Cesta básica aumenta 36% em 12 meses na capital e consome mais da metade do salário mínimo


Levantamento do Dieese aponta aumento de 36% em 12 meses no custo da cesta básica em Porto Alegre. A capital é a terceira mais cara do país, atrás apenas do Rio de Janeiro e São Paulo.

Entre outubro e novembro, a variação foi de 6,13%.

À época do último reajuste para os educadores(as) da rede estadual, a cesta básica custava R$ 342,62 na capital.

Seis anos depois, a categoria continua com o mesmo salário e a cesta básica custa quase o dobro: R$ 617,03. Colocar comida na mesa ficou 80,2% mais caro.

>> Leia a íntegra do levantamento do Dieese aqui.

Em Porto Alegre, dos 13 produtos pesquisados, nove registraram aumento em relação a outubro. A batata foi o produto com maior alta, chegando a 43,96%. Em seguida aparecem a carne (9,36%), o óleo de soja (7,59%), o tomate (3,40%), o açúcar (2,68%), a banana (2,31%), o feijão (2,19%), o arroz (2,12%) e a farinha de trigo (0,68%). 

Salário mínimo deveria ser 5 vezes maior

Com base na cesta mais cara do país, o Dieese estima que, em novembro de 2020, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 5.289,53, ou 5,06 vezes o mínimo de R$ 1.045,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças.

Quando se compara o custo da cesta como salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social – alterado para 7,5% a partir de março de 2020, com a Reforma da Previdência -, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em novembro, na média, 56,33% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta.

Aumento em 16 capitais

Os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos indicam que, em novembro, os preços do conjunto de alimentos básicos durante um mês, aumentaram em 16 capitais pesquisadas. As maiores altas foram registradas em Brasília (17,05%), Campo Grande (13,26%) e Vitória (9,72%).

Além do arroz, óleo de soja e da carne, o tomate e a batata também apresentaram expressivos aumentos na maioria das cidades. Em Recife, o custo da cesta básica diminuiu (-1,30%).

O preço médio da carne bovina de primeira registrou alta em todas as capitais: variou de 1,64%, em João Pessoa, a 18,41%, em Brasília.

Segundo o Dieese, a baixa disponibilidade de animais para abate no campo, devido ao período de entressafra, e as exportações aquecidas ocasionaram redução da oferta e elevaram os preços do produto.

A batata, pesquisada no Centro-Sul, teve o valor aumentado em todas as cidades.

Houve quebra de produção em várias regiões do Sul, por causa do baixo volume de chuva nas fases de plantio e desenvolvimento, e a oferta foi reduzida, aponta o Dieese.

O preço médio do arroz agulhinha registrou alta em 16 capitais, com variações entre 2,12%, em Porto Alegre, e 15,24%, em Brasília. A baixa oferta de arroz manteve o preço em trajetória de alta nas capitais.

Foto de capa: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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