Instalado no Largo Glênio Peres, no Centro de Porto Alegre, o Sonegômetro Nacional (painel eletrônico que mostra em tempo real os valores da sonegação fiscal) irá denunciar à população, no decorrer desta quinta-feira, os valores exorbitantes que são sonegados no Estado e no país. A iniciativa, organizada pelo Sindicato dos Técnicos Tributários da Receita Estadual – Afocefe, junto com o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional – Sinprofaz, contou com a presença do diretor de Comunicação do CPERS, Enio Manica, e do diretor do Departamento de Formação do Sindicato, Cassio Ritter.
Durante o ato, o Sonegômetro mostrava a marca de R$ 339.666.000,00 sonegados desde janeiro, valor referente a irregularidades estimadas neste ano e que envolve 13 impostos em todo o país. Desde abril, Porto Alegre tem o marcador estadual instalado, que passou a contabilizar os prejuízos com sonegação ao tesouro gaúcho, que somam R$ 4.570.000,00 apenas com o ICMS, desde janeiro.
Uma lavanderia com cerca de dez metros de altura foi exposta simbolizando a lavagem do dinheiro que deveria entrar nos cofres públicos.
A dívida ativa de empresas com tesouro estadual soma R$ 39 bilhões. Essa é a parte visível para a Receita Estadual, da qual, segundo a Afocefe, somente 15% são passíveis de recuperar. O restante envolve valores que já prescreveram. Em 2015, o montante recuperado pela Receita Estadual foi de aproximadamente R$ 600 milhões.

A cada 10 segundos perde-se um salário de professor
“Este ato é fundamental para que a população tome conhecimento do alto de nível de sonegação existente. Toda corrupção e lavagem de dinheiro tem origem na sonegação. São recursos que deixam de ingressar em áreas essenciais para a sociedade como a educação, a saúde e a segurança. Isso é um crime! O Movimento Unificado dos Servidores aponta, desde 2015, propostas para barrar a sonegação, mas o governo Sartori prefere continuar culpando os servidores”, observou Manica.
O presidente da Afocefe, Carlos De Martini, afirmou que o Sindicato vem colocando, insistentemente, que a crise no Rio Grande do Sul é de receita e destacou a falta de uma fiscalização mais eficiente. Para isso, frisou que é necessário o acréscimo de técnicos aprovados no último concurso, que não teve nomeados e que prescreve no próximo mês. “Com a sonegação, a cada 10 segundos perdemos o salário de um professor. Os sonegadores têm, nas suas mãos, o suor de cada trabalhador, porque são os trabalhadores que pagam impostos neste país. O dinheiro da sonegação que a lavanderia lava está manchado de sangue porque sua falta na segurança pública vem aumentando os latrocínios e os índices de violência”, frisou.
De Martini destacou também que outro ponto a ser combatido, em busca de maior arrecadação, é o contrabando, que, segundo levantamento da Fecomércio-RS divulgado em março, aumentou 15% em 2015, totalizando R$ 115 bilhões em perda para o Rio Grande do Sul.




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