Seminário Internacional debate o futuro da educação pública mundial


Nos dias 29 e 30 de outubro, educadoras(es), sindicalistas e representantes de instituições educacionais de onze países, incluindo o Brasil, participaram do Seminário Internacional da Educação, em Fortaleza, no Ceará. O evento, organizado pela Confederação Sindical de Educação dos Países de Língua Portuguesa (CPLP-SE), abordou temas como estratégias de fortalecimento da educação pública, inclusão, políticas de valorização docente, conquistas e desafios. O CPERS participou do encontro representado pela presidente do Sindicato, Helenir Aguiar Schürer e o 2º vice-presidente da entidade e secretário de Assuntos Jurídicos e Legislativos da CNTE, Edson Garcia.

Helenir destaca a importância de temas debatidos no Seminário, como o apagão de professoras(es) e a necessidade de valorização das(0s) educadoras(es). “Em Portugal, esse ano, há a previsão de 5 mil professores se aposentarem, mas somente 1.000 estão se formando. Nos países de língua portuguesa, muitos alunos estão sem professores e um percentual muito elevado sequer chegam à escola e outro tanto evadem para trabalhar. A grande preocupação é que pouquíssimos querem ser professores”, concluiu a presidente.

Para Edson, o Seminário Internacional da Educação é de suma importância para o fortalecimento das lutas em torno da educação pública. “A participação de delegações internacionais, com destaque aos países membros da CPLP-SE, apresenta muitas realidades e desafios. Os debates são muito importantes para, a partir das diferentes informações e análises, podermos traçar caminhos e unificar as rotas de nossas lutas. Viva a educação pública!”, refletiu o educador.

Olhar para o futuro é preciso

O segundo dia do Seminário, realizado nesta quarta-feira (30), debateu a importância da discussão de políticas educativas com entidades governamentais e não governamentais, em nível mundial, para fortalecer a profissão docente. Na ocasião, foi apresentado um documento com 59 recomendações da ONU, resultado de mais de dois anos de pesquisa e discussões com pedagogos e representantes globais, que trazem a urgência e a relevância de uma educação pública robusta e sustentável.

De acordo com Sonia Alesso, presidenta da Internacional da Educação da América Latina (IEAL) e secretária geral da CTERA (Confederação dos Trabalhadores em Educação da República da Argentina), a elaboração do documento, apresentado pela Internacional da Educação em parceria com as Nações Unidas, traz recomendações que visam garantir condições dignas de trabalho para as(os) docentes, financiamento público adequado e uma abordagem educacional inclusiva, alinhada aos princípios de justiça social, cidadania global e preservação dos recursos naturais.

O valor do trabalho docente e a importância de se combater narrativas que culpam professoras(es) pelos desafios educacionais, muitas vezes disseminadas por setores conservadores, oi destacado por Sonia. Em sua fala, ela ressaltou a necessidade de um novo contrato social para a educação, propondo o uso regulado das novas tecnologias e a proteção dos dados de estudantes e educadoras(es), em especial frente ao avanço da inteligência artificial.

Sonia lembrou que a educação não deve ser apenas uma formação acadêmica, mas também um espaço de construção de consciência sobre democracia, sustentabilidade e igualdade. “A proposta inclui a criação de sistemas educativos que considerem os desastres climáticos, comunicação e humanidade”, afirmou.

No mesmo painel, o Secretário de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino do MEC, Maurício Holanda Maia, destacou a necessidade da reflexão sobre a democracia e o papel de professoras(es), enfatizando que, apesar da evolução tecnológica, a relação interpessoal na educação permanece fundamental. Segundo ele, o essencial da educação é a relação entre as pessoas e essa não vai mudar porque a tecnologia não muda.

Na sua avaliação, a complexidade da luta por valorização das(os) professoras(es) no Brasil perpassa o fato de que existem no país milhares de municípios e cada um possui suas particularidades. “Democracia significa independência de três poderes. E no Brasil, uma federação com 5.560 municípios, 27 estados e o Governo Federal, é preciso respeito por essas instancias”, disse.

Ao final do Seminário Internacional da Educação, foi feita a leitura da Carta de Fortaleza, que será apresentada aos representantes da Cúpula de Líderes do G20, que acontece no Rio de Janeiro, em novembro. O documento é um Manifesto e conclamação ao compromisso com a Educação Pública e a Valorização dos Profissionais da Educação.

Uma visão sindical e latino-americana das recomendações da OCDE sobre educação

Neste documento, a Internacional da Educação para a América Latina aborda o avanço do comércio educacional e das políticas que favorecem o lucro privado com fundos públicos para a educação na região. Nesta linha, o Observatório Latino-Americano de Políticas Educacionais (OLPE) realizou uma extensa revisão bibliográfica das diferentes recomendações da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a política educacional em nossos países. Como será demonstrado, desde a sua fundação em 1960, a OCDE propôs-se promover a entrada de capitais, a expansão dos mercados e a intensificação da expansão do comércio mundial.

>> ACESSE AQUI O DOCUMENTO!

Este propósito também se expressa nas recomendações que faz aos países em matéria de educação. A publicação Um olhar sindical e latino-americano sobre as recomendações da OCDE em educação. Uma janela para o comércio educacional analisa um conjunto de políticas promovidas pela OCDE na região, sobre temas tão diversos como financiamento, currículo, administração educacional, avaliação, ensino superior, prestação privada de serviços educacionais, carreiras docentes e até mesmo participação de trabalhadores em espaços de tomada de decisão.

Leia também:

>>> Educação e seu poder transformador
>>> CNTE lança 2ª edição da Revista Vitalidade no Seminário Internacional da Educação
>>> A educação pelo mundo – relatos e realidade
>>> Retratos da Educação e o PNE

Informações: CNTE

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