Estado arromba escola Rio Grande do Sul mais uma vez e Seduc nega diálogo à comunidade


Após 138 dias da ocupação da Escola Rio Grande do Sul, o governo Eduardo Leite (PSDB) repetiu a ação autoritária que serviu de estopim ao movimento de resistência da comunidade. A escola foi novamente arrombada pelo próprio Estado na noite desta quarta (27), apesar da promessa de entrega das chaves à Seduc na próxima sexta.

Os ocupantes haviam encerrado a ocupação na última semana, em respeito à ordem judicial de reintegração de posse. Na manhã desta quinta, um engenheiro deveria realizar vistoria para demonstrar as boas condições em que a escola foi deixada e elaborar o projeto de PPCI. Mas o técnico foi barrado por seguranças privados.

Indignados com a ação, lideranças se dirigiram à Secretaria da Educação para buscar diálogo, mas também foram impedidos de acessar o prédio e ignorados pelo secretário Faisal Karam.

Rossana Silva, presidente do Conselho Escolar, relata o episódio: “mantivemos a escola em boas condições e íamos entregar a chave sexta-feira. Enviamos e-mail para o secretário na segunda, mas a CRE arrombou o cadeado e botou segurança privada lá dentro. Viemos até aqui pra conversar e fomos recebidos na rua sem resposta alguma. E as nossas crianças, como ficam?”

Para Atena Beauvoir Roveda, ex-estudante e integrante da ocupação, a interdição do debate é inaceitável. “Eles querem fechar a escola sem nenhum diálogo e esses 138 dias serviram para mostrar que a comunidade não quer que a escola seja fechada. A Rio Grande do Sul não vai virar arquivo morto da Seduc”, afirmou Atena Beauvoir Roveda, ex-estudante e integrante da ocupação.

A comitiva barrada contava também com a presença da diretora-geral do 39º Núcleo do CPERS, Christiane Ribeiro Gomes, e do vereador Leonel Radde (PT), que apontou desrespeito entre os poderes. “Viemos de forma pacífica e respeitosa para dialogar e debater a educação. Não há absolutamente alguma justificativa que isso ocorra”, comentou em suas redes sociais.

O CPERS atua junto à Comissão de Educação da Assembleia Legislativa para buscar soluções e manter a instituição aberta, em respeito à vontade da comunidade escolar e do direito à educação.

Para o Sindicato, o fechamento da escola é mais um ato de autoritarismo do governo Leite, que dá continuidade à política de desmonte e destruição da educação pública fechando turmas e turnos e proibido matrículas de EJA e NEEJAs em todo o estado.

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