Eduardo Leite decreta passe-livre para a Covid nas escolas


Em plena segunda-feira de carnaval, após uma semana marcada pelo salto de 22,5% nas internações e a chegada da cepa mais transmissível da Covid-19 no RS, o governador Eduardo Leite (PSDB) revogou a norma que limitava em 50% a ocupação de salas de aula durante a pandemia.

Mesmo em bandeira preta, as turmas poderão ter lotação máxima. Trata-se de algo inédito no mundo, sem paralelos na irresponsabilidade e no desrespeito à vida.

Não há mais restrições à circulação do vírus nas escolas, de resto já abandonadas à própria sorte pela falta de fiscalização, ausência de testagem, incompetência na entrega de EPIs e graves carências estruturais, financeiras e de recursos humanos.

Também já não temos governador. Inerte diante das imagens da folia macabra no litoral gaúcho, inepto na busca de vacinas e – como disse em dezembro – confiante na “liderança” de Bolsonaro para conduzir a imunização, Eduardo Leite quer presidir o país sem ter governado o próprio estado.

Agora, entrega a gestão da Secretaria da Educação ao sindicato patronal do ensino privado. O Sinepe/RS, autor do pedido esdrúxulo de flexibilização, fará a cogestão da pasta ao lado dos atuais ocupantes: fundações empresariais, traficantes de ensino e picaretas de toda sorte.

Enquanto isso, o principal jornal do estado noticia o fato com a naturalidade de um passeio no parque, reproduzindo a fundamentação kafkiana do procurador-geral do Estado, como quem relata decisão estritamente técnica e alheia à esfera da política. A blindagem ao governador – sequer citado, jamais questionado – impressiona.

Denise Garrett, epidemiologista, resumiu em artigo recente na Folha: a ciência, não a política, deve conduzir as decisões sobre como e quando reabrir escolas. Três dos cinco princípios fundamentais por ela listados já são desrespeitados aqui. A saber; baixa taxa de transmissão na comunidade, programas de testagem regulares e salas de aula bem ventiladas.

Agora, a intenção parece ser acabar com o veto a aglomerações. Em breve, o governador pretenderá terminar com a pandemia por decreto.

Nós, educadores(as), continuaremos lutando pelo direito ao principal bem resguardado pela Constituição: a vida. Exigimos vacinação imediata para todos os profissionais da educação, respeito e condições mínimas de segurança.

Sem vacina, sem testes, sem recursos, sem estrutura, sem profissionais, sem fiscalização, sem protocolos e sem governador – nem que seja para assumir a responsabilidade pelas mortes – não há como voltar.

#VacinaJáParaOsEducadores!

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