Entidades somam forças para que governo Leite recue na proposta de volta às aulas


A Direção Central do CPERS realizou reunião online com a Associação Mães e Pais Pela Democracia (AMPD), a Associação dos Educadores Educacionais do Rio Grande do Sul (Aoergs) e entidades representativas dos estudantes na manhã desta quinta-feira (13).

O encontro consolidou um novo espaço de articulação de articular ações para fazer com que o governador Eduardo Leite (PSDB) recue na proposta apresentada à Famurs de retomada das aulas presenciais.

“Estamos muitos preocupados com a proposta do governo. Eles dizem que não é bem assim, mas precisamos ajudá-los a recuar por completo. Aqui temos diversas representações que são totalmente contrárias a este retorno irresponsável”, afirmou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

Helenir lembrou das vidas de colegas já perdidas para a Covid-19. “Como Sindicato, temos o dever de proteger a vida da nossa categoria e de toda a comunidade escolar”, concluiu.

O vice-presidente da AMPD, Marcelo Prado, pontuou que a entidade já possui acúmulo na discussão do tema e todos são contra a retomada das aulas nesse momento.

“Nossos filhos não voltarão para as escolas sem ter o mínimo de segurança. Esse não é o momento de voltar”, ressaltou.

“Nosso objetivo é barrar as aberturas das escolas em preservação da vida. Mas também precisamos expor como isso se relaciona com o projeto ultraliberal do governador e suas semelhanças com a política de morte do governo Bolsonaro. O governo está colocando em nossas mãos cadáveres, ele está terceirizando a sua responsabilidade”, analisou a secretária-geral do CPERS, Candida Beatriz Rossetto.

O 2º vice-presidente do CPERS, Edson Garcia, lembrou que Leite é incapaz de cumprir suas promessas e que não há de ser diferente com a segurança na volta às aulas.

“O governo está jogando para a sociedade essa responsabilidade, para que nos obriguem a voltar. As UTIs estão lotadas, é muita irresponsabilidade do governo propor a volta das aulas presenciais nesse momento”, afirmou.

A diretora administrativa da Aoergs, Rosangela Maria Diel destacou que cada vez mais tem chagado até a entidade a preocupação dos educadores com a exposição à Covid-19.

“Estamos na linha de frente, entregando alimentos e atividades só para preencher uma rotina, que não precisaria nesse momento. A Aoergs tem defendido que antes que tenhamos uma vacina e condições sanitárias reais, as aulas não podem voltar. Estamos junto nessa luta”, finalizou.

Estudantes reforçam que são contra a retomada das aulas presenciais

O representante da União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas (UGES), Lincon Leonardo da Fonseca ressaltou o descaso da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) na relação com os estudantes.

“Desde que começou a pandemia, a Seduc não está ouvindo os estudantes. O questionário da Seduc perguntando a opinião das entidades sobre a volta às aulas não foi recebida pela UGES.  Como não ouvir a representação dos estudantes sobre a volta às aulas?”, indagou.

“Nossas escolas não têm nem dois funcionários para limpeza, como vamos conseguir garantir a higienização? Eles não conseguem oferecer o mínimo diariamente. Teremos uma bomba biológica em nossas mãos com a abertura das escolas, sem ter testagens, sem saber quem está infectado”, reforçou Lincon.

Já o estudante e integrante da União Caxiense de Estudantes Secundaristas (UCES), Mateus Pessota afirma que já vê a movimentação da Seduc com as escolas para essa possível volta.

“Imagina: no ensino médio temos às vezes 40 alunos dentro de uma sala de aula. Como não vamos nos infectar sem a estrutura e a higienização necessária?”, destaca.

O representante da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas no Rio Grande do Sul (UBES), Ryan Arriera, ponderou que Eduardo Leite foi um dos primeiros governadores a se posicionar pela volta às aulas e manifesta total contrariedade à proposta.

“Somos contra pela segurança dos nossos professores e também a nossa. O estado enfrenta o pior momento, nossa capital está quase em colapso. Nossas escolas não servirão de abatedores para o governo Eduardo Leite”, destacou.

As estudantes Vitória Cabreira, presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre (Umespa) e Alana Gonçalves, representante da União Estadual de Estudantes do Rio Grande do Sul (UEE), criticaram a postura do governo estadual.

“Precisamos deixar claro que as aulas não podem voltar.  Se o governo tivesse feito um combate verdadeiro ao vírus no começo, agora quem sabe poderíamos estar voltando às aulas com segurança. Colocar crianças, adolescentes e educadores dentro das escolas agora é um genocídio”, criticou Vitória.

“Nossas próximas ações têm o objetivo de dizer para os professores, funcionários de escola e estudantes que estão receosos para que não se sintam sozinhos, que estamos todos juntos. E lutaremos para que as aulas não voltem nesse momento. A guerra vai ser forte e precisamos sair vitoriosos dessa luta”, afirmou Helenir no final da reunião.

 

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