Luta unificada: professores, funcionários de escola e aposentados exigem reposição à toda categoria


O mau tempo não impediu que centenas de educadores fossem à Praça da Matriz, na manhã de hoje (14), para reivindicar reposição salarial para toda a categoria. A proposta do governo Eduardo Leite (PSDB) para o reajuste do Piso do Magistério (PL 467/2021), exclui funcionários de escola e deixa de fora a imensa maioria dos aposentados. O PL deve ir à votação no próximo dia 21.

Há sete anos enfrentando um arrocho salarial extremo, professores e funcionários de escola já têm seus salários reduzidos em 52,6% pelo não repasse da inflação.

“Somos uma categoria só. Queremos valorização, mas sempre deixamos claro que a reposição tem que ser para todos educadores”, pontuou a presidente do sindicato, Helenir Aguiar Schürer.

Através de um cálculo imoral, o PL do governo pretende que os educadores paguem seu próprio Piso. De forma impiedosa, prevê que a parcela de irredutibilidade seja absorvida pelo subsídio. Ou seja,  quanto mais anos de trabalho, menor o reajuste real.

Na prática, apenas 14% da categoria receberá o índice do reajuste fixado pela Lei do Piso Nacional. Conforme análise do Dieese, 55,8% dos professores em sala de aula não receberão o reajuste de 31,3 em 2022.

“A política de destruição da educação pública tem o DNA de Sartori e Leite. A nossa pauta é uma só, reposição já para toda a categoria. Seguiremos firmes fazendo toda a pressão necessária”, ressaltou o vice-presidente do CPERS, Alex Saratt.

Eduardo Leite abandona os educadores aposentados

Após uma vida dedicada à educação, o reconhecimento que os educadores aposentados recebem do governo é o esquecimento. Mais de 30 mil não receberão qualquer reajuste.

A diretora do Departamento dos Aposentados do CPERS, Glaci Weber, lembrou que após as últimas reformas o governo já confiscou R$ 340,00 milhões ao ano, desta parcela valorosa da categoria.

“Estamos completamente indignados com o desmonte do plano de carreira. Deixar os aposentados sem nenhum centavo de reposição é desumano. Lembraremos à população os nomes de todos aqueles que apoiarem essa injustiça”, afirmou.

Funcionários de escola são esquecidos

Com vencimento básico de R$ 620,72 (40 horas). os funcionários de escola não recebem sequer o suficiente para cobrir os custos de uma cesta básica, que atualmente, na capital, é de R$ 685,32. Conforme o Dieese, eles representam 90% dos piores salários do estado.

Nem isso sensibilizou o Executivo, que não os contemplou na rotina das escolas, no projeto de reajuste.

“Não somos invisíveis. Somos educadores reconhecidos pela LDB, profissionais com formação, ocupando, inclusive, o cargo de diretores eleitos pela comunidade. Seguiremos firmes na luta por respeito e valorização”, afirmou a diretora do Departamento dos Funcionários de Escola do CPERS, Juçara Borges.

Pressão segue forte e novo ato ocorrerá na próxima semana

Com a possibilidade do PL 467/2021 ser votado na próxima terça-feira (21), o sindicato orientou a todos para seguirem com a pressão aos deputados e também aos vereadores.

“Quem leva os nomes dos deputados para as nossas cidades são os vereadores. É importante pressionarmos para que peçam aos deputados que coloquem uma proposta digna para a categoria”, enfatizou Helenir.

Novo ato será realizado na próxima semana para exigir do Executivo e dos parlamentares que a proposta do reajuste do Piso Salarial do Magistério contemple toda a categoria.

“Na semana que vem estaremos aqui de novo. Se precisarmos acampar nessa praça fincaremos o pé. Não nos pararão até que os nossos direitos sejam respeitados”, afirmou Helenir.

Fique atento: as informações sobre o horário da próxima mobilização serão postadas nas redes sociais do sindicato e também podem ser obtidas com os núcleos do CPERS, que organizarão a vinda à capital.

Entenda a proposta excludente

  • O CPERS sempre exigiu um reajuste para TODA a categoria, que já teve seu salário reduzido em 52,6% pelo não repasse da inflação desde novembro de 2014;
  • Em dezembro de 2021, o governo Leite (PSDB) apresentou uma proposta de reajuste de 32% NÃO LINEAR, deixando de fora a maioria dos aposentados(as), ignorando funcionários(as) de escola e diferenciando o percentual dos professores(as);
  • A proposta de reajuste de 32% se utiliza de uma matemática perversa. O PL prevê que a parcela de irredutibilidade seja absorvida pelo subsídio e apresenta uma relação de proporção inequívoca: quanto mais anos de trabalho, menor o reajuste real. Ou seja: o educador irá tirar dinheiro do próprio bolso para que o governo pague o Piso.

A matemática imoral de Eduardo Leite (PSDB)

Professores(as) na ativa:

  • 33.820 professores(as) na ativa NÃO receberão o índice do reajuste fixado pela Lei do Piso Nacional em 2022 (31,3%).
  • 23.269 professores(as) na ativa NÃO receberão nem o INCP do período do governo Leite.

Aposentados(as)

  • 94.212 professores(as) inativos(as) NÃO receberão o índice do reajuste fixado pela Lei do Piso Nacional em 2022 (31,3%).
  • 93.089 professores(as) inativos(as) NÃO receberão NEM o INPC do período do governo Leite.

Funcionários(as)

  • 24.664 funcionários(as) de escola, ativos(as) e inativos(as) não estão contemplados de forma alguma na proposta.

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