A intransigência e o descaso do governo Sartori (PMDB) e seus aliados com os educadores e a educação pública fez com que professores e funcionários de escola realizassem uma das mais longas greves dos últimos 25 anos. Foram 54 dias de paralisação. Desde 1991, quando o Magistério público gaúcho parou por 74 dias, os educadores não realizavam uma mobilização tão extensa e forte.
Do dia 13 de maio, após o encerramento da Assembleia que decretou a greve da categoria, até o dia 13 de junho, foram realizadas quatro reuniões entre o Comando de Greve do CPERS e representantes do governo sem que em nenhuma delas o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, comparecesse e sem nenhuma proposta por parte do governo. Após um mês de greve e sem que o governo abrisse a Mesa de Negociação, os educadores ocuparam o CAFF por cinco dias.
Esta ação impulsionou ainda mais as mobilizações que já estavam sendo realizadas por todos o Estado. Enquanto, o Comando de Greve permanecia no CAFF, do lado de fora crescia a solidariedade à luta dos educadores. No interior do Estado, os Núcleos do CPERS realizaram diversas ações em apoio ao Comando e para denunciar o descaso do governo com estudantes, professores, funcionários, pais e comunidade escolar.
Apoio histórico dos estudantes e da comunidade escolar
Dois dias antes dos educadores decretarem greve, os estudantes gaúchos deram início a uma manifestação nunca vista antes no Estado: a ocupação das escolas pelo direito a uma educação pública de qualidade. No total, foram quase 200 escolas ocupadas em todo o Estado. Diante da intransigência do governo, os estudantes também realizaram a ocupação da Assembleia Legislativa.
A força dos estudantes fez com que o governo atendesse algumas de suas reivindicações, através de uma carta compromisso.
Os estudantes, além de apoiar a greve dos educadores, trouxeram à tona, os problemas que ficavam escondidos entre as quatro paredes das escolas e escancaram o sucateamento das escolas públicas. Pais e comunidade levantaram-se e juntaram-se a causa, engrossando as fileiras em defesa da educação.
Resistência trouxe avanços e abertura da Mesa de Negociação
A resistência dos educadores fez com que o governador José Ivo Sartori manifestasse publicamente que iria negociar com os educadores. Após permanecerem cinco dias no local, dois desses sem água (cortada a mando do governo), enfrentando ameaças como a entrada de forte aparato policial no CAFF, os educadores saíram do local com a garantia de uma reunião que apresentaria, finalmente, propostas concretas.
Na ocasião, foi entregue um documento ao Comando de Greve com respostas a pauta de reivindicações da categoria. Após inúmeras solicitações de reformulação do texto, pelo Comando de Greve, para que as garantias que o governo apontava ficassem mais claras, a categoria aprovou o documento na Assembleia realizada no dia 07 de junho.
“A união estabelecida entre pais, alunos, professores e funcionários foi o principal ganho da nossa mobilização. Houve capacidade de diálogo sobre a importância da greve, sobre o direito de greve. Colocamos a educação no centro das discussões do Estado, denunciamos a situação caótica em que nos encontramos e mostramos nossa busca incessante pela negociação e nossa garra em lutar pelos nossos direitos. Avançamos, demos passos importantes. Continuaremos firmes para buscar todos os nossos direitos. Já dissemos claramente ao governo que não abrimos mão de discutir a nossa questão salarial”, afirma Helenir, ressaltando que a paralisação também se tornou possível pelo diálogo da direção com a base. — Acredito que qualquer movimento tem que ser construído no chão da escola — acrescenta.
Avanços:
-Abertura da Mesa de Negociação com o governo;
-Fim do Reenquadramento do Difícil Acesso;
-Pagamento dos dias parados aos grevistas;
-Repasse das verbas para a merenda e a manutenção das escolas;
-Prorrogação dos prazos de validade dos concursos vigentes (funcionários de escola);
-Comprometimento do governo em nomear professores e funcionários de escola nas escolas em que houver necessidade;
-Adiamento das discussões sobre o PL 044, que privatizaria escolas e setores do serviço público estadual;
-Garantia da não criminalização de educadores e estudantes que participaram da greve e das ocupações.




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