Cuidar da saúde dos educadores é defender a escola pública


Neste Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, o Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or) do CPERS alerta sobre a saúde das(os) trabalhadoras(es) da educação pública, que está em colapso. Isso não é acaso, mas sim consequência de um projeto político definido.

Nas escolas da rede estadual, o que se vê é o avanço de um processo de adoecimento coletivo. Jornadas exaustivas, sobrecarga de trabalho, desvalorização salarial e vínculos precários têm produzido um cenário onde ansiedade, depressão, estresse crônico e síndrome de burnout deixam de ser exceção e passam a ser regra.

Dados recentes apontam que o adoecimento mental já é uma das principais causas de afastamento entre servidoras(es) públicas(os). Em todo o país, foram mais de 472 mil casos apenas em 2024, segundo o Ministério da Previdência Social. Entre as(os) educadoras(es), o cenário é ainda mais grave. Estudos e análises apontam que mais de 50% dos afastamentos na educação estão ligados a transtornos mentais, evidenciando que o sofrimento psíquico já se tornou parte do cotidiano escolar.

No Rio Grande do Sul, esse processo está diretamente ligado às escolhas do governo Eduardo Leite (PSD), que aprofunda a lógica de redução do Estado, a precarização dos vínculos e o desmonte dos serviços públicos. A falta de concurso público, o aumento dos contratos temporários e a ausência de equipes de apoio nas escolas ampliam a pressão sobre quem sustenta a educação todos os dias.

O resultado é um ciclo perverso: trabalhadoras(es) adoecem, se afastam ou abandonam a carreira, enquanto o governo segue sem enfrentar as causas estruturais do problema. Ao mesmo tempo, cresce a naturalização do sofrimento, como se adoecer fosse parte do trabalho.

Neste sentido, a pesquisa “Carreiras Sustentáveis e Trabalho Decente: perspectivas psicossociais no contexto brasileiro”, desenvolvida pela PUCRS em parceria com o Sindicato, vem analisando os fatores psicossociais que estruturam — ou rompem — a permanência de educadoras(es) na rede estadual.  A participação é fundamental para o fortalecimento da luta em defesa da melhores condições de trabalho e políticas públicas. Para participar, basta responder o questionário. Clique aqui!

Cuidar da saúde das(os) trabalhadoras(es) da educação é condição básica para garantir o direito à educação pública de qualidade. Não há escola democrática, inclusiva e transformadora sustentada pelo adoecimento de quem a constrói.

Por isso, neste 7 de abril, o Departamento de Saúde da(o) Trabalhadora(or) do CPERS reafirma a urgência de romper com esse modelo. É preciso garantir políticas públicas efetivas de cuidado, com acompanhamento psicológico, redução da sobrecarga, valorização profissional e condições dignas de trabalho.

Defender a saúde das(os) trabalhadoras(es) é defender a escola pública.
E defender a escola pública é defender a vida!

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