Há dois anos sem água, escola de Sapucaia do Sul é mais um retrato do descaso do governo


Há dois anos, o abastecimento de água da EEEF Olaria Daudt, de Sapucaia do Sul, é feito através de um caminhão-pipa, sem nenhuma regularidade. Sem água na torneira, suspender as aulas para os mais de 300 alunos(as) da instituição tornou-se recorrente.

A escola fica localizada em uma área de extrema vulnerabilidade social, onde a falta de água é um problema real para as famílias. “Por conta dos desvios na via pública, a água não tem pressão e vazão para abastecer as nossas caixas d’água, que não enchem de forma automatizada há dois anos”, explica a diretora da instituição, Andrea Zajaczkowski.

Os caminhões pipa, contratados pela Corsan, deveriam abastecer a escola duas vezes na semana. No entanto, nunca há certeza se esse cronograma será cumprido. “Não seguem fielmente este calendário”, afirma Andrea.

Em razão dos transtornos causados pela falta do insumo básico, a escola possui autorização da 27ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) para realizar as aulas via Classroom. Porém, as atividades são entregues de forma impressa, já que a maioria dos estudantes não tem acesso à internet.

Por grupos de WhatsApp, os pais ou responsáveis são informados se haverá aula presencial ou não.

Foto: Lauro Alves/Agência RBS

Sem água, sem comida

A falta de água nas torneiras da instituição reflete diretamente no preparo das refeições dos alunos(as). Para parte deles, é a única alimentação substancial do dia. “Diante da situação, só podemos servir um lanche como frutas e biscoitos. Isso é muito triste, pois para muitos era a única refeição completa do dia”, lamenta a diretora.

Segundo ela, a escola já realizou o orçamento para a construção de um reservatório de captação de água, que ficou estimado em R$ 17 mil. Para iniciar a obra, falta a liberação da verba pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc), que até o momento não informou quando fará o repasse.

Em busca de soluções viáveis para o grave problema, a direção da escola buscou ajuda no Ministério Pública de Sapucaia do Sul. “Tivemos uma reunião com a promotora Promotoria da Vara da Infância e Juventude, Maria Alice Sanchotene. Ela disse que iria pressionar para uma solução rápida”, relata a diretora.

Diante do cenário de descaso imposto há dois anos, a diretora da escola desabafa: “Impotência, é esse o sentimento que fica, apesar de todo nosso empenho. É muito injusto e discriminatório. Para o poder público, os “invisíveis” não merecem dignidade. Aliás, não merecem nem viver, pois água é vida.”

O CPERS seguirá atento a situação da EEEF Olaria Daudt e fazendo todos os movimentos para que alunos, educadores(as) e comunidade escolar tenham o que lhes é de direito: um ambiente escolar adequado para uma aprendizagem de qualidade.

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