“Não aceitamos o argumento de crise financeira, muito menos que o governo penalize os educadores”, afirma CPERS em nova audiência com o governo


Na tarde desta segunda-feira, dia 23, o Comando de Greve do CPERS reuniu-se novamente com representantes do governo com o objetivo ouvir propostas que permitissem a abertura da Mesa de Negociação. Porém, mais uma vez, o governo tentou amenizar sua responsabilidade diante do caos em que se encontra a educação pública, justificando o déficit financeiro do Rio Grande do Sul. Estavam presentes o secretário de Educação, Vieira da Cunha, e o secretário adjunto da Fazenda, Luiz Antônio Bins. O secretário da Fazenda, Giovani Feltes, novamente omitiu-se e não compareceu à reunião. Ficou agendado para a próxima terça-feira, dia 31, às 9 horas, no CAFF, uma nova reunião entre o governo e o Comando de Greve.
A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, destacou que os educadores já conhecem bem a situação financeira do Estado e que não é possível mais admitir que o governo Sartori (PMDB) continue penalizando os professores e funcionários de escola pela crise. “Mais uma vez, o governo deixa de abrir negociação conosco, pois não apresenta nenhuma proposta. Há 44 anos o Estado gasta mais do que arrecada. Se ao longo desse tempo, conseguimos que os governos nos repassassem algo para nossos contracheques, não é possível que este governo não seja capaz também”, destacou.

O que está em jogo é a dignidade dos educadores

 Ao ser questionado sobre as respostas quanto a pauta salarial da categoria, pagamento do Piso e dos reajustes de 13,01% (2015) e 11,36% (2016), Bins foi categórico. “Não fomos orientados a vir aqui apresentar proposta nenhuma, apenas os índices”, afirmou. O secretário adjunto da Educação, Luís Antônio Alcoba de Freitas, ainda completou. “ Não podemos criar uma falsa expectativa”, disse.
Os representantes do Comando de Greve questionaram os secretários quanto a pontos importantes da pauta de reivindicações como a retirada do PL044, que autoriza a privatização das escolas, e o reenquadramento do Difícil Acesso. Novamente, não houve garantias de que não haverá retrocesso.
Diante deste cenário, Helenir foi categórica ao afirmar que enquanto o governo não pagar o Piso Salarial aos educadores gaúchos, o Sindicato não abrirá nenhuma possibilidade para que direitos sejam retirados. “O que está em jogo é a dignidade de uma categoria que passa por inúmeras dificuldades devido ao parcelamento dos salários realizado por este governo”, observou.
Helenir também denunciou as ameaças que as Coordenadorias de Educação – CREs estão realizando contra os estudantes que estão fazendo ocupações nas escolas de todo o Estado e exigiu providências da Seduc.
Ao final da reunião, ela alertou aos representantes do governo que a greve dos educadores cresce a cada dia e se fortalece com as ocupações dos estudantes. “Enquanto não nos apresentarem propostas, vamos fortalecer ainda mais a nossa mobilização. Exigimos respeito e os nossos direitos garantidos”, destacou.

 

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