Novembro Azul: CPERS promove live sobre saúde do homem e destaca a importância do autocuidado


Em uma transmissão marcada pela profundidade das reflexões, o Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or) do CPERS realizou, nesta terça-feira (25), uma live especial, disponível no YouTube e Facebook do Sindicato, em alusão ao Novembro Azul. A iniciativa buscou lançar luz sobre um tema ainda atravessado por tabus, desinformação e barreiras culturais que afastam os homens do cuidado básico com a própria saúde.

O diretor do Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or), Celso Dalberto, conduziu a atividade e, logo no início do encontro, reforçou a relevância da discussão e saudou as(os) participantes. “Hoje temos a satisfação de promover mais um momento de cuidado e conscientização. Esse debate é muito importante para todos nós. Vamos dar início com a fala da nossa presidente e, logo após, apresentar o nosso palestrante”, disse, marcando o caráter acolhedor e educativo da live.

A presidente do CPERS, Rosane Zan, destacou que, embora o Sindicato seja composto majoritariamente por mulheres, o debate sobre a saúde masculina é imprescindível para toda a comunidade escolar. Ela ressaltou que o autocuidado é um ato político, afetivo e social. “É importante reforçar para aqueles que nos assistem que, além de destacar a importância do cuidado com a saúde da mulher, precisamos olhar para os homens da nossa comunidade escolar. Cuidar da saúde e do autocuidado é um ato de amor”, afirmou. Rosane frisou a importância de lives como esta, promovidas pelo Departamento, e lembrou que o ambiente escolar tem um papel central na construção de novos hábitos: “Cabe a nós compreendermos o nosso papel no chão da escola. Por isso, é fundamental elaborarmos essas lives, promovendo integração e consciência sobre a importância do autocuidado.”

O palestrante convidado, Julio César Stobbe, doutor em Clínica Médica e professor universitário, apresentou um panorama amplo e incisivo sobre os desafios da saúde masculina no Brasil. Ele iniciou sua fala homenageando a categoria: “Quero parabenizar os educadores, tão fundamentais para nossos alunos. Não há médico, enfermeiro, advogado ou qualquer outro profissional se não houver professor”. Em seguida, trouxe um alerta: os homens vivem, em média, de cinco a sete anos menos que as mulheres.

Segundo ele, essa diferença não é fruto apenas de fatores biológicos, mas de comportamentos de risco, da negligência histórica com a própria saúde e de uma série de barreiras sociais e institucionais. “Muitos homens têm medo de descobrir doenças. Há o estereótipo de que são fortes, de que não vão adoecer. Muitos se veem apenas como provedores e cuidadores da família, mas não reconhecem suas próprias fragilidades”, explicou. A consequência dessa cultura é clara: diagnósticos tardios, enfermidades agravadas e índices de mortalidade muito superiores ao das mulheres em praticamente todas as faixas etárias.

O médico detalhou o que chamou de “tripla carga de doenças” no país: doenças infecciosas ainda persistentes, causas externas, como violências e acidentes — especialmente entre jovens — e o avanço crescente das doenças crônicas, como diabete, hipertensão, obesidade e enfermidades do aparelho respiratório, que são hoje as principais causas de morte entre idosos. O Brasil, como destacou, enfrenta, ao mesmo tempo, desafios do passado e do presente. Nos mais jovens, a violência urbana e os acidentes lideram os óbitos; nos idosos, as quedas e fraturas são as causas externas mais comuns.

Entre os aspectos emocionais e comportamentais, o médico chamou atenção para um dado preocupante: a prevalência maior de suicídio entre homens. O afastamento dos serviços de saúde mental, o estigma e a dificuldade de expressar vulnerabilidades criam um círculo de silêncio e sofrimento. Soma-se a isso o abuso de álcool, que ele classificou como um dos fatores de maior impacto negativo na saúde pública. “O álcool é a primeira droga de entrada no Brasil e está diretamente relacionado à violência, acidentes e adoecimento físico e mental. Seus danos são profundos e muitas vezes invisíveis até que as consequências se tornam graves”, alertou.

O Dr. Julio também destacou que vários fatores institucionais contribuem para o afastamento masculino dos serviços de saúde: horários de atendimento pouco adequados, comunicação pouco direcionada, falta de estratégias específicas e até constrangimentos relacionados à presença de profissionais mulheres em procedimentos como o exame de toque retal. Tudo isso, aliado aos estereótipos de gênero, cria barreiras que produzem efeitos concretos sobre a expectativa de vida dos homens no país.

Ao abordar a prevenção de doenças prevalentes, o médico reforçou a importância dos exames periódicos, da vacinação em dia, da prática regular de atividade física e da manutenção de hábitos alimentares saudáveis. O câncer de próstata, tema central do Novembro Azul, foi explicado com clareza: fatores de risco, sinais de alerta e métodos de diagnóstico, especialmente o exame PSA e o toque retal, que ainda enfrentam preconceito e resistência. “Prevenir continua sendo a melhor estratégia. Muitos homens só procuram atendimento quando os sintomas já estão avançados, e isso precisa mudar”, enfatizou.

Cuidar da saúde é um ato de responsabilidade consigo e com quem se ama. A prevenção não pode ser exceção, deve ser rotina. O CPERS, por meio do seu Departamento da Saúde da(o) Trabalhadora(or), segue promovendo informação e conscientização para educadores(as), famílias e toda a comunidade.

Em um cenário onde a saúde masculina ainda é marcada pela negligência e pelo silêncio, a iniciativa mostra que transformar essa realidade exige diálogo, informação e coragem para enfrentar tabus. E como reforçou o Dr. Julio, “participar assegura mudanças, direitos e conquistas. E participar é aprender.”

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