Direção central e dos núcleos do CPERS debatem os próximos passos da luta da categoria


A direção central do CPERS e os dirigentes de seus 42 núcleos reuniram-se em plataforma online nesta quarta-feira (13) para debater as rápidas transformações da conjuntura nacional e estadual, além de compartilhar informações sobre a audiência realizada ontem com o secretário de educação, Faisal Karam.

O debate o iniciou com a avaliação da presidente do sindicato, Helenir Aguiar Schürer.

“Vemos com enorme preocupação a forma irresponsável com a qual o governo federal leva a questão da pandemia do Covid-19. Somado a isso temos o Congresso Nacional trabalhando para retirar direitos dos trabalhadores. Aqui no Rio Grande do Sul não é diferente, Eduardo Leite insiste em retomar as aulas presenciais em meio à pandemia. Não é possível voltarmos enquanto esta situação não retroceder. Não temos nenhuma segurança para voltarmos e temos cobrado isso do governo”, afirmou.

Logo após, a secretária geral do CPERS, Candida Rosseto, destacou os assuntos discutidos com o secretário da Educação. Possibilidade de recomposição dos descontos de greve, debate sobre Difícil acesso, adicionais, folha suplementar, a penosidade e a insalubridade dos cursos técnicos, Conselho Estadual e a retomada das aulas presenciais foram alguns dos temas abordados. “Procuramos debater e colocar a importância de todos estes pontos para a categoria”, salientou.

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Representantes das forças políticas que compõem o sindicato fizeram avaliações sobre o cenário atual, considerando as ações dos governos Leite e Bolsonaro em meio ao preocupante cenário da pandemia.

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Solange Carvalho – primeira vice-presidente do CPERS, ressaltou que o momento é desolador. “O Fora Bolsonaro representa toda a questão da conjuntura política. Em nível estadual não é muito diferente, pois o governador está afrouxando o decreto levando em conta o que quer o empresariado. Nossa reunião de ontem foi um pontapé inicial. Ficaremos atentos para ver se o secretário cumprirá com o que se comprometeu. Reforçamos muito o nosso pedido para que as aulas não sejam retomadas neste grave momento”, observou.

Orlando Marcelino da Silva, do núcleo de Passo Fundo colocou a preocupação com o aprofundamento da miséria da categoria. “É fundamental que sindicatos, movimentos e partidos assumam a campanha Fora Bolsonaro e Fora Mourão. Isso é determinante para os rumos do país. A categoria começou a ver concretamente o aprofundamento da miséria, temos que dar uma resposta à altura para o governo”, observou.

“Temos que denunciar que o governador Eduardo Leite não está sequer seguindo o estudo realizado pela UFPel que demonstra o verdadeiro cenário que temos, de crescimento da pandemia. Não está sendo razoável quando propõe a abertura e a retomada das aulas presenciais”, salientou Pablo Henrique Silva dos Santos, diretor do núcleo de Canoas.

Edson Garcia, segundo vice-presidente do CPERS, considerou que o impedimento das manifestações nas ruas, devido à pandemia, torna o cenário ainda mais desafiador. “Não podemos fortalecer nosso movimento indo às ruas denunciar todas as arbitrariedades dos governos. Mesmo assim, é imprescindível fortalecer a nossa campanha contra a manutenção das provas do Enem em meio ao cenário da Covid-19, aprofundando as desigualdades entre os estudantes”, considerou.

Rosane Zan, da direção central, ressaltou o quão assustadores são os números de mortes pela pandemia. “De ontem para hoje 881 pessoas morreram no Brasil. Enquanto isso, vemos o governo federal banalizar a morte. Aqui, Leite esta tentando fazer com que as aulas sejam retomadas em junho, quando pode ocorrer o pico da pandemia. Enquanto os  bancos estão ganhando cada vez mais, a educação e a saúde sofrem os impactos da falta de estrutura e investimentos necessários.”

“Existe um discurso midiático de que todos sairemos melhor da pandemia. Mas o que vemos em nível nacional é o avanço da politica ultra liberal de Estado Mínimo. Basta ver a tentativa de congelar os salários dos servidores por mais um ano. Aqui no estado, o governador aparece na televisão todos os dias e acaba convencendo de que na questão da pandemia está agindo de forma correta. Não podemos esquecer de toda a luta que fizemos para que as escolas pudessem suspender as aulas. Precisamos fazer a disputa política sem ilusões”, analisou Daniel Damiani, também da direção central.

“Estamos vivendo uma crise capitalista sem precedentes. Milhões de crianças e jovens estão fora da escola, a crise econômica, política e sanitária demonstra o momento ímpar que vivemos no Brasil. Sem não tivéssemos em isolamento, teríamos um momento propício para as manifestações em massa. Como colocar essa perspectiva de luta é o grande desafio atualmente. É preciso uma forte campanha de fortalecimento da gestão democrática”, avaliou Valdete Moreira, da direção central.

Cássio Ritter, também diretor do CPERS estadual, manifestou preocupação com o cenário pós pandemia. “Depois dessa pandemia, o caos deve se instalar. Bolsonaro quer cooptar e ser líder desse caos para continuar no poder. O que estará em disputa depois será quem vai liderar o povo. Por isso precisamos mudar todo esse sistema de governo que esta aí para restabelecer os direitos já retirados. Eduardo Leite é um Bolsonaro com etiqueta, segue a mesma cartilha.”

“Estamos tristes e apreensivos com a forma como estão sendo conduzidos os rumos do nosso país por um governo insano, que ameaça a democracia. É lamentável que o governo Leite também seja tirano no sentido de retirar os direitos dos trabalhadores. Além dos cinco anos sem reajuste, os aposentados veem parte dos seus salários confiscados. O estado mínimo está muito forte no Rio Grande do Sul”, destacou Marino Simon, diretor do núcleo de Três de Maio.

Alda Bastos Souza, da direção estadual, observou o perigo das manifestações contra a democracia. “Em nível nacional não estamos representados por Bolsonaro, pois todos os dias ele afronta a democracia. O governador Eduardo Leite está dando uma de bom moço, mas sabemos que está alinhado com o pessoal do PSDB para as eleições de 2022. Quanto à volta às aulas, nós só podemos voltar quando tivermos segurança para educadores e estudantes”, frisou.

“A campanha Fora Bolsonaro e Mourão é muito importante porque estamos diante de um governo fascista, que representa a burguesia na questão do ajuste fiscal e no desmonte dos serviços públicos. Leite e Bolsonaro seguem a mesma política”, disse Mari Andréa, do Núcleo de Cruz Alta.

Diante da informação trazida por alguns núcleos, de que funcionários de escola estão sendo chamados para realizar a limpeza das escolas e a entrega de cestas básicas, a diretora do Departamento dos Funcionários de Escola do CPERS, Sonia Solange Viana destacou que o item dois do decreto estadual permite a ação. “Mas devem observar se serão fornecidos todos os equipamentos de proteção. E aqueles que fazem parte do grupo de risco não podem ser chamados”, ressaltou.

Após as avaliações foram apresentados encaminhamentos e demandas específicas de cada núcleo, que serão discutidas na próxima reunião da direção central do sindicato, na segunda-feira (18).

Jurídico explica ação revisional

O advogado Marcelo Fagundes, da assessoria jurídica do CPERS, destacou que a ação revisional de juros abusivos que está sendo realizada não é contra o governo do estado, é de cunho pessoal contra financeiras que cobram taxas mais elevadas do que a média do mercado e até dez vezes mais altas do que as taxas praticadas pelo Banrisul.

“Analisamos cerca de 200 contracheques, destes vimos que mais de 190 têm empréstimo com financeiras que cobram juros abusivos. Temos chance de reduzir o valor da prestação mensal e diminuir o endividamento para quem contratou estes empréstimos. Diante disso resolvemos abrir ação individual. Estamos em contato com os diretores dos núcleos para agilizar essa questão”, explicou.

Confira os documentos necessários para ajuizar a ação

Quanto à informação trazida pelos núcleos e por educadores que entram em contato com o sindicato, sobre os pedidos de aposentadoria que estão sem retorno, Fagundes orienta os educadores a fazerem o registro. “Tem que registrar de alguma maneira, mostrar que fizeram os pedidos de aposentadoria. Estaremos em permanente contato com as direções de núcleos sobre esta questão”, afirmou.

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