CPERS reivindica fim da municipalização das escolas estaduais e reajuste salarial, na Expointer


Fotos: Matheus Piccini/CUTRS e CPERS Sindicato

Ao lado da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Frente dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (FSP-RS), equipe diretiva e sócios(as) do CPERS estiveram mobilizados em frente à Expointer, na manhã desta terça-feira (29). A classe trabalhadora presente estava organizada em repúdio à municipalização das escolas estaduais e à falta de reajuste salarial.

Municipalizar as instituições educacionais do estado tem sido mais uma tentativa de desmonte do serviço público realizado por Eduardo Leite (PSDB). A medida transfere a responsabilidade do governo para os municípios com o objetivo de cortar gastos, terceirizando o compromisso do Estado com o ensino gratuito e de qualidade.

De acordo com o Conselho Estadual da Educação (CEEd), uma escola só pode ser municipalizada se estudantes, professores(as) e funcionários(as) concordarem com a ação.  “A partir de hoje, voltaremos para as nossas escolas, organizaremos a nossa comunidade e faremos atas dizendo que não aceitamos a municipalização”, argumentou a presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer.

“É uma vergonha para o Brasil e para o estado a gente ter um governador que não trata a escola pública com o devido respeito e a necessidade que ela precisa para atender o Rio Grande do Sul”, destacou o presidente da CUT RS, Amarildo Cenci.

A municipalização significa o rompimento de vínculos criados nas escolas, o que resulta na descontinuidade do processo pedagógico e na demissão de diversos trabalhadores(as). “A luta será dura, pois não é a primeira vez. Quem lembra lá no tempo do (Antônio) Britto? A gente venceu e nós vamos vencer de novo”, enfatizou a presidente do CPERS.

Além da mobilização contra a transferência de escolas estaduais para a gestão municipal, o ato demandou reajuste salarial para os servidores(as) públicos. Em nove anos, com uma inflação acumulada no período de 67,06%, o funcionalismo estadual recebeu apenas 6% a título de reposição da inflação em 2022.

“Estamos com um déficit salarial imenso, uma sobrecarga de trabalho cada vez maior e é desumano que continuemos assim. Por isso, a Frente dos Servidores Públicos está junto com o CPERS lutando por mais justiça”, declara o secretário-geral do Sindjus, Fabiano Zalazar.

A inflação, aliada à decisão de Eduardo Leite (PSDB) de exigir maior tempo de contribuição dos trabalhadores(as) e à aprovação da reestruturação do IPE Saúde, levou o salário dos servidores(as) a uma desvalorização sem precedentes. 

O presidente do Sindicaixa, Érico Corrêa, ressalta a importância do engajamento de toda sociedade na luta da FSP-RS. “Precisamos pedir socorro aos gaúchos e gaúchas para que forcem o governador Eduardo Leite a negociar com as categorias e conceder o reajuste tão urgente para todos nós”, completa. 

Os portões da 46ª Expointer foram ocupados por dezenas de membros das organizações presentes, que distribuíram panfletos e expuseram suas faixas e bandeiras a fim de conscientizar sobre a essencialidade da escola pública enquanto instância democratizante e sobre a valorização dos servidores(as) enquanto mantenedores de serviços públicos primordiais.

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