Voltar ou não voltar às aulas presenciais? Um falso dilema!


Estamos em meados de fevereiro e a sociedade vê um suposto dilema sendo colocado em debate por setores da mídia e de governos, sobretudo os estaduais, mas também por representantes das escolas privadas. O suposto dilema pode ser resumido na seguinte pergunta: devemos, ou não, retornar às aulas presenciais escolar?

O debate tem como fio condutor uma falsa disputa entre educadoras(es), os quais seriam contrários ao retorno das aulas presenciais, e as famílias que seriam favoráveis ao retorno presencial das aulas nas instituições de ensino. Não existem dois polos opostos em disputa sobre esse tema, ou seja, educadoras(es) e famílias de estudantes não são defensoras de respostas contrárias entre si para as perguntas acima. Ambas desejam retornar as aulas presenciais, desde que isso seja feito com segurança sanitária. Dito com outras palavras, tanto familiares quanto educadoras(es) desejam retornar as aulas presenciais o mais breve possível, afinal, estamos prestes a completar um ano longe das salas de aulas físicas. Mas para que o retorno seja seguro, saudável e sem risco de exposição das crianças, estudantes, jovens, pessoas adultas, educadoras(es) e familiares ao vírus da COVID-19 é preciso ter segurança sanitária nas escolas.

Como sabemos as instituições de ensino não possuem estrutura física e humana para garantir segurança contra o vírus ao grande público que circula em suas dependências e que convive com as crianças, estudantes, jovens e pessoas adultas. Os modelos de “rodízio” de turmas com o retorno presencial das aulas, propostos pelo governo, representa pouca ou nenhuma vantagem pedagógica que compense o risco de exposição e transmissão do vírus pela comunidade escolar e ou universitária. Para agravar ainda mais a situação no caso das escolas estaduais do RS o governo Leite, numa ação irresponsável, retirou o limite do número de estudantes das salas de aula, ampliando ainda mais os riscos de contaminação pelo vírus. Além disso, cabe lembrar que não existe tratamento precoce contra a COVID-19, que infelizmente os hospitais estão com suas capacidades elevadíssimas, que as(os) profissionais de saúde estão exaustas (os) e, por fim, que só a vacina é capaz de oferecer a segurança sanitária para crianças, estudantes, jovens, pessoas adultas, educadoras, educadores e familiares de todas(os) integrantes das comunidades escolar e ou universitária.

Portanto, alertamos a população do Rio Grande do Sul para que não seja enganada com o discurso de que as educadoras(es) e famílias das(os) estudantes estão lutando em lados opostos. Todas(os) queremos retornar às salas de aulas presenciais, mas com a segurança sanitária que só a vacina contra o COVID-19 oferece.

Vacinação para todas as pessoas, já!

Porto Alegre (RS), 18 de fevereiro de 2021

Comitê Popular Estadual de Acompanhamento da Crise Educacional no RS

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