Na busca pela promoção da paz nas escolas, a Câmara dos Deputados colocou para análise o projeto de Lei 5.686/23, que define regras para o controle de conteúdos que estimulem violência ou incidentes com múltiplas vítimas (IMV) em instituições de ensino. Segundo a proposta, provedores de aplicações de internet serão obrigados a realizar o trabalho de contenção e notificação de conteúdos nocivos.

A proposta altera o Marco Civil da Internet, o Código Brasileiro de Telecomunicações e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

Entre as obrigações impostas na política, os provedores deverão:

I- Monitorar ativamente e de forma preventiva os conteúdos impulsionados ou publicitários que possam caracterizar violência, fazer apologia ou incitar ataques em escolas;

II- Remover imediatamente, após notificados, conteúdos que foram ilícitos ou potencialmente nocivos que estimulem violência ou IMV em escolas, sob pena de responder juntamente com o autor da ofensa;

III- Oferecer ferramentas para que pais e responsáveis controlem o conteúdo acessado pelos filhos; e

IV- Criar um canal de denúncias exclusivamente dedicado ao Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (Snave), de que trata a Lei 14.643/23.

O projeto esclarece, ainda, que os provedores deverão fornecer os dados cadastrais de divulgadores de conteúdos relacionados à violência nas escolas para as autoridades investigativas, mesmo sem prévia autorização judicial.

Força tarefa

O projeto, de autoria de vários deputados federais, é resultado do Grupo de Trabalho sobre a Política de Combate à Violência nas Escolas Brasileiras, criado na Câmara em 2023.

“Vale ressaltar que o monitoramento ativo se dará somente no caso de conteúdos impulsionados e publicitários que coloquem em risco a proteção e a segurança da comunidade escolar”, justificaram no texto. “Não se trata de monitorar ativamente todo e qualquer conteúdo online”, reforçaram os autores.

Segundo a secretária de Finanças da CNTE e membro do Grupo de Trabalho interministerial (GTI) de “Prevenção e enfrentamento da violência nas escolas”, Rosilene Corrêa, para que se tenha a mudança no cenário de violência nas escolas, é preciso ter uma força tarefa.

“São vários movimentos, várias providências e políticas que, por fim, se tornam uma soma. Não é por uma razão única que a gente vive esse ambiente de muita violência. E se tratando de um ambiente escolar, é super positivo que tenhamos essas medidas, e que a gente responsabilize, também, esses espaços”, relata Rosilene.

Tramitação

O PL será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Educação; de Comunicação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Com informações da Agência Câmara de Notícias

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Discutir na base a construção da Greve da educação por valorização salarial para TODA a categoria: funcionárias(os) e professoras(es), da ativa e aposentadas(os), com e sem paridade. Esta foi a principal proposta de mobilização aprovada na Assembleia Geral do CPERS, realizada nesta sexta-feira (22), na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre.

No “Dia D de Mobilização”, dentro da programação do “Março de Lutas” do Sindicato, milhares de educadoras(es) deixaram o recado para a praga que devasta o ensino público gaúcho: chega de descaso, Eduardo Leite (PSDB)!

“Quem esteve na nossa Assembleia Geral volta para as escolas e para casa com um compromisso: temos que pressionar e aumentar o tom com o governo do Estado. Além da massiva participação nas atividades marcadas, é importante discutir nas escolas a construção da greve caso Eduardo Leite não atenda as nossas demandas. Essa é a discussão que tem que acontecer no chão da escola”, conclamou a presidente do Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, ao fim do encontro.

>> Confira a íntegra da Assembleia Geral no vídeo:

Além da construção da Greve, a Assembleia também deliberou o fortalecimento da luta pelo aumento do salário básico das(os) funcionárias(os) de escola para, no mínimo, o valor do Salário Mínimo Regional, aplicado no Plano de Carreira, o fim do desconto das verbas indenizatórias do completivo e a pressão pela Revisão Geral dos salários para a garantia de reajuste para aquelas e aqueles que ficaram de fora do aumento do Piso.

Os educadores e educadoras participantes também ratificaram um calendário de lutas tirado do Conselho Geral da entidade, realizado na noite desta quinta-feira (21), que definiu as propostas que seriam apresentadas na Assembleia. Confira abaixo:

  • 23/03/2024: participar do Dia Nacional de Mobilização: “Ditadura Nunca Mais! Contra o Genocídio na Palestina, Em Memória dos 60 Anos do Golpe, Em Defesa da Democracia e Sem Anistia para os Golpistas”, promovido pela Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo;
  • 26/03/2024: realizar, em todas as regiões do Estado, a denúncia no PROCON da ausência de atendimento do IPE Saúde, mesmo após o aumento na contribuição;
  • 1°/04/2024: realizar panfletagem em todos os Núcleos, desmascarando as mentiras de Eduardo Leite (PSDB) e distribuindo a carta construída no V Encontro Estadual de Aposentadas(os) do CPERS, com os núcleos organizando grupos para a distribuição de material;
  • 04/04/2024: realizar Ato Estadual com paralisação pelo básico de, no mínimo, o valor do Salário Mínimo Regional aplicado no Plano de Carreira das(os) funcionárias(os) de escola e pelo fim do desconto das verbas indenizatórias do completivo destas(es) servidoras(es) e pela revisão geral dos salários;
  • 18/04/2024: participar do Dia Nacional de Luta chamado pela CNTE, com atividades nos municípios, em defesa do Piso Salarial, da Carreira, pela manutenção da luta pela revogação do Novo Ensino Médio e do Plano Nacional de Educação Democrático e Emancipador;
  • De 22 a 26/04/2024: participar das atividades promovidas pela CNTE na Semana da Educação;
  • 24/04/2024: realizar Ato Estadual, chamado pelo CPERS/Sindicato, e construído com a unidade dos servidores(as) públicos, com as pautas salarias das(os) professoras(es) e funcionárias(os);
  • 1°/05/2024: participar das atividades chamadas pelas Centrais Sindicais nos Núcleos do Sindicato;
  • 22/05/2024: participar da Marcha de Trabalhadores(as) em Brasília. 

>> Confira o álbum com as fotos da Assembleia Geral do CPERS:

Em defesa do IPE Saúde, CPERS e FSP marcham pela capital

Antecedendo a realização da Assembleia Geral, na manhã desta sexta-feira (22), milhares de servidores e servidoras, de todo o Rio Grande do Sul, realizaram um Ato Público Estadual e, posteriormente, saíram em caminhada, da sede do IPE Saúde até o Palácio Piratini, na luta incansável por um atendimento de qualidade no Instituto e para denunciar as injustiças e as mentiras do governo Leite (PSDB) à população gaúcha.

Na abertura do ato, o presidente da autarquia, Paulo Opermann, recebeu o CPERS e representantes de entidades da Frente dos Servidores Públicos do RS (FSP/RS) para ouvir as demandas das categorias.

Após a reforma do IPE Saúde, proposta pelo Executivo e aprovada pela Assembleia Legislativa, em junho de 2023, servidores(as) sofrem com o aumento das alíquotas e a taxação de seus dependentes. Porém, o discurso vendido para a sociedade por Leite (PSDB), de que o acréscimo nas contribuições qualificaria os serviços oferecidos, não se sustenta – e a realidade prova o contrário diariamente.

>> Veja o álbum com as fotos da reunião e da caminhada dos(as) servidores(as) pela capital: 

>> Confira o conjunto das propostas de mobilização aprovadas na Assembleia Geral desta sexta-feira (22):

1 – Discutir na base a construção da Greve, realizando paralisações e Atos Estaduais;

2 – Realizar Ato Estadual com Paralisação no dia 04/04/2024, pelo básico de, no mínimo, o valor do Salário Mínimo Regional, aplicado no Plano de Carreira das(os) funcionários(as) de escola, pelo fim do desconto das verbas indenizatórias do completivo e pela Revisão Geral dos salários;

3 – Realizar panfletagem em todos os Núcleos, no dia 01/04/2024, desmascarando as mentiras de Eduardo Leite (PSDB) e distribuindo a carta construída no V Encontro Estadual de Aposentadas(os), com os núcleos organizando grupos para a distribuição de material;

4 – Realizar no dia 26/03/2024, em todas as regiões do Estado, a denúncia no PROCON da ausência de atendimento do IPE Saúde, mesmo após o aumento na contribuição;

5 – Participar do Dia Nacional de Luta em 18/04/2024, chamado pela CNTE, com atividades nos Municípios, em defesa do Piso Salarial, da Carreira, pela manutenção da luta pela revogação do Novo Ensino Médio e do Plano Nacional de Educação Democrático e Emancipador;

6 – Participar das atividades, promovidas pela CNTE, na Semana da Educação, entre os dias 22 e 26/04/2024;

7 – Realizar Ato Estadual, chamado pelo CPERS/Sindicato e construído com a unidade dos servidores(as) públicos, no dia 24/04/2024, com as pautas salariais dos professores(as) e funcionários(as);

8 – Participar do Dia Nacional de Mobilização, dia 23/03/2024, promovido pela Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo: “Ditadura Nunca Mais! Contra o Genocídio na Palestina, Em Memória dos 60 Anos do Golpe, Em Defesa da Democracia e Sem Anistia para os Golpistas”;

9 – Participar das atividades do 01/05/2024, chamadas pelas Centrais Sindicais, nas regiões dos Núcleos;

10 – Participar da Marcha de Trabalhadores(as) em Brasília no dia 22/05/2024;

11 – Avaliar no Conselho Geral de abril o andamento da construção da greve.

Porto Alegre, 22 de março de 2024.
Assembleia Geral do CPERS/Sindicato.

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A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quinta-feira (20), o 5º substitutivo do relator Mendonça Filho (União/PE) ao PL 5.230/2023, de autoria do Governo Federal, que trata de mudanças na reforma de 2017, imposta pelo próprio Mendonça Filho, através de Medida Provisória, quando foi ministro da Educação do golpista Michel Temer (MDB).

Após árdua batalha na Casa Legislativa, que contou com o adiamento da votação do primeiro substitutivo do relator em dezembro de 2023, e transcorrida a 4ª edição da Conferência Nacional de Educação, em janeiro de 2024, quando a revogação do Novo Ensino Médio – NEM ganhou destaque na pauta social e política do país, ao lado do próximo Plano Nacional de Educação, foi possível pressionar o relator a incorporar diversos pontos do projeto original do Executivo, até então refutados por ele. O problema, porém, continua sendo a indução privatista da educação profissional técnica (EPT), área prioritária para a expansão do Ensino Médio nos sistemas estaduais de educação.

A mobilização social para a votação de ontem teve início na Consulta Pública organizada pelo Ministério da Educação (MEC), em meados de 2023, quando a sociedade exigiu mudanças no NEM. E destacam-se os seguintes pontos aprovados pela Câmara:

  1. Elevação da carga horária da formação geral básica – FGB (exceto na EPT) para, no mínimo, 2.400 horas, alterando a disposição da Lei 13.415 que prevê no máximo 1.800 horas;
  2. Fim da obrigatoriedade de somente português e matemática nos três anos do ensino médio e reintrodução de todas as áreas de conhecimento na FGB e nos itinerários formativos propedêuticos, que passam de 1.200 horas para 600 horas na nova legislação;
  3. Reformulação da BNCC até dezembro de 2024 e implementação do novo modelo de Ensino Médio a partir de janeiro de 2025;
  4. Regulamentação dos itinerários através de diretrizes curriculares nacionais, impedindo a ausência de unidade curricular no país e a oferta de conteúdos desconexos da formação escolar;
  5. Revogação dos módulos e sistema de créditos com terminalidades específicas no currículo do Ensino Médio;
  6. Oferta presencial do Ensino Médio, com excepcionalidade de atendimento remoto em áreas de difícil acesso e sob regulamento (revogação do § 11 do art. 36 da Lei 13.415/17);
  7. Oferta obrigatória de, ao menos, dois itinerários propedêuticos por escola, sem descartar os demais conteúdos curriculares que devem ser abordados nos itinerários, a fim de manter maior unidade entre a FGB e a parte diversificada do currículo.

Ainda sobre a formação propedêutica, o substitutivo não garantiu a obrigatoriedade da língua espanhola – podendo ser ofertada opcionalmente a depender das condições estruturais das redes de ensino – e estabeleceu a inclusão de conteúdos específicos dos itinerários, que serão regulamentados por diretrizes nacionais, nos exames de acesso às universidades (Enem e demais certames) a partir de 2027. Sobre esse último assunto, o MEC se posicionou no sentido de conjugar o novo comando da futura Lei a requisitos de equidade entre as redes pública e privada para evitar prejuízos aos estudantes de escolas públicas.

Ensino técnico mantém defasagem na FGB, oferta terceirizada e profissionais com notório saber

Outra questão-chave continua sendo as parcerias público-privadas para a oferta da EPT e do itinerário técnico. O substitutivo manteve essa condição (§ 6º do art. 36), embora aponte para a oferta preferencialmente pública. Trata-se de tema também regulado pelo art. 7º, § 3º, II da Lei 14.113 (FUNDEB), que admite o cômputo de uma segunda matrícula aos estudantes de escolas públicas atendidos concomitantemente por instituições de educação profissional técnica de nível médio dos serviços sociais autônomos (Sistema S).

Em relação à nova regulamentação da EPT, o substitutivo da Câmara prevê maior integração entre a FGB e a parte diversificada do currículo, além de presencialidade dos cursos. Os mesmos ficam vinculados às Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Profissional e Tecnológica, do Conselho Nacional de Educação, e ao Catálogo Nacional de Cursos Técnicos, nos termos dos dispositivos que regulam essa modalidade de ensino na LDB (arts. 36-A a 36-D), podendo ser ofertados de forma articulada, integrada ou concomitante ao ensino médio. A Lei 13.415 previa a possibilidade de agregar ao currículo do ensino médio cursos de curta duração (Pronatec e outros), sem quaisquer conexões com os sistemas educacionais, e a nova regulamentação aponta para um currículo mais integrado, embora a oferta em outros estabelecimentos de ensino se mantenha presente na legislação.

Matéria segue ao Senado

Nos próximos dias, o ensino médio começará a tramitar no Senado Federal, onde os movimentos sociais voltam a atuar para melhorar o texto da Câmara. A batalha segue e a mobilização é imprescindível para avançarmos mais nos direitos da juventude à escola pública, gratuita, democrática e de qualidade social.

A educação profissional técnica ficou mantida como um dos itinerários formativos do ensino médio e com carga horária mínima de 2.100 horas para a formação geral básica, podendo chegar a 2.400 horas caso haja aproveitamento de até 300 horas de conteúdos da BNCC interligados com as áreas técnicas. Para os cursos técnicos de 1.200 horas a carga horária final (nos três anos) deverá ser de no mínimo 3.300 horas. Esse foi mais um ponto de inflexão no substitutivo do relator.

Por outro lado, o relator não abriu mão de manter a contratação de profissionais sem formação pedagógica (Notório Saber) para lecionar na EPT. Havia a expectativa de que fossem ao menos estabelecidos critérios mais rigorosos para essas contratações, mas isso não aconteceu. Ficou mantido o texto da Lei 13.415/17 que deu origem ao inciso IV do art. 61 da LDB.

Fonte: CNTE

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Na manhã desta quarta-feira (20), educadoras da Direção Central, juntamente com representantes dos núcleos e demais aposentadas(os) do CPERS, pressionaram as bancadas dos partidos da Assembleia Legislativa para exigir salário justo e expressar sua discordância em relação ao viés etarista das políticas de Eduardo Leite (PSDB), que massacra as aposentadas(os) gaúchas.

Na ocasião, as presentes entregaram a Carta do 5⁰ Encontro Estadual de Aposentadas(os) do Sindicato, elaborado por 500 educadoras(es) que participaram da atividade, realizada no início de março, em Nova Petrópolis.

>> Leia a íntegra da Carta aqui.

O documento reivindica valorização salarial, fim do confisco das vantagens adquiridas da parcela de irredutibilidade e inclusão das professoras(es) e funcionárias(os) aposentadas(os) sem paridade no reajuste do Piso.

Nas bancadas, as educadoras também entregaram o Estatuto do Idoso para evidenciar a política cruel de Leite (PSDB) com as aposentadas. Além disso, as presentes pressionaram Jaqueline Nunes, chefe de gabinete do deputado Adolfo Brito (Progressistas), presidente da Assembleia Legislativa, para denunciar os ataques do governo com essa parcela fundamental da categoria.

“É inaceitável o que Eduardo Leite está perpetrando contra todas nós, aposentadas. É uma violação grave! Como pode ele desrespeitar os direitos dos idosos? Sua postura etarista e sua perseguição às aposentadas são repugnantes”, frisou Glaci Weber, diretora do Departamento de Aposentadas(os) do CPERS.

“Estamos fazendo denúncias em todas as bancadas, especialmente aquelas que compõem a base do governo, que ataca diretamente as aposentadas. É um descaso total com a nossa categoria e com aqueles que dedicaram suas vidas à educação”, asseverou a tesoureira do Sindicato, Rosane Zan.

Junte-se a nós na Assembleia Geral do CPERS, nesta sexta-feira (22), a partir das 13h30, na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre. É preciso unir forças na defesa de salário digno para TODA a categoria!


Bancada PRD – Partido Renovação Democrática


Bancada União Brasil


Bancada MDB

Bancada Partido Novo


Bancada Podemos

Bancada Republicanos


Bancada Partido Liberal


Bancada PDT

Bancada PSD

Bancada Partido dos Trabalhadores

Bancada PSB

Presidência da ALRS – Presidente da Legislatura 2024 Deputado Adolfo Brito (PP)

Bancada PSDB

Bancada PCdoB

Bancada PSOL

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Na manhã desta quarta-feira (20), representantes da direção estadual do CPERS reuniram-se com o secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, para apresentar a reivindicação de valorização salarial para TODAS as(os) trabalhadoras(es) da educação: funcionárias(os) e professoras(es), da ativa e aposentadas(os), com e sem paridade.

O encontro, que deveria ter ocorrido na semana passada, mas foi adiado, ocorre após a votação do Piso, que deixou de fora do reajuste parte significativa da categoria. Os dirigentes sindicais cobraram explicações do governo pela falta de diálogo em um momento tão importante para as educadoras(es) e exigiram a abertura de uma mesa de negociação para tratar o tema. 

A presidente do Sindicato, Helenir Aguiar Schürer, abriu o encontro reforçando as principais pautas de reivindicação da educação, que serão levadas para a Assembleia Geral da categoria, nesta sexta-feira (22).

“Precisamos retomar a discussão sobre o básico dos funcionários de escola, R$ 657,97 é uma vergonha. O governador já acenou que o aumento do básico deveria ser de, no mínimo, R$1.500. Precisamos saber quando isso vai acontecer. O governo também tem que rever urgentemente o desconto das verbas indenizatórias do completivo desta parcela da categoria e também a revisão geral dos salários para a garantia que nossos aposentados tenham aumento real”, salientou a presidente.

Salário defasado, endividamento, adoecimento e sobrecarga de trabalho foram alguns dos pontos apresentados pelos representantes do CPERS durante a reunião, reforçando a situação calamitosa das(os) agentes educacionais. A invisibilidade destas(es) servidoras(es), por parte do governo, chegou ao limite e a educação não pode mais esperar. 

Funcionárias(os) de escola estão há quase 10 anos sem um reajuste real — já que os valores são descontados do completivo —, e padecem com os menores salários entre os servidores estaduais. 

Ainda durante a reunião, representantes do Departamento de Aposentadas(os) do CPERS entregaram ao secretário a carta tirada do Encontro de Aposentadas(os) do Sindicato, realizado nos dias 5 e 6 de março, em Nova Petrópolis. No documento, as cerca de 500 educadoras(es) presentes no evento denunciam o etarismo praticado pelo governador Eduardo Leite (PSDB) e as consequências do Desconto da Previdência após uma vida dedicada à educação dos filhos e filhas dos gaúchos. 

A assessoria jurídica do CPERS, representada pelo advogado Marcelo Fagundes, informou que o descaso da gestão estadual com a situação das aposentadas(os) será levado aos tribunais. 

Após ouvir as falas do Sindicato, o secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, informou que um estudo sobre a pauta do salário básico das(os) funcionárias(os) já está sendo encaminhado, mas não informou o prazo para a apresentação da proposta. 

Ao fim do encontro, o CPERS frisou a necessidade de a categoria ser chamada para analisar a proposta antes que ela vá para a Assembleia Legislativa e isso só será possível com a abertura de uma mesa de negociação para tratar estes temas com mais seriedade. 

“Saímos da reunião com a promessa da abertura de diálogo, mas para isso acontecer, de fato, reforço a importância da participação de todos e todas na nossa Assembleia Geral desta sexta-feira. O dia 22 será crucial para avançarmos em nossas reivindicações. Somente unidos e fortes dobraremos este governo que insiste em nos invisibilizar, vamos mostrar a nossa força!”, conclamou a presidente Helenir após o encontro.

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O CPERS Sindicato vem a público manifestar o seu total apoio aos servidores públicos municipais de Florianópolis e para repudiar as acusações feitas pelo prefeito do município, Topázio Neto (PSD), e pela grande mídia, que tentam ligar o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem) à queima de um caminhão da empresa terceirizada de coleta de lixo no Norte da Ilha. 

A legítima greve destes servidores, para lutar contra a terceirização e por mais valorização e investimentos no serviço público, não pode ser apagada por ataques e acusações infundadas do prefeito.

Ao invés de se preocupar em manter um serviço público de qualidade e atender as reivindicações dos trabalhadores da Comcap e da Prefeitura de Florianópolis, Topázio dedica seu tempo para difamar o Sintrasem na tentativa de enfraquecer a greve.

O Sintrasem é um sindicato com mais de 35 anos de história em defesa dos direitos dos trabalhadores e da democracia, que tem o respeito de toda a comunidade de Florianópolis pelo trabalho sério que faz em defender um serviço público de qualidade para a população. As atividades e as deliberações das ações da entidade são públicas, acompanhadas pela imprensa e monitoradas pela Guarda Municipal de Florianópolis.

Exigimos que o prefeito Topázio retrate-se pelas falsas acusações feitas ao Sintrasem e esperamos que os culpados pelo crime sejam identificados e punidos. O CPERS se solidariza à direção do Sintrasem e aos trabalhadores da Comcap e da PMF pelos ataques que estão sofrendo!

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Na última quinta-feira (14), o 1º vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, recebeu, na sede do Sindicato, o tesoureiro da União Estadual dos Estudantes (UEE/RS), Rodrigo Duarte. O principal tema do encontro foi a Caravana da União Nacional dos Estudantes (UNE), intitulada “Clima de Futuro”, que passará por todo o Brasil e o Rio Grande do Sul será o primeiro estado contemplado. A caravana tem o objetivo de construir um projeto de reforma universitária que contribua para a popularização e para o papel das universidades no desenvolvimento e na soberania nacional.

“Aqui no Rio Grande do Sul teremos uma série de eventos na programação da caravana e vamos contar com a presença dos estudantes gaúchos para construir as universidades dos nossos sonhos”, declarou Rodrigo.

A caravana da UNE, que passará por diferentes cidades, debaterá a reforma universitária e modelos de universidades, através de um processo não apenas de fala ou escuta, mas sim de troca com milhares de estudantes brasileiros sobre os problemas do cotidiano das suas instituições de ensino, mas também de como resolvê-los por meio de políticas firmes de estado que priorizem a educação, como, por exemplo, a assistência estudantil e a transformação do PNAES (Plano Nacional de Assistência Estudantil) em lei, garantindo investimentos que permitirão maior oferta de bolsas, ampliação de RUs ou moradias estudantis.

Para Alex, a Caravana é um momento muito importante que mostra que a articulação dos movimentos educacionais é fundamental para podermos enfrentar os desafios da própria educação brasileira. “Em um momento que o projeto do Novo Ensino Médio está para ser votado no Congresso Nacional e temos um deputado de extrema-direita como Nikolas Ferreira (PL) conduzindo a Comissão de Educação, a força do movimento educacional é que vai determinar os rumos e os resultados da nossa luta. Apoiamos iniciativas como essa, que pautam a educação pública como um dos fatores de desenvolvimento e justiça social e inclusão da população para que Brasil tenha um novo ciclo de desenvolvimento, democracia e cidadania”, concluiu Alex.

A Caravana da UNE passará pelo Rio Grande do Sul entre os dias 21 e 26 de março, com diversas atividades para os estudantes gaúchos. Para mais informações, acesse o site da Caravana ou o Instagram da UEE/RS.

>> Confira abaixo a programação:

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Na manhã desta segunda-feira (18), a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, o 1º vice-presidente, Alex Saratt, e a tesoureira-geral, Rosane Zan, participaram da Assembleia Regional do 22° Núcleo (Gravataí). Deste encontro, realizado no IEE Isabel de Espanha, em Viamão, foram extraídas as reivindicações da categoria que serão levadas para o Conselho Geral do Sindicato, que será realizado nesta quinta-feira (21).

A presidente do Sindicato, Helenir, fez a análise de conjuntura, destacando o desrespeito e desvalorização de Eduardo Leite (PSDB) com as(os) professoras(es) e funcionárias(os) da educação. “Nós temos hoje um governo que desrespeita profundamente a nossa categoria, um governo ageista. Um governo que tenta nos separar e por isso é importante a gente se reunir e conversar olho no olho”, ressaltou.

A dirigente ressaltou que, nesta quarta-feira (20), o CPERS se reunirá com o chefe da Casa Civil, Artur Lemos, e apresentará as propostas de reajuste salarial para a categoria. “Vamos reivindicar o básico para a carreira dos funcionários de escola de, no mínimo, R$ 1500. Foi Leite que nos disse que o básico era mesmo muito baixo e que teria que ser de R$ 1.500, então vamos conversar sobre a proposta dele, só assim garantiremos reajuste real para nossos colegas funcionários”, apontou Helenir.

“Nós também não podemos esquecer dos 24 mil aposentados que continuam pagando seus salários com o dinheiro do próprio bolso. Nós queremos a revisão geral dos salários”, continuou a presidente.

O 1° vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, ressaltou que o baixo salário dos educadores(as) gaúchos(as) é a principal pauta de reivindicação do Sindicato e que urge uma solução. “A questão salarial é ainda uma prioridade e urgência, funcionários vivem há quase 10 anos sem nenhum aumento. Aposentados perderam com as mudanças no plano de carreira, na previdência e agora no IPE Saúde, e até mesmo os professores tiveram os seus salários impactados na medida que se mudou o plano de carreira e hoje recebem cerca de 50% a menos do que devem receber se o Piso fosse pago na carreira. Todos na Assembleia, dia 22, para enfrentar Eduardo Leite e mudar o estado de coisas na educação”, concluiu.

A tesoureira do Sindicato, Rosane Zan, frisou a importância de todas e todos participarem da Assembleia Geral da categoria, que será realizada na próxima sexta-feira (22), a partir das 13h30, na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre. “Só a unidade da classe dos trabalhadores em educação é que vai fazer com que o governo nos escute e abra realmente uma mesa de negociação. Por isso, venham para Assembleia Geral, é muito importante a participação de cada um e cada uma nessa luta”, conclamou Rosane.

A diretora do 22° Núcleo,  Leticia Coelho Gomes reforçou a importância da unidade da categoria. “Somos trabalhadoras e trabalhadores em Educação, agentes educacionais e professoras(es) e precisamos de união. Pois quem quer segregar a categoria é o governo, o sindicato acolhe e luta por todas(os).”

O tesoureiro do 22º Núcleo, Jussemar da Silva destacou a importância do fortalecimento, do diálogo e acolhimento no chão das escolas promovido pelo núcleo de Gravataí.

Assédio Moral, sobrecarga de trabalho e perseguição

Durante a Assembleia Regional, diversos(as) educadores(as) desabafaram sobre o que estão vivendo nas escolas estaduais, colocando a sobrecarga de trabalho, a perseguição e o assédio moral como situações rotineiras dentro das instituições. O projeto “Tutoria Pedagógica” da Seduc foi um dos problemas mais levantados pelos educadores(as) durante a reunião.

Helenir pediu que essas reclamações sejam escritas e mandadas para a direção para que sejam denunciadas na reunião com a secretária de Educação, Raquel Teixeira. “Nós já tratamos na mesa de reunião na Seduc sobre as mentorias, que na nossa visão só veio para atrapalhar o trabalho pedagógico e sobrecarregar todos”, concluiu.

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores(as) em Educação (CNTE) convoca suas entidades filiadas para realizarem, nesta terça-feira (19), ações de mobilização em defesa do Piso, da Carreira e do Ensino Médio.

Aqui no Rio Grande do Sul, o CPERS conclama que funcionárias(os) e professoras(es), da ativa e aposentadas(os), tomem as redes sociais contra a praga que devasta a educação pública: o governo Eduardo Leite (PSDB). Participe do tuitaço do Sindicato, a partir das 9h, com as hashtags: #RevisãoGeralJá #ChegaDeDescaso #EnsinoMédio #RevogaNEM.

Em mais um episódio do desrespeito da atual gestão com a educação pública estadual, na última terça-feira (11), a base aliada do governador na Assembleia Legislativa aprovou o reajuste do Piso, excluindo aposentadas(os) sem paridade, descontando a parcela de irredutibilidade, e sem qualquer debate com o Sindicato sobre a revisão geral anual e sobre o reajuste do básico das funcionárias(os) de escola, que em função do completivo, estão há anos sem aumento real.

Neste dia, também estaremos na luta contra os substitutivos apresentados pelo deputado federal, Mendonça Filho (União/PE), ao Projeto de Lei 5230/2023 (Ensino Médio) que foi enviado ao Congresso Nacional. Para a CNTE, com o substitutivo do relator, a proposta desconsidera questões essenciais para o Ensino Médio trazidas pelo poder executivo, oriundas da consulta pública realizada junto a estudantes, profissionais e estudiosos da educação.

➡️ Banco de tuítes: https://cutt.ly/sw2QiaXf

Ainda dentro da programação do #MarçoDeLutas do CPERS, participe da Assembleia Geral de Mobilização da categoria, que será realizada nesta sexta-feira (22), a partir das 13h30, na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre. Neste mesmo dia, às 9h, estaremos em frente ao IPE Saúde, no Ato Público Estadual por atendimento de qualidade. Chega de descaso com a educação e as educadoras(es)! #ReajusteJá

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Em 2014, o Plano Nacional da Educação (PNE), lançado durante o governo de Dilma Rousseff (PT), estabeleceu 20 metas a serem cumpridas em um prazo de dez anos, a fim de melhorar o acesso, os investimentos e a qualidade na educação pública brasileira. Entre elas, o plano visava oferecer educação em tempo integral com, no mínimo, sete horas diárias, em pelo menos 50% das escolas da rede pública. 

Dez anos depois, o Rio Grande do Sul permanece na penúltima colocação entre os estados brasileiros a oferecer o ensino em tempo integral. Para se ter ideia, em 2023, apenas 6,5% dos estudantes do estado estavam matriculados nessa modalidade de ensino. 

Em 2022, somente 18 instituições do Rio Grande do Sul ofereciam esta modalidade, ou seja, 4% das instituições estaduais. Tentando correr contra o tempo, o governador Eduardo Leite (PSDB) estipulou que, entre os anos de 2023 e 2026, a meta estabelecida pelo PNE será batida no RS, que deverá ter 550 escolas funcionando com turno integral até o fim deste prazo. Apesar disso, o programa adotado pela Secretaria da Educação (Seduc) não leva em consideração uma série de fatores, como infraestrutura, quadro de servidoras(es) e a valorização salarial, que são cruciais para tornar isso uma realidade, aparentando limitar-se à ampliação do tempo de permanência dos alunos(as) nas escolas. 

Vale ressaltar que, para as escolas se tornarem de turno integral, precisam antes preencher uma série de requisitos. Primeiro, é necessário que tenham Ensino Médio diurno, em um prédio próprio, com cozinha, refeitório e espaços adequados para receber essas turmas. A escola também não pode ser a única a oferecer o Ensino Médio no município, o que faz com que dezenas de cidades do interior não estejam aptas a receber essa modalidade. 

“O governo Leite está implementando no estado muitas escolas de ensino em tempo integral sem uma política de diálogo profundo com os estudantes e as famílias, e isso ignora um fator importante: muitos alunos têm um comprometimento grande com o trabalho para ajudar no sustento das famílias”, elucida a tesoureira-geral e representante da Comissão de Educação do CPERS, Rosane Zan. “Isso tem provocado evasão e total desigualdade, porque ficam na escola os que têm mais condições de permanência”, completa. 

Dados revelados pelo Censo Escolar de 2023 e outros que podem ser extraídos de estudos do IBGE, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), revelam que, em 2023, 49 mil jovens gaúchos(as), entre 14 e 18 anos, estavam fora da escola e não haviam concluído o Ensino Médio.

As escolas de turno integral, na verdade, não implicam que essas instituições tenham como concepção uma formação integral do indivíduo, como explica o doutor e pesquisador na área da Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Mateus Saraiva. “A formação integral do indivíduo compreende que tu vais assumir a totalidade do fato social como compromisso, para a tua compreensão de um determinado fenômeno”, defende. 

“A educação integral pressupõe que tu vais compreender a totalidade do fenômeno, do fato que está ali em questão, para construir o teu conhecimento. Por isso os modelos dos Institutos Federais são modelos de excelência, porque eles aprendem um saber técnico, mas ao mesmo tempo têm aula de Sociologia, de Filosofia, e por isso conseguem pensar sobre aquele tema. Essa é a formação integral. E ela não precisa ser feita em tempo integral, ela pode ser feita em tempo parcial”, explica o pesquisador. 

Entre os desafios enfrentados a curto e médio prazo para a implementação dessa modalidade estão a falta de professoras(es) e funcionárias(os) qualificados para as novas demandas; a necessidade de contratação de novos profissionais e aumento na carga horária de docentes; as estruturas, muitas vezes precárias, das instituições; a evasão escolar; além da ausência de espaços como cozinhas e refeitórios, essenciais para que os estudantes e trabalhadores da educação possam fazer todas as refeições do dia. 

Na última terça-feira (12), o Senado aprovou o projeto de lei que estabelece diretrizes para a implementação do ensino em tempo integral na educação básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) nas escolas públicas do país. O PLS 756/2015 estabelece as seguintes diretrizes para a nova modalidade de ensino: a inclusão de temas transversais e extracurriculares; o atendimento psicológico e de assistência social aos alunos(as); infraestrutura escolar adequada; acesso à internet; formação dos profissionais da educação. De acordo com o texto, os projetos de educação integral poderão ser desenvolvidos por meio de convênios com instituições de ensino superior públicas ou privadas.

Através de uma nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) defende que “caso o projeto mantenha a possibilidade de duplas ou até triplas jornadas de trabalho aos professores das escolas em tempo integral, as instituições continuarão com dificuldades para atender aos pressupostos de qualidade que a sociedade almeja”.

O dobro de carga horária demanda infraestrutura adequada

Para que uma escola seja considerada de turno integral, é necessário que ela ofereça, no mínimo, sete horas de carga horária diária, de segunda a sexta-feira. Alguns estados brasileiros chegam a oferecer até dez horas diárias, mas, inicialmente, o Rio Grande do Sul planeja ofertar a carga mínima. 

Apesar disso, não basta implementar a mudança. Essa carga horária extra só será possível com estrutura e condições para que essas escolas se transformem efetivamente em instituições de tempo integral. O novo modelo demanda pontos materiais e quadro de pessoal que, por consequência, precisará aumentar a própria carga horária, ou que novos profissionais sejam contratados para assumir essas funções. Além disso, é necessário que se tenha espaços como refeitório, cozinha e laboratórios, que também contemplem as demandas das novas disciplinas oferecidas pelo Novo Ensino Médio (NEM). 

“É preciso ter recursos e ambientes adequados a um contraturno, porque é muito difícil manter os alunos em um ambiente escolar sem ter uma estrutura suficientemente adequada com recursos”, detalha Mateus Saraiva. “O que eu quero dizer com isso? É uma quadra, preferencialmente coberta, que tu tenhas bolas em condição, um laboratório, uma sala de cinema com recursos multi visuais… Que essa escola não seja a mesma escola, não seja um sentado atrás do outro nos dois turnos”. 

Além disso, o pesquisador aponta a necessidade de aumento de carga horária dos profissionais, considerando que será necessário ter, pelo menos, o dobro de estrutura nessas instituições. “Os alunos não vão ocupar a infraestrutura em um turno só, vão ocupar em dois, por isso a gente precisa ter refeitórios adequados, por exemplo”, explica. 

Na EEEF Herlita Silveira Teixeira, localizada em Cidreira, no litoral gaúcho, a modalidade de ensino em turno integral foi implementada em 2022, ainda no início do programa do governo Eduardo Leite (PSDB). Dois anos depois, a instituição ainda carece de condições e infraestrutura.

“Nossa escola possui um espaço físico amplo que atenderia o turno integral, mas também tem uma infraestrutura precária”, conta Luciana Pacheco, funcionária da escola na área da alimentação. “Falo da cozinha, aqui faltam muitos equipamentos e equipamentos básicos do dia a dia. A escola, como eu disse, é muito grande para poucos funcionários. Nós passamos a oferecer quatro refeições e, desde o início, sempre com falta de funcionários”, completa.

Luciana explica que a contratação de pessoas terceirizadas ajudou as funcionárias com a alta demanda da escola, mas o atraso nos pagamentos, como no início de 2024, faziam com que as contratadas ficassem com sobrecarga de trabalho. “Nós tínhamos seis funcionários na cozinha e, hoje, nós estamos com apenas três, e eu estou licenciada, porque eu não tive condições físicas e nem mentais de permanecer”, desabafa.

Como implementar turno integral se não há quadro de pessoal suficiente nem mesmo para a modalidade parcial? 

A falta de funcionárias(os) não é um problema exclusivo da EEEF Herlita Silveira Teixeira. Na verdade, dados preliminares do Radar do CPERS sobre a situação das escolas estaduais revelam a falta de quase 500 servidoras(es), que atuam em áreas como merenda, manutenção, administrativo e limpeza, em 307 escolas que responderam à pesquisa. 

Esse cenário, no entanto, não é novidade para o Sindicato, que há anos denuncia que a crescente desvalorização desta parcela da categoria – que sofre com os menores salários entre os servidores(as) estaduais –, provocaria uma diminuição do interesse na área. Além do arrocho salarial sem precedentes, com um salário básico de R$ 657,97, atualmente, cerca de 75% dos agentes educacionais ganham abaixo do piso regional e, em sua maioria, não recebem reajuste real há quase 10 anos, já que o aumento é abatido do completivo.

Como política do CPERS, o Sindicato tem realizado diversas visitas em escolas de todo o Rio Grande do Sul, a fim de dialogar com professoras(es) e funcionárias(os) sobre a situação da educação no estado. Na última semana, a diretora do Departamento de Funcionárias(os) de Escola do CPERS, Juçara Borges, se deslocou para o litoral gaúcho e, infelizmente, ouviu diversos relatos sobre as condições desesperadoras que essas(es) profissionais se encontram.

“Em todas as escolas constatamos a revolta por conta da estrutura e da alimentação, além da falta de funcionárias(os). Eles estão tendo uma sobrecarga de trabalho dentro dessas escolas e a falta de servidores é geral aqui no litoral”, relata.

Mas o apagão de funcionárias(os) não se estende somente àqueles que trabalham na limpeza, merenda, manutenção e administração, por exemplo. Esse cenário engloba também as(os) docentes que trabalham dentro da sala de aula. A própria Secretaria de Educação do RS (Seduc) já admitiu, através de estudos elaborados pelo governo do Estado, que o déficit para 2030 será de cerca de 14 mil docentes na rede estadual de ensino. O principal motivo para esse cenário é o desinteresse pela carreira de educador(a). 

“É preciso ter quadro de pessoal, suficiente e adequado, e a gente não tem. A gente não tem nem para o turno parcial, nem para o turno integral”, constata Mateus Saraiva.

Com a implementação do ensino em turno integral, muitas(os) docentes acabam precisando aumentar as suas cargas horárias nas escolas, de 20 horas para 40 horas. Mas, por conta da desvalorização do salário, muitos não querem fazer esse aumento, porque acabam exercendo outras atividades profissionais para complementar a renda, como, por exemplo, lecionar em escolas municipais ou na rede particular, já que permanecer 40 horas na rede estadual não vale a pena financeiramente. 

“A gente não tem um investimento em infraestrutura e pessoal nem próximo daquilo que seria necessário para isso. A grande bandeira do governo Leite tem sido o Ensino Médio, e eu nem estou pensando no Ensino Fundamental, porque nesse caso é menos ainda o movimento do governo estadual”, explica o pesquisador.

Na escola em que Luciana Pacheco trabalha, em Cidreira, a funcionária relata que o número de alunos(as) praticamente dobrou de 2023 para 2024. Como consequência, a demanda alimentar também aumentou, exigindo uma quantidade ainda maior de comida a ser preparada por apenas três funcionárias. “Até se tem os produtos para fazer, mas não tem gente que possa fazer. As pessoas que estão ali dentro da escola estão adoecendo”, conta.

A formação reducionista incrementada pelo Novo Ensino Médio, somada à implementação do turno integral sem a estrutura necessária, mostra mais uma vez a importância da valorização do trabalho das(os) educadoras(es) para além do reajuste salarial, passando também pelo reconhecimento da profissão e a sua importância como canalizador social. 

“A saída é fazer uma escuta e uma construção coletiva, a partir de um diálogo muito profundo com a comunidade escolar, tentando atribuir sentido e articulação com outras políticas”, defende a tesoureira-geral do CPERS, Rosane Zan. 

Para o pesquisador da UFRGS, Mateus Saraiva, a implementação desse novo sistema deve passar obrigatoriamente por uma melhor remuneração, assim como um melhor plano de carreira. “As pessoas vão trabalhar onde é mais satisfatório em termos de tempo e recurso, onde o plano de carreira tem uma possibilidade de prosseguimento de estudo”, conclui. 

“O turno integral hoje só é bonito no papel, porque na realidade quem está lá realmente todo dia sabe que não está funcionando”, lamenta a funcionária Luciana Pacheco, que trabalha na EEEF Herlita Silveira Teixeira na área da alimentação, mas que está afastada por questões de saúde.

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