Educadores entrarão em greve se Eduardo Leite atacar o plano de carreira e a previdência estadual


“Se o governo apresentar para a Assembleia Legislativa uma proposta para alterar o plano de carreira ou a previdência da categoria, em 72 horas deflagraremos uma forte greve”, afirma a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, destacando a principal decisão dos mais de três mil educadores(as) que participaram da Assembleia Geral do CPERS, realizada na tarde desta sexta-feira (27), em Porto Alegre.

Do contrário, caso o governo não encaminhe os novos ataques, a categoria mantém-se em estado de greve, acumulando forças para exigir reposição salarial e pagamento em dia dos salários e do 13º.

“Nós estamos no nosso limite”, explica Helenir. “Não é possível que nessas condições de miséria, o governo queira retirar mais do nosso contracheque. O que está posto, hoje, é uma reforma previdenciária que prejudicará a todos, inclusive aposentados, e um plano de carreira que vai acabar com os avanços da categoria. Não admitiremos”, conclui.

A construção da greve foi, recentemente, a principal orientação do X Congresso Estadual do CPERS, elaborada na Carta de Bento Gonçalves, em resposta ao arrocho de cinco anos enfrentado pelos trabalhadores(as) da educação.


A presidente do Sindicato também destacou a denúncia realizada pelo CPERS nesta semana, em coletiva de imprensa, sobre a intenção do governador de fechar 2 mil turmas, chegando ao total de 5 mil turmas e 480 escolas desativadas até o final de seu mandato. “A Secretaria de Educação nega esta informação, mas as escolas estão nos procurando para denunciar enturmações, multisseriações e fechamento de turmas. Para nós, o objetivo do governo é claro: enxugar e precarizar para usar a justificativa da privatização”, expôs.

Entre as deliberações da Assembleia, constam também a participação nas atividades de mobilização pela educação nos dias 2 e 3 de outubro, repúdio à implantação de escolas cívico-militares no estado e a realização de um ato estadual no dia do professor, 15 de outubro, com a inauguração de um acampamento na Praça da Matriz com o mote de reajuste salarial.

O conjunto das propostas aprovadas será divulgado na próxima segunda-feira (30). Além da pauta de mobilização, a Assembleia elegeu os representantes do CPERS para a próxima Plenária Intercongressual da CNTE. Ao todo, foram 31 eleitos de acordo a proporção de votos em cada uma das quatro chapas, conforme a relação abaixo:

Chapa 1: 648 votos | 17 representantes
Chapa 2: 281 votos | 8 representantes
Chapa 3: 145 votos | 4 representantes
Chapa 4: 64 votos | 2 representantes

Confira as mobilizações aprovadas:

 

  1. Construir a greve da categoria, discutindo recomposição salarial, 13º salário, pagamento de salário em dia e o não fechamento de turmas. Caso o governo apresente proposta de reformulação do(s) Plano(s) de Carreira e/ou Previdência, deflagrar a greve após 72 horas;
  1. Acompanhar, na Assembleia Legislativa do RS, a tramitação das emendas que buscam na LO 2020(Lei Orçamentária) o Piso Salarial para professores(as) e os mesmos reajustes aos(as) funcionários(as);
  1. Realizar Ato Estadual, no dia 15 de outubro, inaugurando a instalação do Acampamento da Educação na Praça da Matriz, que permanecerá até o final do ano letivo, com a realização de um Ato por mês e calendário de visitas às escolas organizado pelos(as) aposentados(as). O acampamento contará com a participação de 4 Núcleos por semana no sistema de rodízio, com o mote: Reajuste Já!. Realizar ações criativas e diversificadas. Sugestões: um café da manhã com “leite azedo”, um varal do desabafo(frases e depoimentos que resumam os sentimentos e cotidiano da categoria), etc;
  1. Somar-se as atividades de mobilização nos dias 02 e 03 de outubro;
  1. Somar-se as atividades em Defesa da Petrobras no dia 03 de outubro;
  1. Suspender o dia de paralisação mensal e utilizar este dia para realizar atividades de discussão nas escolas, aulas cidadãs, períodos reduzidos, mobilizações no entorno das escolas, etc;
  1. Acompanhar e pressionar nas Audiências Públicas da Subcomissão da Assembleia Legislativa que irão tratar da situação do IPE-Saúde, a implementação da autarquia e a melhoria do atendimento no Estado;
  1. Interceder junto à CNTE para que seja construída com outras Entidades de Servidores Públicos uma Plenária Nacional de emergência com representantes de sindicatos do funcionalismo público municipal e estadual com a finalidade de organizar uma grande luta nacional exigindo a retirada e a derrota da PEC Paralela (PEC Nº 133/2019 – Reforma da Previdência), ainda no Congresso Nacional;
  1. Acrescentar a pauta da Reforma da Previdência: pressão aos Senadores do Estado do RS para votarem contra a PEC 06/2019;
  1. Lutar Contra a Implementação de Escola Cívico-Militar no Rio Grande do Sul;
  1. Realizar Moção de Repúdio à vereadora Claudia Jardim (DEM) pela iniciativa de protocolar uma solicitação de instalação de Escola Cívico-Militar na cidade de Guaíba e todos os demais municípios onde houver este encaminhamento.

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