No primeiro dia da Caravana, CPERS constata escolas sucateadas e desvalorização da categoria


No primeiro dia de Caravana por #ReposiçãoJá, o CPERS constatou o que já vem denunciando: o descaso do governo Eduardo Leite (PSDB) com a educação pública. Escolas sucateadas e educadores(as) angustiados diante dos sete anos de arrocho salarial foi o cenário que predominou nas visitas feitas às escolas da capital, nesta quinta-feira (11).

“Eu me sinto miserável, trabalho 40 horas e ganho R$ 2,800. E isso tendo 19 anos de magistério”, disse a vice-diretora do Colégio Florinda Tubino Sampaio, Cátia Barletta. O desabafo da educadora traduz a situação de miserabilidade em que a categoria se encontra.

Sem aumento desde 2014, os educadores amargam as consequências de salários extremamente defasados, perda de direitos, redução de adicionais, sucessivos descontos e custos extras com o trabalho remoto.

“Estamos na luta por reposição para toda a categoria. Não adianta o governo prometer só o piso do Magistério, a categoria toda está sofrendo com a defasagem dos nossos salários. Os funcionários não recebem nem o suficiente para adquirir a cesta básica”, destacou a diretora Carla Cassais.

Esta semana, a direção central do CPERS entregou à Casa Civil e aos(as) deputados(as) uma minuta de Projeto de Lei (PL) pelo ressarcimento dos gastos extras que os educadores(as) tiveram com o trabalho remoto durante a pandemia.

“Nesse momento é muito importante que façamos forte pressão nos deputados para que votem e aprovem a proposta”, ressaltou a diretora Suzane Lauermann.

O diretor do 39º núcleo, Pedro Jacobs, convidou os colegas para integrarem o Sindicato. “É muito importante que vocês se filiem, se organizem e escolham o Representante de Escola. Só teremos vitórias se tivermos organização de base e fortalecermos o CPERS.”

Abandono: escolas extremamente precarizadas

Além da falta de valorização profissional, professores(as) e funcionários(as) de escola precisam driblar a falta de estrutura.

Na escola EEEF Luiz de Azambuja Soares, os diretores Leonardo Echevarria, Amauri Rosa e a diretora geral do 39º núcleo, Neiva Lazzarotto, verificaram problemas na rede elétrica, muro com risco de desabamento e paredes com marca de infiltrações.

A instabilidade elétrica, além de comprometer a segurança, queimou estabilizadores e cinco computadores foram para manutenção.

“Precisamos urgentemente que o governo arrume, principalmente, a parte elétrica. Nossa comunidade sempre foi solidária, já cortaram a grama e pintaram a parede, mas o governador precisa fazer a parte dele”, enfatizou a diretora Katia Laner.

Para a diretora do 39° Núcleo, Cecília Santana, a união na luta contra os descontos no contracheque também é imprescindível. “Precisamos nos unir para não permitir, que agora, o governo Leite nos tire mais o vale-transporte de 2020. Não podemos deixar”.

Neiva Lazzarotto agradeceu a dedicação da direção e também ressaltou que com a proposta de contingenciamento do orçamento, o governo ficará limitará ainda mais os investimentos em serviços públicos.

“Precisamos nos mobilizar junto à comunidade para tentar impedir a votação, agora, em regime de urgência, do PL do Teto de Gastos, que irá congelar os já poucos recursos da educação, da saúde e outros”, convocou.

Estruturas comprometidas colocam em risco comunidade escolar

Parte do prédio da EEEF Dr. José Carlos Ferreira corre o risco de desabar. Entre os problemas há ainda infiltrações pela parede, risco de desabamento da fachada, falta de funcionários para a limpeza e não há vice direção.

Conforme a direção da escola, foi feita vistoria e licitação em 2019. A obra foi orçada em R$ 120 mil e segue no setor de obras do governo. “O processo continua moroso e não há previsão para o iniciar as reformas”, detalhou a diretora Denise Farias Mansur.

“Temos falta de material para a limpeza e também de profissionais. No laboratório de informática são poucos computadores que funcionam. É lamentável”, relatou o professor Cláudio Cuttim.

Na EEEF Eva Carminatti, as diretoras Carla Cassais e Suzana Lauermann, junto com o representante do 39º núcleo, Pedro Miguel Jacobs, constataram problemas como a terceirização dos trabalhadores em educação.

 

“Nossas funcionárias são todas terceirizadas. Sem elas, não temos como abrir a escola e manter os alunos seguros. O governo exigiu o retorno presencial, mas não deu garantias”, observou a vice-diretora, Katia Amorim Macedo.

O diretor da instituição, Geraldo Onézio Fonseca, espera que o governo cumpra com a promessa da destinação dos recursos do Programa Avançar. “Esperamos que o investimento prometido realmente venha. Além do salário defasado, estamos com muita carência para cumprir com o nosso trabalho”, afirma Fonseca.

“Nossa escola tinha 60% de Difícil Acesso e com o governo Eduardo Leite perdemos tudo. Para chegar aqui não tem calçada, nem asfalto. O ônibus para longe, não há segurança”, relatou a diretora da EEEF Onofre Pires, Bruna Ruiz dos Santos.

Tentativa de fechamento

A EEEF Imperatriz Leopoldina, no bairro Petrópolis, está sob ameaça de fechamento desde 2019, ano em que o governo excluiu o turno da manhã. Recentemente a instituição foi avisada pela secretária estadual de educação, Raquel Teixeira sobre a possibilidade de o terreno da escola ser vendido para uma instituição privada de ensino.

“Essa insistência em fechar a escola nos deixa profundamente tristes. Defendemos que nossa escola não só se mantenha aberta como também amplie seu atendimento à comunidade através da implantação do ensino em tempo integral”, destaca a diretora Marília Chaves.

Diante dos relatos, os dirigentes do CPERS, Rosane Zan, Juçara Borges e Cássio Ritter orientaram a equipe diretiva. “É importante mobilizar a comunidade para fortalecer a defesa da permanência da escola”, instruiu a diretora Rosane Zan.

Um abaixo-assinado já foi estruturado pela direção. Para assinar, acesse aqui: https://peticaopublica.com.br/?pi=BR121326

CPERS segue na estrada

Até o dia 26 de novembro, diferentes comitivas do Sindicato irão percorrer todas as 9 regiões funcionais do Rio Grande do Sul.

A direção central irá percorrer o Estado denunciando os ataques de Eduardo Leite (PSDB) à educação pública e o sucateamento das escolas gaúchas.

Nesta sexta-feira (12), seguem as visitas às escolas da capital. Confira abaixo o cronograma da próxima semana.

Agenda da Caravana:

 17/11 | Quarta-feira
Uruguaiana
Santa Rosa
Santiago
Canoas
Lagoa Vermelha
Caxias do Sul
Montenegro
Erechim

18/11 | Quinta-feira

Alegrete
Três de Maio
Santa Maria
Gravataí
Vacaria
Bento Gonçalves
São Leopoldo
Passo Fundo

19/11 | Sexta-feira

Santana do Livramento
Três Passos
Santa Cruz
Guaíba
Guaporé
Estrela
Taquara
Soledade

 

 

Notícias relacionadas