Tema de encontro do Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo do CPERS, Lanceiros Negros passam a integrar o Livro dos Heróis da Pátria


Os Lanceiros Negros foram incorporados ao Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, após a sanção da Lei nº 14.795 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto foi publicado na última segunda-feira (8), no Diário Oficial da União (DOU). A homenagem acontece quase 200 anos depois do Massacre dos Porongos e reconhece, como parte de uma reparação histórica, o papel dos Lanceiros na história brasileira.

“Esta decisão do Governo Federal é uma reparação importantíssima, apesar de termos consciência de que já deveria ter sido encaminhada há muito tempo. Este debate, apesar de antigo, nunca havia tido eco”, aponta Edson Garcia, 2º vice-presidente do CPERS e coordenador do Coletivo Estadual de Igualdade Racial e Combate ao Racismo do Sindicato. “Em 2023, um dos pontos de pauta foi a história dos Lanceiros Negros, com uma apresentação cultural onde tratamos da Revolução Farroupilha e sua verdadeira história”, destaca.

O grupo dos Lanceiros Negros era formado por negros brasileiros escravizados e desempenhou um papel importante durante a Revolução Farroupilha, a guerra civil travada pelo Rio Grande do Sul e o Império brasileiro entre os anos de 1835 e 1845. Com a condição que lutassem pela causa republicana, os soldados negros receberam a promessa de liberdade, ou alforria, ao fim da guerra.

Essa promessa, no entanto, não se concretizou. Em 14 de novembro de 1944, os Lanceiros Negros foram traídos pelo general David Canabarro e atacados pelo exército imperial, enquanto desarmados. Mais de 100 soldados foram mortos, enquanto os mais de 400 sobreviventes não foram libertados. O episódio, ocorrido em Pinheiro Machado, recebeu o nome de Massacre dos Porongos.

“Os Lanceiros Negros foram levados à morte. Este fato sempre foi apagado da nossa história, fortalecendo a simbologia da invisibilização”, explica Edson.

Os soldados negros eram conhecedores da lida campeira, domadores e charqueadores, e usavam como traje sandálias de couro, colete, chiripá de pano e braçadeiras vermelhas, que simbolizavam a República. Eles eram armados com lanças compridas e montavam em cavalos.

Com essa homenagem, os Lanceiros Negros passam agora a integrar o livro que preserva os nomes de pessoas que marcaram a história e a construção do Brasil. A lei foi originada de um projeto do senador Paulo Paim (PT) aprovado na Comissão de Educação e Cultura do Senado em março de 2023, e também na Câmara dos Deputados em novembro.

“Estamos festejando este encaminhamento feito pelo Governo Lula”, comenta Edson. “Esta foi uma vitória da luta antirracista. Seguiremos em uma luta que está diretamente ligada a este tema, que é a alteração de estrofes racistas presentes na letra do hino rio-grandense”, finaliza.

 

*Com informações do Brasil de Fato e da Agência Brasil.

Ilustração: Juan Manuel Blanes

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