Diretores de Santa Maria participam de encontro para debater a nova matriz curricular


Na tarde desta terça-feira (4) os diretores de escola do 2° Núcleo, Santa Maria, participaram do ciclo de debates sobre a nova matriz curricular imposta pelo governo Eduardo Leite (PSDB).

Os diretores(as) puderam conhecer quais os principais problemas causados pelas portarias 293 e 312/2019 e quais medidas estão sendo tomadas para impedir mais este ataque à gestão democrática das escolas estaduais. 

A diretora do Departamento de Educação do CPERS, Rosane Zan, destacou que as portarias estão sendo impostas de cima para baixo, à revelia do CEEd e das legislação estadual e nacional. 

“O CPERS não se faz só de lutas pelas questões salariais, mas também pelas questões pedagógicas. O projeto que está em curso é um projeto privatizante e de enxugamento. Neste momento, todos os diretores de escola precisam saber da importância e da força que têm, para combatermos essa Matriz que quer destruir o ensino público e de qualidade estadual”, disse Rosane. 

Selene Michelin, representando a CNTE, comentou como os recentes ataques em âmbito nacional, como o golpe e a Emenda Constitucional 95, têm impacto direto nas decisões que vêm sendo tomadas em nível estadual. 

“Durante 20 anos, período de congelamento dos gastos da União com despesas primárias, como a educação, teremos as mesmas escolas, com os mesmos recursos, e o que os governadores estão fazendo? Reformas que servem de moeda de troca e resultarão em terceirizações, demissões e a degradação da educação pública no Brasil” ressaltou Selene.

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Para Michelin, as intenções do governo com a imposição desta nova matriz curricular são óbvias e precisam ser combatidas. 

“Se tem menos verba, eles acham que há necessidade de um novo ensino que gaste menos. Mas tudo que querem é diminuir a demanda para as universidades públicas, privatizar os currículos escolares e municipalizar o ensino fundamental. Precisamos conscientizar a comunidade escolar da gravidade da situação para que nossos alunos não estudem em uma escola privatizante, onde não se precisa mais pensar”, destacou. 

A diretora do CPERS, Sandra Regio, salientou que o momento de ataques é difícil, mas que as direções escolares precisam se manter firmes e resistir. 

“Essa reforma ataca os objetivos do ensino médio, diminui a carga horária das obrigatória e aumenta as optativas. Nossos alunos da escola pública terão menos condições de concorrer em vagas nas universidades. Esse desgoverno do Eduardo Leite que nos destruir, ou nos mantemos juntos ou não temos força de barrar os seus desmandos” enfatizou Sandra. 

Alan Patrick Buzzatti, diretor da EEEF Profª Edna May Cardoso e representante do Fórum de Diretores de Santa Maria, frisou que o perfil do governo é autoritário e precisa ser combatido.

“Leite quer impôr uma matriz que não conversa com a realidade das nossas escolas, a Seduc não está homologando turmas e enxugando nossos recursos, essas ações nos exigem uma retomada da luta e muita resistência”, salientou Alan. 

Simone Goldschmidt, ex-presidente do CPERS e atual representante do sindicato no CEEd, destacou que a nova matriz não só fere e desconhece legislação nacional e estadual, mas faz parte de um grande esquema para o desmantelamento da escola pública.

“Avaliando as Portarias e tudo o que vem acontecendo, percebemos que tudo foi muito bem planejado. O sistema capitalista precisa se expandir e agora estão de olho no público. A direita prega isso, o Estado mínimo, mas qual é o papel do Estado na nossa vida? Eles querem lucrar com a escola pública e é isso que a gente vem falando há tanto tempo”, ressaltou Simone. 

Ao fim do encontro, ficou encaminhado que os diretores se organizarão para denunciar a situação no MP da região e à comunidade local.

Leia a orientação do CPERS para as direções escolares.

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