se criou a ideia de fazer os Encontros dos Aposentados e destacou que a atividade também é uma forma de resistência e luta. “Eu tenho orgulho de estar aqui, de estar com saúde, de poder estar lutando, porque o que estamos fazendo aqui é mobilizar. Estamos unindo forças para continuar a luta”, concluiu.

O 1º vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, fez a análise da conjuntura política estadual. “O que tem acontecido nesses últimos anos, no governo de Eduardo Leite, é um dos maiores crimes contra o Rio Grande do Sul. Não é só contra a nossa categoria, contra a educação, é contra o Estado como um todo. É um governo que fez uma opção clara, de ser excludente e elitista”, reforça Alex.

Rosane Zan, tesoureira do CPERS, salientou a resistência e luta dos aposentados ao longo dos anos contra os governos neoliberais, que visam a retirada de direitos dos trabalhadores(as).

“Nesses 78 anos de história do CPERS, nós nunca fugimos da luta, sempre estivemos lá, além de fazer a defesa da democracia, nós defendemos os nossos direitos. Precisamos fazer, sim, a leitura política do que teremos pela frente para decidir os próximos passos da luta”, destacou.

O advogado Marcelo Fagundes, da assessoria jurídica do CPERS, explicou questões importantes como as consequências da Reforma da Previdência estadual para os aposentados(as). “Com Eduardo Leite, nossos professores e funcionários de escola aposentados voltaram a pagar a previdência. Temos educadores que não estão querendo mais se aposentar, querem continuar na ativa, para não perder direitos”, asseverou Marcelo.

Cuidados com a Saúde e Entretenimento

O médico, Alexandre Pedroso Lemos, explanou sobre o tema “Como melhorar a saúde dos aposentados(as) na era digital”. Pedroso deu dicas de cuidados com a saúde e destacou que tipo de médico é mais qualificado para os cuidados com o corpo.

“O melhor médico é aquele que é capaz de prevenir doenças, que investiga sua rotina e seu ambiente, e o pior médico do mundo é aquele que proíbe tudo, não pode comer doce, frituras, que não pode fazer nada. Pode fazer as coisas e comer, sim, mas com moderação.”

Os aposentados participaram da atividade cultural “Projeto Lagar, espremedura de palavras: Ciclos e outras cartas”, ministradas pelas educadoras Renata Fortes Gaertner e Rosane Guimarães.

Os aposentados e aposentadas divertiram-se com o “Desafio das Danças Folclóricas ”, com o ritmo samba. Os grupos que se apresentaram foram dos núcleos de Cachoeira do Sul e Santa Maria. A equipe vencedora, classificada para a etapa estadual, foi a de Cachoeira do Sul.

A mesa de jurados foi composta por Cleusa Regina da Rosa Corrêa, professora aposentada com 37 anos de trabalho para o Estado, atuando como produtora cultural em prol da educação afro, de São Gabriel, além de Itamar Fontoura da Silva, professor de dança de salão, de Cachoeira do Sul, e Ana Lucia Vargas, professora de dança, de Santa Maria.

Para encerrar o encontro, as aposentadas, que participaram do Desafio das Danças, fizeram uma linda apresentação interpretando a música “Ladainha de Nossa Senhora da Amazônia”.

Participaram da atividade as diretoras do CPERS, Alda Bastos Souza, Juçara Borges e Vera Lessês, a diretora do 4º Núcleo (Cachoeira do Sul), Dina Marilú Machado Almeida, a diretora do 2º Núcleo (Santa Maria), Dgenne Cristina Ribeiro da Silva, e o diretor do 41º Núcleo (São Gabriel), Pedro Moacir Abrianos Moreira.

Confira o cronograma dos próximos Encontros Regionais de Aposentados:

Quarta-feira (28): 29º Núcleo (Santiago) com os núcleos São Luiz Gonzaga (33º) e Cerro Largo (36º).
Local: CTG Nativista Os Tropeiros (Av. Padre Assis, 129, São Jorge).

Quinta-feira (29): 19º Núcleo (Alegrete), com os núcleos participantes São Borja (16º) e Uruguaiana (21º).
Local: CTG Farroupilha (Av. Eurípedes Brasil Milano, 509, Centro).

  

   

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“A revogação do Novo Ensino Médio é condição essencial para se resgatar o direito à educação no Brasil”, afirma a CNTE em nota, publicada nesta sexta-feira (23).

>> Confira, abaixo, a nota completa:

A revogação do Novo Ensino Médio – NEM, implementado pela Lei número 13.415/17, é condição essencial para se resgatar o direito à educação no Brasil, à luz dos princípios do acesso universal, da qualidade e da equidade no atendimento escolar, sobretudo para a grande maioria dos jovens que frequenta a escola pública (quase 88% das matrículas no ensino médio estão nas redes públicas).

Sobre o acesso à escola, nenhuma política pode prescindir de mecanismos voltados para a superação das desigualdades. E o Brasil continua acumulando taxas indigentes de exclusão escolar: mais de 70 milhões de pessoas acima de 18 anos de idade não concluíram o ensino médio, segundo dados da Pnad-Contínua do IBGE, e mais de 25% dos jovens entre 15 e 17 anos não frequentam o ensino médio – estão no ensino fundamental ou fora da escola. Além disso, mais da metade da população infantil não tem acesso à creche.

Ainda sobre a exclusão escolar no Brasil, de acordo com o relatório do 4o Ciclo de Acompanhamento das Metas do Plano Nacional de Educação – 2022, houve queda nas taxas líquidas de matrículas em todas as etapas pesquisadas. Especificamente no corte etário de 5 anos, 97,2% das crianças nesta idade frequentavam a escola em 2019, contra 84,9% em 2021. Na população de 6 a 14 anos (ensino fundamental), o percentual caiu de 98,3% para 95,1%, entre 2018 e 2021, enquanto que entre os jovens de 15 a 17 anos (ensino médio) passou de 76,6% para 74,5% no período de 2020 e 2021. Também é ultrajante a informação contida no último relatório Education at a Glance, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, que apontou o percentual de 36% de jovens brasileiros entre 18 e 24 anos que não estudam e nem trabalham. Entre as 45 nações pesquisadas pela OCDE, o Brasil só não ficou atrás da África do Sul, vítima do criminoso apartheid racial implementado no país entre 1948 e 1994.

O NEM, em parceria com a Base Nacional Comum Curricular – BNCC, também induz uma espécie de apartheid socioeducacional na medida em que esvazia os conteúdos da formação geral básica nas escolas públicas, substituindo os componentes curriculares de história, geografia, sociologia, filosofia, artes, física, química, biologia – pilares do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM e de demais certames para acesso à educação superior –, por conteúdos desprovidos de base teórica e apartados dos objetivos da escolarização. E essa mudança tende a comprometer gravemente a aprendizagem das classes populares, diminuindo suas chances de acesso às universidades públicas e gratuitas.

Porém, esse não é o único complicador! Os itinerários formativos que não se encontram disponíveis para todos os estudantes e em todas as escolas, especialmente nos mais de 2.500 municípios com apenas uma única escola pública de nível médio, rompem com a unidade formativa no nível básico, uma vez que foram desvinculados da formação geral, dos projetos político-pedagógicos das escolas e da própria orientação docente. E a ampla terceirização privatista dos currículos, especialmente nos itinerários, junto com a desprofissionalização do magistério por meio do Notório Saber na formação técnica e profissional, ou mesmo a improvisação imposta aos docentes para lecionarem conteúdos estranhos à sua formação profissional (“O que rola por aí”, “RPG”, “Brigadeiro caseiro”, Mundo Pets S.A”, “Arte de morar”, entre outros) corroboram o esvaziamento da escola pública e o intenso processo de desvalorização de seus profissionais.

Pelas razões expostas, e pela total incompatibilidade com a organização curricular e pedagógica das escolas, o NEM nunca entregou e nem entregará as pseudo-oportunidades anunciadas para a formação inovadora e conectada aos interesses da juventude. Trata-se de projeto excludente e direcionado à exploração desenfreada do capital, que reduz as possibilidades de ascensão social das classes menos abastadas. Por outro lado, serve de estímulo à expansão das matrículas particulares – para as famílias que podem dispor de recursos para financiar mensalidades em escolas de referência –, já que essas não abriram e nem abrirão mão de ofertar uma sólida base de formação geral a seus estudantes. Os itinerários formativos, se adotados por essas instituições, certamentre estarão vinculados à base curricular geral, de maneira complementar e não acessória e desprovida de conteúdos curriculares embasadores da formação escolar.

Diante desta realidade fática, a CNTE e parte significativa da sociedade civil organizada, entre educadores, pesquisadores, estudantes, pais, mães e movimentos sociais engajados na defesa da escola pública e pelos direitos da juventude, têm denunciado as incoerências e gravidades impostas pelo Novo Ensino Médio no Brasil, que traz consigo, de forma mal adaptada, o importante mote da educação em tempo integral. Este tipo de oferta, bastante desejável para a melhoria da educação – e que precisa observar as condições mínimas da Meta 6 do PNE (Lei no 13.005/14), sobretudo seu caráter sistêmico em toda a educação básica (da creche ao ensino médio) –, carece de um período de transição que não comprometa a oferta escolar para o público que não poderá acessar o tempo integral, seja porque muitas das escolas ainda não estão preparadas para essa finalidade (em termos de infraestrutura, materiais didáticos, organização curricular e formação de seus profissionais), ou porque parte expressiva da juventude e dos adultos com ensino médio incompleto possui outras prioridades inadiáveis – o “ganha pão” para o próprio sustento e de suas famílais – e precisa dispor de atendimento em escolas regulares de tempo parcial, tanto diurnas como noturnas, ou na Educação de Jovens e Adultos – EJA.

A consulta do MEC sobre o NEM, conforme a CNTE já se manifestou anteriormente, possibilita reabrir o debate sobre essas e outras questões relacionadas ao modelo de ensino médio imposto ao país após a ruptura/golpe institucional de 2016, mas acreditamos que o novo PNE, a ser aprovado no próximo ano, terá papel importante na definição de metas e estratégias para o conjunto da educação brasileira, inclusive o ensino médio, devendo servir de bússola para a construção do tão almejado projeto de educação emancipadora, inclusiva, democrática e freiriana para o Brasil.

Por ora, a revogação da Lei no 13.415 – ou suas principais incongruências que vão além daquelas apontadas na consulta pública do MEC – exige a aprovação de outro instrumento legal pautado nas realidades e condições acima descritas, e que busque atender as expectativas da juventude e dos adultos com escolarização incompleta. Todos desejam um ensino médio mais dinâmico, criativo, voltado para as áreas de interesse dos estudantes, porém, é preciso assegurar plenas condições de acesso e qualidade para todos/as, sem deixar de tratar desigualmente os desiguais para promover a efetiva igualdade.

Nesta perspectiva de alteração legislativa, já existem dois projetos de lei protocolados na Câmara dos Deputados (PL no 1.299/23 PL no 2.601/23) que atendem parcialmente as expectativas do conjunto da sociedade que luta pela revogação do NEM. Por óbvio, e considerando a atual composição do Congresso Nacional, o ideal seria a construção de um projeto de consenso entre o MEC, os gestores estaduais e a sociedade. Mas os indicativos não apontam para essa realidade. E muito provavelmente caberá à sociedade progressista construir seu instrumento de luta – ou apresentar emendas aos projetos já protocolados –, de forma mais coletiva e agregadora possível, a fim de atrair os votos necessários para obter maioria nas duas Casas do parlamento.

Na visão inicial da CNTE, a qual pretendemos ampliar o debate em âmbito do Fórum Nacional de Educação – FNE e do Fórum Nacional Popular de Educação – FNPE, a substituição do NEM por outro ensino médio substancialmente includente e de qualidade requer a agragação ao menos dos seguintes compromissos, muitos deles dispostos na Resolução CNE/CEB no 2/2012, fruto de amplo debate com a sociedade:

  1. Garantir a duração mínima de 2.400 horas para o ensino médio regular (diurno e noturno), em no mínimo 3 anos, para atender a formação geral básica dos estudantes.
  2. O ensino médio regular diurno, quando adequado aos seus estudantes, poderá se organizar em regime de tempo integral com, no mínimo, 7 horas diárias.
  3. No regime de tempo integral, a formação geral básica deverá ter duração mínima e presencial de 2.400 horas ao longo do curso.
  4. A parte diversificada do currículo, na oferta em tempo integral, não pode constituir bloco distinto da formação geral e deve assegurar, no mínimo, 70% da carga horária em ambiente escolar e presencial, admitindo-se seu complemento através de atividades de pesquisa e extensão, desde que vinculadas aos projetos pedagógicos das escolas e sob supervisão docente.
  5. O estudo da Língua Espanhola deve ser optativo a partir do 6o ano do ensino fundamental e obrigatório no ensino médio, buscando atender aos pressupostos da integração regional e cultural da região latino-americana.
  6. A oferta da educação profissional técnica de nível médio deve atender aos preceitos dos artigos 36-A a 36-D e 39 a 42 da Lei 9.394/96, e se dar preferenciamente de forma articulada com o ensino médio regular ou com a EJA de nível médio.
  7. A BNCC e a formação de professores (BNC-Formação) deverão ser revistas para atender aos pressupostos da nova configuração do ensino médio, mantendo, também, maior sintonia com o ensino fundamental.
  8. À luz do Sistema Nacional de Educação e de incrementos no FUNDEB, especialmente com a implementação do Custo Aluno Qualidade, será necessário aperfeiçoar as políticas de cooperação e construir novos regimes de colaboração no sentido de assegurar a ampliação da oferta escolar em tempo integral para toda a educação básica. O PL no 2.617/23, do Executivo Federal, que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados, embora atente para essa finalidade, ainda possui muitas limitações sobretudo porque não garante aspectos da infraestrutura necessários para a oferta escolar de 7 horas diárias.

A consulta pública do MEC sobre o NEM se encerra no próximo dia 6 de julho, quando será aberto o prazo de mais 30 dias para o Ministério apresentar os resultados da pesquisa e propor alternativas ao NEM. A CNTE reitera que não bastam mudanças pontuais na Lei no 13.415 e em suas normatizações, pois a estrutura concentual do NEM é altamente prejudicial à educação pública e à sociedade brasileira. Esperamos, assim, poder avançar na construção coletiva – quiçá com o próprio Governo Federal – de um outro projeto para o ensino médio, que deverá integrar os compromissos do próximo Plano Decenal de Educação.

Brasília, 23 de junho de 2023.

Diretoria da CNTE

Fonte: CNTE

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Nesta sexta-feira (23), pela manhã, ocorreu mais um encontro da Frente dos Servidores Públicos (FSP) para definir os próximos passos da luta em defesa dos trabalhadores(as) gaúchos, na sede do CPERS.

O objetivo principal foi fortalecer a unidade em defesa da Revisão Geral dos Salários para todos os servidores(as). Os representantes de aproximadamente 15 entidades também reforçaram a resistência contra os ataques de Eduardo Leite (PSDB) e sua base aliada ao funcionalismo público.

“Em meio aos desafios que enfrentamos, nos encontramos unidos e firmemente mobilizados como uma Frente coesa e determinada. É através dessa união que buscamos a melhor estratégia para alcançar o nosso maior objetivo: a luta por valorização salarial e forte resistência aos ataques do governo”, frisou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Durante o encontro, também foi realizado um balanço sobre o ato do dia 20, data em que o projeto nefasto de reforma do IPE Saúde (PLC 259) foi aprovado pelos deputados(as) da base de Eduardo Leite (PSDB). A mobilização reuniu cerca de 10 mil trabalhadores(as) em ato histórico de resistência, ganhando visibilidade dentro e fora do Rio Grande do Sul.

Entre os encaminhamentos estão mobilizar a base pela Revisão Geral dos salários, denunciar os partidos políticos que votam contra os servidores(as) e repercutir aqueles que estão do lado dos trabalhadores(as), além de engajar as mídias para expor a política cruel do atual governo contra o povo gaúcho.

 

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Nesta quinta-feira (22), foi dada a largada para os Encontros Regionais dos Aposentados do CPERS. O 6º Núcleo (Rio Grande) sediou a iniciativa, realizada na Sociedade Cultural Águia Branca, que contou também com a participação de educadores(as) das regiões de Pelotas, Bagé e Santana do Livramento.

“A emoção de estar aqui é muito grande. Ao entrar na cidade passou um filme na minha cabeça, lembrei de todas as nossas lutas. Nunca devemos esquecer que nós somos vitoriosos, somos fortes, guerreiros e estamos sempre na luta”, emocionou-se a diretora do Departamento dos Aposentados(as) do CPERS, Glaci Weber.

Suzana Lauermann, secretária-geral do Sindicato, ressaltou a forma cruel que o governo Eduardo Leite (PSDB) trata os educadores(as). “Chego a dizer que o problema do governo são os aposentados, tratando-os como descartáveis. Vocês nos ensinaram e ensinam muito, principalmente a resistir.”

A situação do IPE Saúde foi explanada pela diretora do CPERS e representante do Sindicato no Conselho de Administração do IPE Saúde, Vera Lessês. “O projeto foi aprovado na terça-feira, mesmo com toda a pressão que fizemos, vamos passar a contribuir com 3,6% todo mês. Teremos que desembolsar meio por cento a mais para pagar o IPE, independente da nossa faixa etária”, explicou.

A diretora do Departamento dos Funcionários de escola do CPERS, Sônia Solange Viana, destacou a responsabilidade do governo quanto à crise do IPE Saúde. “Se não entra dinheiro novo em nossa conta, também não entra no IPE. Por isso essa situação. Estamos há nove anos sem nenhum reajuste digno”, expôs.

Logo após, as educadoras(es) fizeram uma salva de palmas em homenagem à professora aposentada, Arlete Ávila, que se encontra hospitalizada.

As diretoras do CPERS, Juçara Borges e Alda Bastos Souza, a vice-diretora do núcleo de Pelotas, Renata Petrucci Souto Allemand , a vice-diretora do núcleo de Rio Grande, Andréa Nunes da Rosa, e a secretária Denise Correa Teixeira, além da diretora do núcleo de Bagé, Ana Lúcia Xavier, e a diretora do núcleo de Santana do Livramento, Adriana de Leon dos Santos, também estavam presentes no Encontro.

Análise da conjuntura

Após as boas-vindas dos diretores de núcleo e da direção central do Sindicato, ocorreu o painel sobre a conjuntura política atual. A análise foi realizada pela professora Dóris Nogueira, dirigente da CNTE e da CUT Estadual. “Vivemos tempos extremamente duros com o governo anterior. Fomos severamente atacados e não podemos esquecer quem nos ataca. Ser aposentado, hoje em dia, está cada vez mais difícil. Mas o governo eleito agora é uma luz de esperança”, pontuou Dóris.

O advogado da assessoria jurídica do CPERS, Marcelo Fagundes, lembrou de todos os ataques orquestrados pelo governo Eduardo Leite (PSDB) contra os aposentados(as) como a reforma da Previdência. “Tinham suas contas organizadas, de uma hora para outra vem o governo e tira 300, 400 reais de vocês. Está faltando dinheiro para os remédios e para coisas básicas do dia a dia”, frisou.

As atividades da manhã encerraram com a apresentação cultural do Coral do 24° Núcleo (Pelotas).

Pela tarde, ocorreu o painel “O momento e o desafio político ao longo dos ciclos vitais”, ministrado pelo psicólogo Marcelo Bastos da Silva Martins.

Após, iniciou-se a apresentação dos grupos participantes do Desafio das Danças Folclóricas Internacionais, dos núcleos de Bagé, Pelotas e Rio Grande.

O júri foi composto por Carla Genovese, professora de Danças Ciganas, Marco Aurélio Souza, professor do Curso de Dança da Universidade Federal de Pelotas, Tília Rabello, representante do Centro Português, de Rio Grande.

O grupo selecionado para a etapa estadual do Desafio das Danças foi o de Pelotas, que se apresentou com a Música Vira, da região do Douro Litoral, Portugal.

Nesta sexta-feira (23), será a vez de Cachoeira do Sul sediar o evento, com a participação dos núcleos de Santa Maria, São Gabriel e Cachoeira do Sul. Contate o seu núcleo e mobilize-se!

 

 

 

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Em uma votação que representa uma conquista para os educadores(as), o Senado aprovou, em plenário na noite desta quarta-feira (21), o novo marco fiscal (PLP 93/2023). O relator Omar Aziz (PSD-AM) apresentou o texto, que excluiu o Fundeb do futuro limite de gastos, preservando assim a principal fonte de recursos para a educação básica no Brasil.

Além disso, os gastos com ciência, tecnologia e inovação também foram retirados do conjunto de regras fiscais. Com essas modificações, o texto será encaminhado de volta à Câmara dos Deputados, que havia aprovado o projeto com a inclusão do comprometimento dos investimentos do Fundeb. Nesse momento, é crucial manter a mobilização para evitar retrocessos.

Incluir esse fundo no conjunto de regras fiscais representaria uma restrição significativa dos recursos destinados aos estados e municípios, impactando os salários dos professores e funcionários, prejudicando os investimentos na construção, reforma e equipagem de escolas públicas, bem como o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação.

O CPERS e a CNTE defendem que a educação não deve ser considerada como uma despesa sujeita a regras fiscais, mas sim um investimento. Limitar o Fundeb é limitar o futuro do país. Estamos vigilantes e mobilizados para pressionar os deputados(as) de forma efetiva.

Foto de capa: Jonas Pereira/Ag. Senado

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Enquanto Eduardo Leite (PSDB) e sua base aliada massacravam os trabalhadores(as), na última terça (20), com a aprovação do projeto de reforma do IPE Saúde (PLC 259), no mesmo dia, o CPERS e a Frente dos Servidores Públicos (FSP) buscavam aliviar o sofrimento daqueles que foram afetados pelas adversidades climáticas, coletando agasalhos e alimentos às famílias vitimadas pelas fortes chuvas no estado.

Um dia após a aprovação do vergonhoso PLC 259, nesta quarta-feira (21), representantes do Sindicato e da FSP entregaram as doações para o Centro de Educação Ambiental (CEA), de Bom Jesus, deixando claro que a empatia e a solidariedade ainda prevalecem – diferente das decisões políticas do governo Leite (PSDB), que não prioriza o bem-estar da população.

Enquanto Eduardo Leite opta por medidas que impactam negativamente o orçamento e a saúde dos trabalhadores, o CPERS e a Frente dos Servidores Públicos fazem diferente, agindo sempre em benefício da coletividade, mesmo quando enfrentamos obstáculos políticos e econômicos”, asseverou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

“Estamos aqui para trazer a esperança e o alento para aqueles que mais precisam. Que esse exemplo de solidariedade inspire outros líderes e autoridades a repensarem suas prioridades e a agirem em prol do bem comum”, completou a presidente Helenir.

O CEA é dedicado a promover a capacitação, a organização e a luta pelas liberdades individuais e coletivas, visando a justiça social e a defesa dos direitos fundamentais do ser humano. Além disso, empenha-se em melhorar a qualidade de vida e preservar o meio ambiente dos moradores(as) da Bom Jesus.

Vale destacar que inúmeras famílias da comunidade Bom Jesus foram prejudicadas pelas fortes chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul. 

Para a presidente do CEA Bom Jesus, Ana Paula Medeiros, a ação conjunta do CPERS e demais entidades da FSP é fundamental para a  população que está mais vulnerável.

“É por meio de ações concretas, parcerias estratégicas e a dedicação incansável do coletivo que se faz a diferença na vida das pessoas. Acreditamos no poder transformador da educação e da solidariedade e no impacto que elas têm na vida de cada um. Só assim podemos construir uma comunidade mais fortalecida, participativa e solidária”, destacou.

“A atuação solidária da Frente dos Servidores Públicos é verdadeiramente fundamental. Mesmo diante de todas as adversidades e dificuldades que enfrentamos, em que estamos cada vez mais empobrecidos devido à política da atual gestão. É emocionante constatar que mantemos viva a chama da empatia e da solidariedade em relação ao próximo, algo que falta ao nosso governador Eduardo Leite, seu vice Gabriel Souza e seus aliados no governo”, afirmou o secretário-geral do Sindjus, Fabiano Zalazar.

Em meio a tempos difíceis, servidores(as) públicos seguem unidos para oferecer suporte uns aos outros. Essa conexão humana, alimentada pela compaixão e pelo desejo de melhorar a vida daqueles que enfrentam as mesmas dificuldades, é o elo para a luta.

Os representantes sindicais deixaram a sua mensagem para que esta ação, do CPERS e da FSP, seja um exemplo poderoso para que, no mínimo, Eduardo Leite (PSDB) e seus aliados possam aprender a redescobrir o verdadeiro propósito de estar no poder: servir ao povo com empatia, compreensão e generosidade.

Também estavam presentes a secretária-geral do CPERS, Suzana Lauermann, o vice-presidente do Sindsepers, Rogério Viana, o representante do Sintergs, Eder Pereira, além de Sirlei de Souza, coordenadora operacional da CTVP.

 

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