Queremos o justo: reajuste para toda categoria


Por Helenir Aguiar Schürer, professora da rede estadual e presidente do CPERS/Sindicato
*publicado no jornal Zero Hora de 21/12/2021

 

Os educadores(as) gaúchos amargam uma redução salarial de 52,6% devido há sete anos sem reposição da inflação. A promessa de 32% de reajuste do piso do magistério apresentada pelo governo é apenas uma compensação parcial do que já deve à categoria. O aumento integral chegará apenas a 14,7%.

A primeira proposta apresentada pelo governador Eduardo Leite (PSDB) não contemplava os aposentados(as) e excluía os funcionários(as) de escola.

Após pressão, o governo expôs novos índices: mínimo de 5,53% para todos os aposentados(as) e professores(as) da ativa. Mas seguiu rechaçando mais de 24 mil funcionários(as) de escola e 10 mil aposentados(as) sem paridade.

Além disso, quase 34 mil professores(as) em sala de aula não receberão o reajuste total e 128.032 educadores (ativos e inativos) pagarão o acréscimo do próprio bolso, com a parcela de irredutibilidade, a qual, em 2019, o governo afirmou que jamais mexeria.

É inadmissível que os funcionários(as) de escola, que recebem como salário base o valor irrisório de R$ 620,75, sejam ignorados. Durante o período mais duro da pandemia, foram os mais expostos.

E os aposentados(as), já duramente penalizados com a Reforma da Previdência? Após uma vida dedicada à educação, o mínimo que merecem é reconhecimento.

Importante frisar que o Executivo arrecada mais de R$ 340 milhões ao ano somente da previdência dos aposentados(as) da Secretaria Estadual da Educação.

Com o intuito de apresentar soluções, o Sindicato apurou, junto ao Dieese, que o Estado conta com um saldo financeiro do Fundeb de quase R$ 675 milhões.

Há rubricas para que o governo garanta o reajuste linear de 32% para todos(as).

A Assembleia Legislativa tem papel decisivo nesse momento, pois pode apresentar uma proposta que inclua a todos(as).

O próximo ano, será de eleição. A educação será o centro das promessas dos candidatos. Mas aqueles que realmente se preocupam, já apoiam as nossas reivindicações.

Não existe Estado desenvolvido sem investimentos na educação, valorização e respeito aos educadores(as).

Dinheiro tem! Falta vontade política.

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