No Dia Internacional da Educação, Bolsonaro anuncia corte milionário no MEC


Nesta segunda-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou, com vetos, o Orçamento de 2022, que havia sido aprovado em dezembro pelo Congresso Nacional. O total de recursos vetados chega a R$ 3,18 bilhões.

No Dia Internacional da Educação, Bolsonaro (PL) agravou ainda mais o desfalque no Ministério da Educação (MEC), segunda pasta mais afetada, atrás apenas do Ministério do Trabalho, que teve R$ 1 bilhão de recursos vetados.

A tesourada no MEC totaliza R$ 802,6 milhões. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) foi o mais atingido pelo veto presidencial, com redução de R$ 499 milhões, mais da metade do corte.

Para o 1° vice-presidente do CPERS, Alex Saratt, os descontos são criminosos e reforçam o projeto de desmonte da educação pública perpetrado pelo governo federal. 

“Bolsonaro segue sua agenda política antipovo e antinação. Os cortes orçamentários expressam a falta de prioridade com a educação e demais áreas sociais, marca contínua de seu governo. Em tempos de crise, pandemia e vulnerabilidade, essa política chega a ser criminosa”, destaca. 

Apesar do importante papel desempenhado pela ciência e pesquisa no cenário da pandemia, o fomento a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico nacional por meio do CNPq teve R$ 859 mil vetados.

A Fiocruz, maior instituição de pesquisa biomédica da América Latina e com importante papel na imunização contra a covid-19, teve um corte de R$ 11 milhões – valor que seria destinado a atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação. 

Vale ressaltar que, em contraponto aos cortes, o governo manteve o fundo eleitoral – o chamado fundão, que financia campanhas eleitorais com dinheiro público em R$ 4,96 bilhões. Também foram mantidas as emendas, que podem ser utilizadas para beneficiar parlamentares que votam com o governo. 

Cortes colocam em risco o futuro do Brasil

Esse ataque reafirma o caráter da gestão de Bolsonaro (PL), que transforma a educação em inimiga e impossibilita uma perspectiva de futuro para os jovens brasileiros.

O  vice-sul da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), Alejandro Guerrero, entende que os cortes prejudicam o futuro do Brasil e que resistir é preciso. 

“Para nós da UBES, o corte é extremamente contraditório. Ele acontece em um dos piores momentos da educação. O corte de quase 800 milhões representa o futuro em risco da juventude brasileira. Precisamos construir novamente os tsunamis da educação e garantir o isolamento e a derrota do presidente que escolheu a educação como sua principal inimiga.”

Airton Silva, presidente da UEE RS, expõe que com esse corte o governo federal intensifica o seu descaso com o futuro do Brasil. 

“Nós estudantes nos mobilizamos ao longo dos últimos tempos pela garantia de mais investimentos na educação. Em tempos de pandemia, onde jovens evadiram a escola e a juventude não consegue enxergar a educação enquanto perspectiva de transformação das suas vidas, nós precisamos que a educação esteja no centro da discussão para o desenvolvimento do nosso país. São gerações de jovens que  estão fora da escola, que estão fora da universidade e nós precisamos reverter isso”.

Não aceitaremos nem um centavo a menos para a educação!

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