Irresponsabilidade: com escolas precarizadas e professores sem reposição há sete anos, Leite impõe retorno presencial


O governador Eduardo Leite (PSDB) anunciou nesta quarta-feira (27) o retorno obrigatório ao ensino presencial. A imposição vale para instituições públicas e privadas em todo o Rio Grande do Sul.

De forma autoritária, como costuma agir, Leite impõe a medida diante de um cenário de precariedade em inúmeras escolas.

Segundo a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, a situação de abandono impede estas instituições de cumprirem com os protocolos sanitários.

“A obrigação do retorno presencial mediante o sucateamento das escolas e a falta de RH, expõe estudantes, educadores, funcionários e comunidade ao iminente risco de contaminação pelo coronavírus”, garante.

Neste cenário, vale frisar que as crianças menores de 12 anos estarão mais expostas, visto que para esta faixa etária ainda não há vacina disponível.

Além do descaso com a vida de todos que estão no dia a dia das escolas, o governador segue sem dialogar com aqueles que fazem a educação acontecer, professores(as) e funcionários(as).

Desvalorizados, cansados e em situação de miserabilidade, devido aos sete anos de arrocho salarial, muitos ainda estarão trabalhando em ambientes sem a segurança necessária para atuar com tranquilidade.

Para Helenir, além do descaso com os educadores(as), o governo, que teve toda a pandemia para executar um plano de obras e melhorias, nada fez durante este período para garantir o retorno seguro.

“Muros caindo, goteiras, rachaduras nas paredes, fiação elétrica comprometida e falta de pia para a lavagem das mãos, são apenas algumas situações que terão de ser enfrentadas pelos educadores na volta tão desejada por Leite”, afirma.

A vontade dos pais e/ou responsáveis também não foi levada em conta. Seguros ou não, terão de mandar seus filhos para a escola sob o risco de sofrerem penalidades.

Nem máscaras de boa qualidade os educadores receberam nestes quase dois anos de pandemia. O que foi disponibilizado por Leite mais parecia um pano surrado do que um equipamento de proteção.

Desde então, os educadores têm tirado do próprio bolso para adquirir a máscara. Mais um gasto para quem já recebe tão pouco e teve inúmeros direitos retirados.

O retorno presencial imposto quase no final do ano letivo sem que tenha ocorrido nenhum investimento para a valorização dos professores e funcionários, somado a tão necessária melhoria das escolas, que não ocorreu, é no mínimo uma atitude irresponsável e que só atende aos interesses do governo com as empresas privadas ávidas pelo mercado que a educação.

O CPERS seguirá com seu compromisso de defender a categoria, lutar pela justa reposição salarial de 47,82% e preservar a vida de professores, funcionários e comunidade escolar.

Estaremos atentos a cada dificuldade enfrentada pelos educadores e nas escolas e faremos a denúncia constante dessas situações.

Por respeito, dignidade e preservação da vida seguiremos firmes e combativos.

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