Trabalho de educadoras é um dos principais aliados no combate a discursos de ódio, aponta a Unesco


Em celebração ao Dia Internacional da Educação, comemorado em 24 de janeiro, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) destacou o papel crucial da educação e das educadoras(es) no combate ao discurso de ódio na sociedade. De acordo com a Agência, o fenômeno “cresceu como uma bola de neve nos últimos anos com a utilização das redes sociais”, e tem causado sérios prejuízos à população de vários países.

Na mensagem anual emitida pela organização, a Unesco reforçou que o mundo tem assistido uma onda de conflitos violentos, somada a um aumento preocupante da discriminação, xenofobia, racismo e discurso de ódio.

“A propagação acelerada do discurso de ódio é uma ameaça para todas as comunidades”, ressaltou a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay. Além disso, ela destacou a necessidade de se ter a educação como o principal aliado na defesa e esforços pela paz.

“É nosso dever coletivo capacitar alunos de todas as idades para desconstruir o discurso de ódio e lançar as bases para sociedades inclusivas, democráticas e que respeitem os direitos humanos”, disse.

A secretária de Finanças da CNTE, Rosilene Corrêa, aponta que a trajetória natural da educação abrange a construção do respeito com os jovens, quando leva em conta a formação global dos cidadãos. No entanto, diante do cenário caótico vivido pela humanidade, o papel da educação tem sido ainda mais necessário.

“A educação passa, obrigatoriamente, a ter também essa função de uma forma mais crucial. É preciso ser um componente curricular das escolas, mas para isso, é claro que precisamos ter todo um sistema envolvido e direcionado”, afirma.

Ódio nas redes sociais

Uma pesquisa feita pela Unesco e pela empresa de pesquisa IPSOS, em 16 países, constatou que 67% dos usuários da internet já se depararam com discursos de ódio online. Cerca de 85% se mostraram preocupados com as consequências e a influência de desinformação, uma vez que esse fatores podem desestabilizar sociedades.

Um exemplo recente de ódio e preconceito em massa nas redes sociais foi constatado com manifestação de internautas em relação a conflitos internacionais. Segundo a Unesco, após um ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 contra Israel, a Liga Anti Difamação relatou um aumento de 337% em incidentes antissemitas nos Estados Unidos, 320% na Alemanha, 961% no Brasil e de 818% na Holanda.

O Instituto para o Diálogo Estratégico, do Reino Unido, também chegou a relatar que o volume de discursos anti-muçulmanos cresceu 43 vezes no YouTube, quando comparado a quatro dias antes e depois do acontecimento.

Educação para transformação

No enfrentamento de discursos extremistas e de ódio que tem reverberado entre os jovens, a organização reforçou o papel da educação como veículo importante de combate e promoção da paz. Segundo a Unesco, o ambiente educacional é capaz de proporcionar múltiplos modos de abordar causas profundas sobre ódio e sensibilizar estudantes de todas as idades, tanto online quanto offline.

“Mais do que nunca, nós não podemos ter uma educação meramente conteudista, ela, obrigatoriamente, precisa ser uma educação freiriana. Pautada na formação do ser humano, na perspectiva da convivência do respeito”, aponta Rosilene.

Mas para que se tenha sucesso nesse combate ao ódio, a Audrey enfatizou a importância da capacitação efetiva dos educadores que estão na linha de frente da superação do fenômeno.

Segundo a organização, o foco é conseguir transformar estudantes em pessoas competentes para reconhecer e responder ao ódio e à injustiça. Para isso, o processo de aprendizado deve ser capaz de capacitar os alunos com conhecimento, valores, atitudes, competências e conhecimentos necessários, que auxiliem esses a tornarem-se agentes da paz em suas comunidades.

“Prepará-los para respeitar o valor da diversidade e dos direitos humanos, e ensiná-los a reconhecer a diferença entre discurso de ódio e liberdade de expressão”, apontou a organização.

Entre as respostas contra o ódio com que a educação pode contribuir, foram destacadas as seguintes:

1- Formar professores e estudantes sobre os valores e práticas, para que se tornem cidadãos globais e digitais respeitosos;

2- Adotar abordagens pedagógicas e que envolvam toda a escola para fortalecer a aprendizagem social e emocional; e

3- Revisar e analisar currículos e materiais educacionais para torná-los responsivos em termos culturais e incluir conteúdos que identifiquem o discurso de ódio e promovam o direito à liberdade de expressão.

Com informações do portal Unesco.org e CNTE

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