O reajuste mentiroso de Eduardo Leite e a grande mídia – por Ana Maria Baldo


Todos e todas sabemos, já há muito tempo, que a grande mídia trabalha a serviço do capital e dos interesses de quem está no poder. Não poderia ser, ou não esperávamos que fosse, diferente no caso da mentira contada por Eduardo Leite (Governador do RS pelo PSDB) sobre os tais 32% de reajuste salarial “dados” por ele aos educadores e educadoras gaúchos.

Obviamente, a grande mídia comprou o discurso tucano e saiu revendendo-o para a população, com direito a entrevistas de Eduardo e de sua Secretária de Educação, Raquel Teixeira. Estes, logicamente, fizeram seu discurso mentiroso sobre o “aumento de 32%” e a grande mídia não fez o mínimo esforço para buscar o contraditório e dar vez à categoria dos trabalhadores e trabalhadoras em educação do Estado do Rio Grande do Sul, seja na voz dos próprios educadores e educadoras, seja na de seus e suas representantes através de seu sindicato. Dentre as muitas técnicas e táticas utilizadas pela grande mídia, a mais comum (e que sempre funciona) é dar “a última palavra” ao governo durante a programação; assim, o governo rebate o que foi dito anteriormente e mente ainda mais para fazer valer a sua versão dos fatos: uma versão mentirosa e perversa.

Sendo assim, me utilizo desta mídia alternativa e comprometida com a classe trabalhadora para dar luz a fatos não ditos, ou melhor dizendo: escondidos, pela grande mídia e pelo governo tucano.

O CPERS, Sindicato que representa os trabalhadores em educação do Estado do Rio Grande do Sul, analisou os verdadeiros resultados do tal “reajuste salarial de 32%”, e segundo o Sindicato, na realidade, a imensa maioria da categoria dos trabalhadores e trabalhadoras em Educação não obteve o reajuste de 32%: apenas 14% dos educadores recebeu esse reajuste (mesmo assim abaixo do valor estipulado pela Lei do Piso). Além de apenas 14% dos educadores ter recebido o reajuste de 32%, o governo retirou o aumento dos demais educadores e educadoras da parcela de irredutibilidade – sim, parece piada, mas não é; no RS a maioria dos educadores está pagando seu próprio “aumento”. 86% dos educadores gaúchos não recebe o reajuste salarial de 32% tão divulgado pelo governo e pela grande mídia. Ainda, segundo o CPERS, “cerca de 25 mil funcionários(as) de escola e quase 10 mil aposentados(as) sem paridade foram totalmente excluídos do projeto”.

Enganam os trabalhadores em Educação e enganam a população através da mídia – grande parcela da população inclusive manifestou-se achando abusivo e exagerado um reajuste salarial de 32% para os educadores e educadoras. Mal sabem eles que 86% destes pagarão seu próprio “aumento”, e muitos mais sequer foram “lembrados” pelo governador.

Mais uma coisa que todos e todas sabemos: Eduardo Leite não dá ponto sem nó, e suas estratégias têm muito mais objetivos do que simplesmente mentir para a população sobre um reajuste que abrange uma minoria de trabalhadores. Eduardo Leite pretende, e seu partido tem isso como política desde sempre, desmotivar, desmobilizar, e dividir a categoria dos trabalhadores e trabalhadoras da educação.

Porém, se ele tem a mídia, o governo e estratégias para tentar destruir os sindicatos combativos; mal sabe ele que nós temos a força e a coragem da classe trabalhadora, que educa os filhos e filhas da classe trabalhadora, e que está e seguirá organizada junto ao seu Sindicato lutando por uma educação e por uma sociedade mais justa. É como a tentativa de matar a flor, o que jamais deterá a primavera. Um piá desses jamais apagará mais de sete décadas de história e de luta. Se Eduardo tem a mentira a seu lado, os trabalhadores e trabalhadoras em educação têm a verdade, e não se calarão.

Porque não há mal que dure para sempre, e nem mentira que não seja, um dia, desmascarada.

Texto originalmente publicado no Portal 247.

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