Texto de Solange Carvalho*
Na última quarta-feira (18), o CPERS fez-se presente no Encontro Regional RED de Trabajadoras de la Educación, que reuniu mais de 600 educadoras de diferentes regiões do Brasil e de países da América do Sul, América Central, Caribe e Europa.
Educação em meio à pandemia, questões de gênero, políticas públicas e perspectivas para o período pós-pandemia pautaram o debate da reunião virtual, promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e Internacional da Educação para a América Latina (IEAL).

Representando o CPERS, participaram a presidente, Helenir Aguiar Schürer, a 1ª vice-presidente e diretora do Departamento de Gênero e Diversidade, Solange Carvalho, a secretária-geral, Candida Rossetto, e as diretoras Rosane Zan, Vera Lessês, Glaci Weber e Alda Maria Bastos Souza.

Os presentes apresentaram relatos sobre a situação das mulheres nos seus países, a necessidade de organização e intensificação da luta na defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, que perpassa por melhores condições de trabalho e a busca por igualdade de direitos.
Igualdade de gênero
Os aspectos referentes ao machismo e à violência contra as mulheres foram pontos de destaque do debate, que culminaram em reflexões sobre a sobrecarga de trabalho das educadoras em meio à pandemia, além do pouco acesso às tecnologias por estudantes e trabalhadoras em educação.
Neste contexto, além do cuidado de suas famílias e casas, as mulheres educadoras precisam trabalhar remotamente, laborando entre espaço privado e público, tendo que cumprir exaustivamente múltiplas jornadas de trabalho.

Ainda sofrem com a violência doméstica, que incide no aumento de casos de feminicídios e agressões físicas e ou psicológicas.
Além de todos esses fatores, a pandemia agravou o número de demissões de mulheres, aumentando ainda mais a pobreza feminina e o adoecimento das educadoras.
Ensino híbrido e a privatização da educação
Outro ponto de grande discussão foi a educação híbrida, realizada de maneira remota e presencial.
Por mais que as tecnologias estejam a serviço da educação, elas não substituem a importância das aulas presenciais. Desse modo, as aulas remotas devem ser analisadas pela sua necessidade em função da crise sanitária.

Esse modo de ensino abre espaço para a compra de plataformas e conteúdos enlatados, o que gera preocupação com a autonomia pedagógica das escolas.
Neste viés, muitos grupos internacionais fazem da educação um grande negócio, ganhando dinheiro e vendendo ideologias, também, através das aulas prontas.
A privatização da educação através da compra de plataformas virtuais e conteúdos programáticos vendidos por grupos empresariais internacionais, com objetivo de massificar e dominar a pedagogia, além de diminuir a importância do trabalho docente, servem como dominação ideológica.
Os países que têm governos reacionários aplicam medidas que retiram direitos e colocam a educação como gasto e não investimento em defesa de sua qualidade.
Já governos com perspectiva de soberania e respeito aos direitos, investem e aplicam em políticas que visam o bem estar de suas populações.
O CPERS reforça que a luta em defesa da educação pública, gratuita, de qualidade e que respeite as diferentes culturas deve ser constante.
É preciso também defender as educadoras e educadores trabalhando pelo direito à formação pedagógica continuada e o acesso às novas tecnologias por meio de políticas públicas.
As escolas representam um espaço de construção do saber muito importante para a sociedades. Por isso, educadoras e educadores devem ser ouvidos e respeitados.
*Solange é 1ª vice-presidente e diretora do Departamento de Gênero e Diversidade do CPERS




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