Milhares de professoras(es), funcionárias(os) de escola, estudantes, movimentos sociais e representantes da comunidade escolar ocuparam as ruas de Porto Alegre, nesta quinta-feira (18), em uma grande demonstração de resistência contra o projeto de Parcerias Público-Privadas (PPPs) do governo Eduardo Leite (PSD) e Gabriel Souza (MDB).
Reunida durante o Ato Público Estadual e Assembleia Geral, a categoria aprovou, por unanimidade, a realização de um dia de greve e definiu o dia 26 de junho como o Dia D de Luta em defesa da educação pública.

A mobilização teve início em frente à Secretaria da Educação (Seduc), de onde centenas de bandeiras amarelas seguiram em caminhada até o Palácio Piratini. O recado foi direto: a escola pública não está à venda!
No mesmo dia em que o governo pretende leiloar, na Bolsa de Valores de São Paulo, a gestão da infraestrutura de 98 escolas estaduais em um contrato estimado em R$ 4,5 bilhões, educadoras(es), estudantes e comunidade escolar prometem ocupar novamente as ruas para impedir que a educação pública seja transformada em negócio.

Durante a Assembleia Geral, a categoria reafirmou que o dia 26 será marcado por greve e mobilização estadual. Com cartões vermelhos erguidos contra o projeto de privatização, as(os) presentes assumiram o compromisso de ampliar a mobilização nas escolas e nas comunidades, fortalecendo a resistência ao processo de entrega do patrimônio público à iniciativa privada.

Em sua fala, a presidente do CPERS, Rosane Zan, criticou a lógica que sustenta o projeto de PPPs e denunciou o direcionamento de recursos públicos para empresas privadas.
“Há muitos anos estamos denunciando as Parcerias Público-Privadas nas escolas, mesmo antes desta gestão. Nós sempre falávamos que éramos contrários a essa lógica mercadológica. Por que entregar 98 escolas à iniciativa privada? Temos instituições de ensino com a infraestrutura comprometida em todo o estado, mas as que constam na lista são justamente aquelas que passaram por reformas recentes. O governador Leite diz que não é privatização, mas o que será, então? É verba pública indo para empresas privadas por 25 anos.”

Representando a CUT-RS, o presidente Amarildo Cenci convocou a sociedade a ampliar a resistência nos territórios.
“No dia 26, vai acontecer o leilão em São Paulo e, por isso, nós temos que dar a resposta nas comunidades. Chamar o movimento estudantil para não deixar passar essa política de destinação da gestão de escolas para a iniciativa privada. Hoje eles dão migalhas para as escolas sobreviverem, mas, para as empresas, darão bilhões.”

A vice-presidente Sul da UBES, Luiza Suarez, alertou para os impactos das PPPs sobre a gestão democrática e a qualidade da educação pública.
“As PPPs vão acabar com a gestão democrática e a qualidade das escolas. Isso significa que os nossos colegas, que os filhos de vocês, talvez não consigam entrar em uma universidade pública, não consigam passar no vestibular. O governo vem com uma política de Estado mínimo, de tirar o dinheiro que a gente paga em impostos para colocar no bolso dos amigos deles.”

Também presente no ato, o diretor do IEE Pedro Schneider, de São Leopoldo, Vinicius Villella, escola que integra a lista das PPPs, destacou que a comunidade escolar conhece as reais necessidades da rede estadual.
“Vão contratar empresas privadas para fazer reformas em escolas que, há pouco tempo, já foram reformadas. Quero dizer ao governo que dentro das escolas não tem bobo, não tem palhaço. Nós sabemos muito bem administrar uma escola e conhecemos as prioridades da educação pública.”

O CPERS reforça que o leilão previsto para o dia 26 representa um dos maiores processos de privatização da educação pública no Rio Grande do Sul. Para o Sindicato, entregar a gestão da infraestrutura das escolas à iniciativa privada por 25 anos significa comprometer recursos públicos bilionários, enfraquecer a gestão democrática e abrir caminho para a mercantilização da educação.

A decisão da Assembleia Geral deixa um chamado à categoria e à sociedade gaúcha: no dia 26 de junho, Porto Alegre será novamente palco da resistência. A greve e a mobilização serão a resposta de quem defende que escola pública é direito, patrimônio do povo e jamais pode ser tratada como mercadoria. NÃO VENDA A MINHA ESCOLA!
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