Não Venda a Minha Escola: ato do CPERS denuncia mega leilão de 98 escolas públicas pelo governo Eduardo Leite


Centenas de educadoras(es), representantes da Direção Central e dos 42 núcleos do CPERS, ao lado da comunidade escolar da EEEF Medianeira e de outras escolas públicas ameaçadas pela privatização do governo Eduardo Leite (PSD), ocuparam as ruas de Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (12), em um grande ato contra o projeto cruel do governador que pretende entregar 98 escolas estaduais à iniciativa privada.

A Medianeira, localizada na zona sul da Capital, tornou-se símbolo da resistência contra essa medida nefasta do governador que pode transformar a educação pública gaúcha em fonte de lucro para empresas privadas. Incluída na lista do mega leilão marcado para o dia 26 de junho, na Bolsa de Valores de São Paulo, a escola foi palco de mobilização que denunciou os impactos das Parcerias Público-Privadas (PPPs) no ensino público gaúcho.

O projeto de Leite (PSD) prevê o repasse de mais de R$ 4,5 bilhões de recursos públicos para contratos privados ao longo de 25 anos, colocando em risco a qualidade do ensino, a autonomia das escolas e as condições de trabalho das(os) educadoras(es).

A mobilização também buscou alertar a sociedade gaúcha sobre o que está em jogo: o futuro da educação pública, democrática e acessível para milhares de estudantes do Rio Grande do Sul.

A minuta do contrato das PPPs prevê que a verificação do cumprimento das obrigações da concessão seja realizada por agentes terceirizados. Trata-se de privatização com fiscalização privada, um arranjo que tende a fragilizar o controle público e ampliar os riscos para toda a comunidade escolar.

Desde o anúncio das PPPs, o CPERS vem denunciando, em todos os espaços possíveis, o desmonte da educação pública promovido pelo governo Eduardo Leite (PSD).

Em 2025, junto à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o Sindicato lançou a campanha “Não Venda a Minha Escola”, que ampliou o debate em todo o Rio Grande do Sul e fortaleceu a resistência das(os) educadoras(es) contra o projeto de privatização. A pressão organizada pela entidade e pela categoria conseguiu retardar o avanço do processo ainda em 2025, expondo as contradições e os riscos do projeto.

>> Confira aqui a lista das 98 escolas

Durante o ato, professoras(es), funcionárias(os) de escola, estudantes, pais e mães denunciaram os impactos negativos da proposta do governo Eduardo Leite (PSD) e reforçaram que escola pública não é mercadoria. As falas destacaram a preocupação com a perda da autonomia das instituições, a precarização das relações de trabalho e a utilização de recursos públicos para beneficiar empresas privadas, enquanto seguem faltando investimentos estruturais na educação estadual.

A presidenta do CPERS, Rosane Zan, destacou os principais prejuízos que o projeto pode causar às escolas, às(aos) educadoras(es) e à comunidade escolar. “Serão 25 anos de concessão. Vocês imaginam o que pode acontecer ao longo desse período? Serão pelo menos seis governos passando pela gestão do Estado. Estamos diante de uma escola maravilhosa, com quatro pavimentos, e eles usam a estrutura como justificativa para depois atacar a gestão democrática”, afirmou Rosane.

Ela também ressaltou que os R$ 4,5 bilhões previstos para o projeto, divididos entre as 98 escolas incluídas nas PPPs, representam cerca de R$ 154 mil mensais para cada instituição. “Imaginem o que a direção da Escola Medianeira e de todas as outras poderia fazer com esse valor todos os meses. Seria possível qualificar ainda mais a estrutura da escola, que já é bonita e bem organizada. O governo afirma que colocaria nas PPPs escolas vulneráveis e com problemas estruturais, mas não é isso que estamos vendo aqui”, reforçou.

A diretora da EEEF Medianeira, Andréa Rey Alt Iessim, destacou a preocupação da comunidade escolar com os impactos da proposta. “A nossa preocupação é com a escola e com os nossos alunos. Se há recursos, nós mesmos temos condições de administrar e cuidar da nossa instituição. Esta escola existe há mais de 38 anos e, com o apoio dos conselhos escolares, sempre conseguimos mantê-la funcionando e acolhendo nossos estudantes. E continuamos contando com apoio de todos”, afirmou.

Já a estudante da instituição, Mayara dos Anjos, manifestou-se contra a privatização da escola e defendeu a educação pública como um direito fundamental. “Eu peço que não vendam a nossa escola. Nós merecemos estudar e ter acesso a uma educação de qualidade. A escola é nossa, faz parte da nossa vida e da nossa comunidade”, declarou.

A diretora do 39º Núcleo do CPERS (Porto Alegre), Neiva Lazzarotto, apresentou de forma didática, em um cartaz, os números alarmantes do projeto: R$ 4,5 bilhões que serão destinados às PPPs ao longo de 25 anos. “Eduardo Leite e a secretária Raquel Teixeira querem jogar essa bomba aqui no nosso Estado. Eles pretendem entregar 98 escolas para a iniciativa privada, sendo 32 em Porto Alegre e 20 ligadas ao nosso 39º Núcleo. Mas não vamos permitir”, destacou.

“Esse governo quer entregar nossas escolas para empresas de São Paulo, pessoas que não conhecem a nossa realidade, a nossa cultura e os valores da nossa comunidade escolar. Querem retirar dos filhos e filhas da classe trabalhadora o direito a uma educação pública de qualidade. Nós não vamos permitir esse desmonte. Não às PPPs”, afirmou a diretora da EEEF de Sapucaia do Sul, Nivea Luiza Bastos Boavista, uma das 98 instituições incluídas na lista do projeto de privatização.

Educadoras(es), estudantes e a comunidade escolar saíram em caminhada até o Estádio Olímpico Monumental, antigo estádio do Grêmio, denunciando para a sociedade o retrocesso do projeto de PPPs na educação pública gaúcha.

Com faixas, cartazes e palavras de ordem, a mobilização chamou a atenção da população para os riscos da privatização das escolas estaduais, alertando sobre a perda da gestão democrática, a transferência de recursos públicos para empresas privadas e os prejuízos para estudantes, trabalhadoras(es) da educação e toda a comunidade escolar.

Durante o percurso, todas e todos reafirmaram que a escola pública deve permanecer sob responsabilidade do Estado e destacaram que seguirão mobilizadas(os) para impedir o leilão das 98 instituições previsto pelo governo Leite (PSD).

Ao encerrar o ato, a presidenta do CPERS, Rosane Zan, reforçou que a luta contra as PPPs seguirá em todo o estado. “A escola pública pertence ao povo e não pode ser entregue à iniciativa privada. Até o dia 26, o governo vai ter que ouvir a voz da comunidade escolar e recuar desse projeto. Onde houver uma escola ameaçada de privatização, estaremos juntos, lado a lado, com educadoras e educadores, estudantes e comunidade escolar, dizendo em alto e bom som: NÃO VENDA A MINHA ESCOLA ”, concluiu.

Mesmo diante da rejeição de trabalhadoras(es) da educação, estudantes e famílias, o governo Leite (PSD) insiste em avançar com o leilão das escolas públicas. O CPERS reafirma que seguirá mobilizado, nas ruas e em todos os espaços de luta, para impedir a entrega da educação pública gaúcha à iniciativa privada. A luta em defesa da educação pública continua. Avante, educadoras(es)!

>> Confira o vídeo da presidenta do Sindicato, Rosane Zan:

>> Confira fotos da atividade:

>> Confira mais fotos da mobilização: 


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