Um ano sem telhado: EEEM Carlos Gomes pede socorro e é ignorada pelo Estado


A EEEM Carlos Gomes, que leva o nome da cidade no Norte do Rio Grande do Sul, enfrenta um dos piores anos da sua história. Atingida por um vendaval em junho de 2020, a escola perdeu parte significativa do telhado e carece de respostas do governo Leite (PSDB) desde então.

O vice-diretor, Davi Oliveira Pereira, conta que o telhado do prédio administrativo foi destruído, avariando as instalações da secretaria, sala de informática, biblioteca, cozinha e laboratório de ciências.

“Neste período de quase um ano, as chuvas estão comprometendo todos os espaços do prédio, gerando infiltrações e mofo e danificando a pintura, instalações elétricas e os computadores da sala de informática”, afirma.

A escola atende 110 estudantes do ensino fundamental ao médio e vive dias de incertezas, sem saber quando haverá uma solução e se poderá voltar à rotina de aulas.

O pedido de reforma em caráter de urgência foi encaminhado imediatamente após o incidente à 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).

“Estamos todos aguardando a boa vontade da Seduc em atender a nossa escola. A 15ª CRE encaminhou toda a documentação necessária para a reforma. Contatamos agentes políticos da região, mas nada resolveram. Estamos dependendo das decisões do setor de obras da Seduc”, lamenta o vice-diretor.

“A situação está bem complicada, pois daqui a uns contaremos um ano desde que a obra foi solicitada em caráter de urgência e nada aconteceu”, frisa a professora de matemática, Janete Sawicki.

Diversos espaços escolares estão sem condições de uso devido às infiltrações. “A sala dos professores está com limitações, pois quando chove não podem ser utilizados equipamentos que precisam estar conectados à rede de luz. Dependendo da quantidade de chuva, não é possível sequer ligar as lâmpadas”, explica Janete.

Comunidade escolar anseia pela reforma da escola

Margarida Edviges Prilla, mãe da estudante do 9º ano, Magalí Prilla Godinho, está acompanhando de perto a situação da escola e junto com a comunidade escolar vem reivindicando por recursos para sanar a situação.

“Estamos indignados com a postura dos governantes e responsáveis. Ninguém se sente seguro em mandar seus filhos para um lugar que não oferece o mínimo de condições”, declara.

“Eu como mãe sinto muito, pois os dias passam e nada é feito a respeito. Lamento por nossas crianças e nossos professores, que mesmo em condições precárias se dirigem à escola para preparar as atividades para mandar aos nossos filhos, colocando por vezes até a vida em risco”, continua Margarida.

“A comunidade escolar está aflita. Reclamam e acham que a direção não está fazendo nada, que o descaso e desinteresse seria da escola em fazer a reforma. Os alunos perguntam todos os dias quando as aulas vão retornar. Enquanto a reforma não for feita, não podemos voltar presencialmente, pois a instalação elétrica oferece risco para os nossos estudantes”, pontua Pereira, o vice-diretor.

Volta às aulas e Covid-19

As aulas presenciais estão suspensas no município Carlos Gomes, que enfrenta uma forte onda de casos da Covid-19.

O vice-diretor garante que a escola tem todos os protocolos e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para o retorno presencial. “Apesar dos recursos financeiros escassos, vamos procurar respeitar as normas e seguir as orientações”, afirma.

Para Pereira a vacinação dos professores e funcionários antes do retorno às aulas presenciais deveria ser prioridade do governo Leite.

“Não basta retornar às aulas presenciais, temos que retornar com segurança. As máscaras oferecidas para o uso dos alunos e professores não são de qualidade exigida de acordo com as normas. ”

“Caso se confirme a terceira onda da Covid-19, e os municípios não levem a sério as medidas de contenção do vírus, será uma desgraça para toda a sociedade, crianças, alunos e os profissionais da educação”, conclui o vice-diretor.

 

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